Como aconteceu na conta dos finais felizes e infelizes, os números me surpreenderam pois a maior quantidade (19) é de personagens que chegam ao final da história tendo conseguido o que queriam. Em 13 histórias, as personagens não conseguiram tudo mas são felizes com o que têm. Quase empatando com o primeiro caso, as personagens conseguem se sentir felizes com o que lhes resta em 17 histórias. E apenas 5 não são felizes de jeito nenhum.
É interessante cruzar as informações e perceber que, nas histórias com final mais feliz (30), a grande maioria dos casos é de personagens felizes com o que querem (17), enquanto 8 são felizes com o que têm e apenas 5 com o que lhes resta. Já nos finais infelizes e trágicos (24), o predomínio é de personagens felizes com o que lhes resta (12), enquanto 5 são felizes com o que têm, 5 absolutamente não são felizes e 2 personagens em histórias de final trágico conseguem atingir seus objetivos e ser felizes com o que querem – daí aquela explicação de que o trágico não é necessariamente infeliz.
É uma conta bastante interessante, pois significa que, mesmo nos finais felizes, há uma gradação de felicidade, e que a realização plena acontece apenas em 17 histórias (de um total de 54). Então não está de todo errada minha impressão de que eu não faço finais felizes, pois nas outras 13 histórias, mesmo o final sendo feliz, há uma sombra de incompletude, uma mágoa de tristeza lá no fundo. Se formos considerar o conjunto das 54 histórias escritas (ou em vias de escrever), apenas 32% das minhas personagens são realmente felizes, pois chegam ao fim da história com o que querem, num final feliz.