domingo, 21 de fevereiro de 2010

REI ARTUR

É claro que eu já tinha ouvido falar no Rei Artur e seus Cavaleiros da Távola Redonda mas nunca tinha lido nenhum livro com as histórias deles até dezembro de 1988, quando uma amiga minha imaginou uma história em que os cavaleiros se reencontrassem nos dias de hoje, encarnados em outros corpos, e caberia ao Rei Artur identificá-los, encontrá-los espalhados pelo mundo e reuni-los, para restaurar a Távola Redonda e seu reino de Camelot. Ela chegou a me dar a caracterização de algumas personagens, e me deixou livre para criar as outras e fazer todo o percurso da história. Eu achei a idéia interessante e resolvi escrever.

A primeira coisa a fazer foi ler os Romances de Cavalaria para conhecer as personagens e escolher quais usaria na minha história. Comecei a procurar textos, livros e obras relacionadas e encontrei Richard Wagner, e sua ópera Tristão e Isolda, cujo prelúdio se tornou uma de minhas músicas favoritas. Depois li adaptações da história de Artur e dos Cavaleiros, até começar a encontrar os romances nas livrarias. Comprei e li tudo o que pude: 1) romances da época: Chréstien de Troyes (Perceval ou o conto do Graal, Lancelot o cavaleiro da charrete, Erec e Enide, Cligès ou a que se fingiu de morta, Iwain o cavaleiro do leão), Thomas Malory (Morte de Artur), Wolfrand Von Eschenbach (Parsifal), Robert de Boron (Merlin), A morte do Rei Artur, de autor anônimo, e ainda Afonso Lopes Vieira (O romance de Amadis); 2) romances organizados nos tempos modernos, a partir de textos medievais: Joseph Bédier (Romance de Tristão e Isolda), Dorothea e Friedrich Schlegel (A história do mago Merlin); 3) um estudo de Jean Markale (Merlin, o mago)

A lista de cavaleiros aumentava e diminuía, à medida que eu lia: aumentava porque eu queria incluir todos os que eu achava interessantes; diminuía porque eu entendia que só podia ficar com os principais. Criei também uma personagem não prevista pela minha amiga: Richard Crawford, um jovem aficcionado pela Távola Redonda para ajudar Artur em sua missão.

Como já citei aqui, em 11 de agosto, no texto sobre as histórias encomendadas, esta história se passava no futuro – no caso, o que era futuro quando ela foi criada: começava em 1997 e terminava em 2001, mais precisamente no dia 1/1/2001, o dia-mês-ano-década-século-milênio em que a vida de todos os envolvidos mudaria, pois seria quando Artur voltaria a reinar sobre a Inglaterra. Eu queria que as pessoas lessem com a expectativa de que o que eu escrevi realmente aconteceria, e esperassem pelo dia 16/4/1997 (o dia em que eu digo que Artur volta de Avalon para recuperar seu reino) para saber se de fato ele voltaria: se eu tinha apenas contado uma história ou feito uma profecia. No fim, só eu acompanhei as datas, esperando para ver se algum jornal noticiava a volta de Artur ao nosso mundo. Mas a História é muito cruel e nunca registra a passagem das minhas personagens pelo mundo e seus feitos notáveis. De qualquer forma, para mim, o dia 16/4 se tornou o Dia de Artur, quando lembro que ele voltou de Avalon, e Richard Crawford o ajudou a encontrar os Cavaleiros da Távola Redonda e a recuperar o Santo Graal para, com ele, conquistar o poder sobre a Bretanha e sobre todo o mundo. É uma pena que os historiadores não tenham registrado tudo o que aconteceu entre 1997 e 2000.

De tanto ler, fiquei impregnada com o estilo dos escritores e com o tipo de história que eles escreveram, e acabei criando, em 1989, Sir Haliwain de Nova Gália, um herói cavaleiresco capaz de competir com Sir Lancelot do Lago e Sir Tristão de Leonis, os melhores cavaleiros do mundo de acordo com todos os Romances de Cavalaria. Haliwain liberta donzelas, defende a justiça, persegue e vence os maus cavaleiros.

Achei que ia ser um caso isolado mas, em 1994, aconteceu de novo, e eu criei Sir Linart da Bretanha, o inverso do ideal da Cavalaria: um cavaleiro fraco, arrogante, que busca justiça em forma de vingança, com defeitos que não cabem num bom cavaleiro. No mesmo ano, fechei a trilogia, ao criar Sir Daluvian de Penthièvre e Sir Denevole de Norfolk, cavaleiros-cantores que dão mais valor à poesia do que aos combates. Enquanto Haliwain vence todos os combates, Linart perde todos, e Daluvian e Denevole preferem não lutar – mas, quando lutam, vencem. Comecei com o estereótipo e depois fui subvertendo o modelo.

Infelizmente, eu acabei de ler os Romances de Cavalaria, e a última história ficou incompleta pois perdi o pique do estilo. Mas gosto do projeto e considero-a sobrevivente, aguardando o momento de ser completada.

A questão é que, antes de ler os Romances, eu ouvi Wagner e me encantei. Então minha história preferida se tornou Tristão e Isolda, e o cavaleiro preferido, Sir Tristan de Leonis. Na impossibilidade de criá-lo, restou-me louvá-lo através de outros cavaleiros. Então os três “romances de cavalaria” que escrevi são uma forma de homenagear meu cavaleiro favorito. Ele aparece nas três histórias em posição de destaque, de forma que suas qualidades cavaleirescas sejam destacadas, e a irreversibilidade de seu amor sem culpa pela Rainha Iseu (prefiro a grafia em português arcaico). Não sou poeta, mas escrevi um poema para ele, que será publicado no livro que reúne as poesias que ousei fazer. E se por acaso não ficou óbvio nos romances que minha intenção era louvá-lo, acabo de confessar aqui esse amor irrestrito, infinito, ideal, irreal, impossível e, portanto, inútil.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ACABEI À PROCURA!

Foi no dia 5/2/2010. Cheguei a 43 páginas, e não encontrei mais nenhum ponto em que pudesse fazer mais algum acréscimo. Está tudo devidamente explicado e desenvolvido; a história do guia voltou a seu lugar de destaque, e o final que era do conto continuou fazendo sentido no romance.
O romance ficou com aquela estrutura que usei também em A noiva trocada e Vingança: um primeiro capítulo de introdução, em que são apresentados o ambiente, as personagens e o problema; a partir do segundo capítulo, o ambiente muda, se fecha, e as personagens estão isoladas para que possam resolver os conflitos sem interferência do mundo exterior; no final, o retorno ao mundo exterior, ou indicação disso, e a solução dos problemas. O tempo é curto e o espaço é restrito como num conto, mas as personagens e os conflitos são mais desenvolvidos, como no romance.
Agora é hora de encaixotá-la por um ano, atualizar os registros e tabelas (como uma certidão de nascimento), e também fazer alterações aqui no Blog (sai da lista de contos e vai para a fila de impressão de romances). E depois lançar-me ao outro projeto: transformar História do Mundo em romance. Este será mais fácil, porque não há compromisso com o número de páginas, pois é uma história que acaba mas não tem fim.
Em março, fará um ano que terminei O Canhoto. Como não o encaixotei logo, posso demorar um pouco mais a retomá-la – o tempo que estiver escrevendo História do Mundo. É hora de reler, reavaliar e, se ela passar nos testes, digitar e começar a preparar a publicação. Acho que terei trabalho para o ano todo.
p.s. : antes de me dedicar a História do Mundo, vou escrever O Além, a partir de um sonho que tive, em que eu visitava o Inferno e o Céu. Se ficar bom, a ideia é uma amiga minha artista plástica fazer as ilustrações e depois a gente publicar, seguindo o caminho de Dante Alighieri e Gustave Doré. Muita pretensão?

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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