sábado, 1 de janeiro de 2011

SEJAMOS BEM-VINDOS EM 2011!!

Mais um ano que começa! Mais um texto para fazer o balanço do ano que passou. Acredito que consegui manter alguma consistência no número de visitantes e de visitas, e pessoas de novas cidades, no Brasil e no mundo, se interessaram em visitar meu blog.

Em 2010 foi difícil manter regularidade na produção dos textos, pois os temas mais óbvios eu já tinha tratado em 2009. Por outro lado, os textos estão se tornando mais refletidos, mais complexos, e me dão mais trabalho na hora de elaborar e escrever. Estou abordando questões mais íntimas e mais detalhadas do meu processo de criação literária.

Em 2010 comecei a participar de várias comunidades literárias, mas os fóruns mais interessantes infelizmente simplesmente deixam de existir (Sala de leitura; Fórum do Recanto das Letras). Passei o ano testando uma série de comunidades e fóruns, e gastei muito tempo nisso, para finalmente ficar só com os que acho mais construtivos (já que meus preferidos acabaram). Por outro lado, não tive tempo de visitar com a frequência que eu queria os blogs das pessoas que encontrei nas comunidades. É algo que pretendo priorizar em 2011, e depois listar todo mundo aqui.

Eu também estava preparando a publicação de Primeiro a honra, mas achei bom pedir orçamento a várias gráficas e editoras, para ver que conjunto de soluções me atenderia melhor, e o tempo passou sem que eu conseguisse levar o projeto à conclusão. Como agora já tenho as informações de que preciso, a publicação sairá logo no início de 2011. Afinal, a fila precisa andar, e eu estou ansiosa já pela publicação de Construir a terra, conquistar a vida, que será um projeto mais audacioso e demorado, em vários tomos e com alguns requintes que já elaborei e preciso de alguém que execute. Por isso, mesmo tendo sido escrita depois, A noiva trocada deve ser publicada antes de Construir a terra, conquistar a vida, para não ficar atrasada.

Eu tinha me programado para incluir neste texto gráficos comparativos de movimentação e de leitura dos textos entre 2009 e 2010, mas, como comecei a publicar em junho de 2009, a conta ficaria desequilibrada, pois estaria comparando seis meses com doze meses. Por isso, vou deixar para fazer os gráficos para publicar no texto de dois anos de blog, quando poderei comparar dois intervalos iguais de 12 meses.

Então hoje vou simplesmente desejar a todos meus visitantes – os acidentais, os eventuais e os regulares – um feliz ano de 2011, em que tenhamos disposição de realizar nossos sonhos. Eu estarei sempre aqui, escrevendo e esperando pela visita, comentários e sugestões de vocês.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

DE ONDE VÊM AS IDÉIAS?


Estava revendo minha listagem geral, onde estão registradas todas as 307 histórias criadas nos meus mais de 25 anos de carreira, e observei como as tramas são variadas, os locais de ambientação, as épocas escolhidas e eu mesma me perguntei: “caramba, de onde eu tiro tantas idéias diferentes?” Essa é uma pergunta que não é fácil responder. As idéias vêm de toda parte, e de lugar nenhum ao mesmo tempo. Elas parecem já estar dentro de mim e, de repente, com o estímulo certo, elas brotam, como se explodissem, chegam à tona e se tornam reais. Essa resposta na verdade não resolve a questão, que passa a ser “que tipo de estímulo é o certo?” O que me faz juntar certos elementos e construir com eles uma história?

Bem, algumas idéias me vêm em sonhos. São sonhos reais, vívidos, que me impressionam de alguma forma e já vêm prontos – as personagens, os temas, a trama básica, indicações de ambientação. Meu trabalho é só organizar a estrutura, completar eventuais lacunas do que foi dado, acrescentar elementos secundários e acessórios (por exemplo, personagens secundárias, estação do ano, outros temas relacionados) e o escrever propriamente dito, que é quando tudo se entrelaça e a história nasce de fato. Esse processo aconteceu com O Aro de Ouro, O maior de todos, Vingança, Primeiro a honra, O cisne, Rosinha, O processo de Ser, O Além.

Às vezes é uma experiência significativa, num momento determinado. Um exemplo é Nem tudo que brilha..., que nasceu quando, após ler o conto O barril de amontilado, de Edgar Alan Poe, eu abri uma janela de madeira no prédio de aulas da Escola de Música da UFRJ e ela tinha sido fechada por fora com tijolos. Eu já estava envolvida com os emparedamentos de Poe, por isso foi muito impressionante para mim aquela janela emparedada. Então aconteceu a história do casal inocente que se envolve nos mistérios de uma casa, onde aconteceu um assassinato (eles não sabem). Aos poucos, eles vão se envolvendo com os fatos que descobrem e, de repente, a história da casa pode se repetir com eles. Como na Escola de Música, há pela casa janelas que não se abrem e estruturas misteriosas. Como em Poe, há, com as devidas adaptações, Montresor e Fortunato, claustrofobia, e uma espécie de vingança pelo não-feito.

Às vezes, a ideia vem porque fico pensando “como seria se”, ou “como teria sido para alguém viver tal situação”. Foi o que gerou, por exemplo, Construir a terra, conquistar a vida, que é a união de duas idéias. A primeira foi a conjectura “como teria sido a vida dos primeiros degredados portugueses que vieram para o Brasil?”A segunda ideia buscava imaginar “como deve ter sido para um europeu estar no Brasil, tão longe de sua terra e sua gente, com a perspectiva de nunca mais sair daqui?” Duarte nasceu para ter esses sentimentos e me dar as respostas às minhas indagações.

E há também os testes de possibilidades de combinação, em que eu invento as personagens, uma situação para elas se encontrarem e vou ajustando a caracterização à medida que vou vendo aonde os elementos me levam. Não deixam de ser o tipo “como seria se”, só de uma forma mais aberta. São assim A noiva trocada, Fábrica, Pelo poder ou pela honra, À procura.

Tudo isso são estopins de coisas que estão sempre em formação dentro de mim. Os temas são recorrentes, as questões abordadas são sempre as mesmas, expressas de formas diferentes, com roupagens diferentes mas a mesma essência. Então, na verdade, mesmo fazendo um texto detalhado, essa questão sobre de onde vêm as idéias não tem de fato uma resposta. Minha escrita não é a aplicação de uma fórmula pronta, mas é processo, é amadurecimento, é a expressão do meu eu e da minha vida.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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