sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CLASSIFICAÇÃO E TABELAS

Quem convive comigo diariamente já conhece – e às vezes até brinca com – minha afinidade com a organização das informações em forma de tabelas. Torna-se evidente, portanto, que minhas histórias também são organizadas numa tabela, certo? Bem, quase. Na verdade, tenho várias tabelas, além de algumas listagens.

O arquivo principal é a grande planilha índice, que não é tabela por não ter o quadriculado de linhas e colunas. Já tentei jogar no Excel mas gosto da visão de páginas inteiras que o Page Maker me dá. De qualquer forma, há colunas de informações: nome das personagens; ambientação; título; data de criação; data de descarte; quantidade de páginas; observações.

Outro par de tabelas muito importante é quantitativo:

1) a tabela de quantas histórias criadas e sobreviventes por mês, que totaliza quantas histórias em cada ano (coluna) e quantas histórias em cada mês (linha). Por causa dessa tabela, sei que criei mais histórias em 1996 (39 histórias), e que o mês mais criativo é outubro (31 histórias). Sei também que as melhores histórias (sobreviventes) são de 1994 (5 histórias) e que o mês com melhores resultados é março (4 histórias). E sei também que não criei nenhuma história em 2008 (muito ocupada escrevendo O canhoto), assim como não restou nenhuma sobrevivente dos anos de 1985, 1987, 1988, 1990, 1997, 1998 2000, 2002, 2004, 2006. Também é interessante notar que não há nenhuma história feita em outubro ou dezembro que seja sobrevivente – e olhe que outubro é o mês mais criativo!

2) Tabela de quantas histórias de cada cor por ano. Antes de falar da tabela em si, é preciso explicar minha classificação das histórias por cores, que se dá em função da ambientação escolhida. São seis cores, a partir das cores do Creative Paper, um pacote com folhas de papel craft de tamanho próximo a A4, próprio para atividades didáticas e criativas. Um dia, eu resolvi usar meia-folha desse papel para fazer uma espécie de capa e lombada das histórias, que me facilitasse agrupar as folhas e visualizar a espessura de cada uma. Excluí preto e branco e dividi as histórias pelas outras seis cores restantes. Ficou assim:

- amarelo = histórias ambientadas no Rio de Janeiro, na época em que estou vivendo (presente) – 134 histórias no total; 4 sobreviventes.

- verde = histórias ambientadas no resto do Brasil, época presente – 29 no total; 1 sobrevivente

- rosa = Brasil; época passada (anterior ao século XX) – 28 no total; 4 sobreviventes

- azul = histórias ambientadas fora do Brasil, época presente – 21 no total; 1 sobrevivente

- vermelho = fora do Brasil; época passada (inclui Romances de Cavalaria) – 47 no total; 9 sobreviventes

- laranja = histórias sem local e sem época definida; presente eterno; fábula; contos de fadas – 28 no total; 1 sobrevivente.

Essa tabela me permite saber quantas histórias de cada tipo foram criadas em cada ano e quantas sobrevivem. É interessante notar que eu crio mais histórias amarelas, mas as vermelhas são melhores (mais sobreviventes). Estes são os principais registros, que são usados para todas as histórias, e que resumem as principais informações de tudo o que eu já fiz.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

FINAL FELIZ

Minhas histórias em geral terminam com final feliz... não exatamente. Não acredito no “foram felizes para sempre” dos contos de fadas. Quando muito, meus finais apontam para uma felicidade possível, lá no futuro, e, mesmo assim, não necessariamente duradoura. Há casos também de conflitos resolvidos, quando a personagem acredita que alcançou a felicidade, mas não se dá conta de que perdeu algo importante para chegar a essa felicidade, ou de que terá que pagar por ela. Então, mesmo quando eu escrevo que foram felizes para sempre, resta uma dúvida se foram de fato felizes, e o tempo de duração desse para sempre.

Mais óbvios são os finais não-felizes, marcados por algum drama ou tragédia. Nem sempre me compete contar toda a vida das personagens, mas apenas um conflito capital de suas vidas. Resolvido o conflito, a história acaba, esteja a personagem feliz ou não com isso. Há casos também em que o conflito só termina com a morte da personagem. Isso, entretanto, não é necessariamente infeliz, pois a morte é o fim de todos os que estão vivos, sejam personagens ou pessoas reais, e é a solução inelutável de todos os conflitos da vida. Então não me julguem insensível ou má se uma personagem morrer: eu estou apenas recriando a vida em todas as suas etapas.

E há também os finais enigmáticos, nem aparentemente felizes, nem infelizes, em que cabe ao leitor decidir o que prefere.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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