domingo, 21 de março de 2010

MEUS AMIGOS NAS HISTÓRIAS

Olhando retrospectivamente, é engraçado pensar que coloquei algumas amigas como personagens das minhas histórias. Isso aconteceu quatro vezes, sendo que duas vezes a pedido da própria amiga.

A primeira vez foi em 1985, na história Princesa do Mar. Eu contei a minha amiga Gisela sobre a história e ela me pediu para ser incluída nela. Deixei-a também escolher o nome e as características da personagem que seria seu par-romântico. Hoje, esta história está descartada.

A segunda vez foi em 1993, na história Amor maior que o amor. Eu tinha uma cena em que a mocinha estava esperando suas amigas chegarem. Para não ter o trabalho de criar duas ou três personagens que eu não ia usar novamente, coloquei minhas amigas Cláudia, Márcia, Nadja e Rita na cena, cada uma com suas características reais, seu jeito de agir e falar. Depois que estava feito, contei a elas e elas se reconheceram na minha descrição e gostaram de participar dessa minha história que hoje está descartada.

A terceira vez foi no mesmo ano de 1993, em História do mundo, em que eu incluí minha amiga Luciana. As características da Luciana personagem e da Luciana real não são as mesmas, mas o relacionamento entre a Luciana personagem e Cristina é como o entre a Luciana real e eu.

Finalmente, em 2003 atendi ao pedido de minha amiga Ana Cláudia e a incluí como personagem em Amor de redenção. Também a pedido dela, a personagem se chama apenas Ana. Mas, da verdadeira Ana, só aproveitei a descrição física e o nome, pois a Ana-personagem é mais infantil do que a Ana-real. Mas talvez minha amiga tenha sido assim quando tinha a idade da personagem.

Nas quatro vezes, as minhas amigas são amigas da personagem principal feminina, o que não quer dizer que eu esteja retratada nessa personagem principal, mais do que nas outras personagens. Na verdade, eu sou todas as personagens de todas as histórias, exceto essas que são reais, sejam pessoas que eu conheço ou pessoas ilustres da história universal.

quinta-feira, 11 de março de 2010

HISTÓRIA DO MUNDO

Enquanto dou os retoques finais nO Além, já estou elaborando o que terei que refazer em História do Mundo. Um dia desses, remexi meus certificados de participação em concursos literários e encontrei uma avaliação feita a esse conto. Eu lembrava que o avaliador tinha identificado uma das características – o motivo que me faz manter essa história sobrevivente, mas não lembrava da avaliação inteira. Ao reler, mais atentamente, levei um susto: o avaliador dizia que os diálogos conduzem a história mas não são brilhantes. Não são brilhantes? Mas uma das minhas características é ter meus diálogos elogiados! Logo percebi que tinha que rever, então, todos os diálogos, e melhorá-los, para manter minha “fama”.
O conto é formado basicamente por três cenas, em que acontecem os diálogos. Procurei ver os assuntos que eram tratados nas três conversas, e descobri onde está o problema: o assunto é irrelevante. Nas minhas histórias, eu uso os diálogos para construir a personalidade das personagens, contar fatos anteriores relevantes, e fazer a trama andar. Em História do Mundo, as personagens estão simplesmente conversando “abobrinhas”. Talvez por isso eu não ganhei aquele concurso... Bem, problema identificado, bastava refazer os diálogos, certo? Ainda não. Os diálogos fracos são reflexo de uma trama fraca. Percebi que não existe uma história em História do Mundo. Não há um fio condutor. O trabalho de re-escrita, então, vai me dar ainda mais trabalho, pois tenho que começar do início: da idéia geradora. Será preciso pegar essa idéia, juntar as personagens que já inventei, a estrutura das três cenas, e de fato inventar uma trama que aglutine e carregue isso tudo. Muito mais difícil do que simplesmente incrementar e descrever – que eu achei que seria minha tarefa neste momento.
Se por um lado, é desgastante ter todo esse trabalho, por outro é bom saber que uma história que era ruim – e eu ainda não tinha percebido – terá outra chance de ficar boa. Quando eu tiver inventado a trama, talvez precise de mais personagens e mais cenas, para explicar e desenvolver tudo; então a transformação de conto em romance poderá deixar de ser problema.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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