Não pretendo explicar aqui o que é crítica literária, nem como se faz. Afinal, não sou crítica, sou escritora. Quero falar dos novos escritores, e de como eles reagem às críticas recebidas.
Hoje em dia, com a Internet, é muito fácil disponibilizar para o mundo o que se escreve: basta construir um blog, o que é simples, já que até eu consegui montar um. E, após fazer o blog, o autor cuida de divulgá-lo em comunidades literárias, onde outros novos escritores e escritores mais antigos se encontram. Os jovens escritores – em geral jovens de idade e jovens de métier – buscam comentários para seus textos. Querem saber o que está bom e o que está ruim, como podem melhorar. Mas, muitas vezes, eles têm tanta convicção de seu valor pessoal e literário (o que é natural, afinal, ninguém está escrevendo algo ruim) que não conseguem lidar com uma opinião negativa, ou ficam travados ao descobrirem que cometem erros gramaticais, e que seu texto maravilhoso não está bom. Os mais imaturos culpam a crítica, alegando que o leitor não entende nada de literatura e, por isso, não soube apreciar a perfeição que foi escrita. Outros, mais maduros mas que escrevem por diversão e não por necessidade, percebem que não levam jeito para “a coisa” e desistem da carreira, antes mesmo dela começar. Vão arrumar um emprego e cuidar da vida, que “essa coisa” de escrever, ainda por cima, nem dá dinheiro. Só alguns poucos, os verdadeiros escritores, vão se decepcionar com o próprio texto, duvidar do próprio talento, pensar, refletir e crescer. É como se a crítica derrubasse todos, mas só alguns conseguissem se levantar. E, quanto mais você cai, mais forte você se levanta, e vai ficando cada vez mais difícil cair de novo – a crítica também tem que melhorar muito para conseguir promover naquele autor um novo momento de parada e reflexão.
Participo de vários grupos de discussão e comunidades de literatura no Facebook, no Orkut, no Skoob, e ainda alguns independentes (como o Escreva seu livro, meu favorito) e tenho visto muitos casos de adolescentes e jovens que resolveram escrever um livro. Fico a me perguntar quantos desses são escritores de verdade, e quantos desistirão ao ouvirem pela primeira vez “você precisa melhorar isto, isso e aquilo”. Tenho lido textos desses jovens autores, e percebo talento em vários deles: uma narrativa empolgante, uma trama instigante. Mas, como é improvável alguém ser brilhante logo no primeiro texto, muitas vezes falta uma caracterização consistente para as personagens, a contextualização pode estar fraca, os diálogos não acrescentam nada, para ficar só em alguns aspectos literários, pois considero correção gramatical uma obrigação óbvia. Fico triste quando vejo um desses desistir, deixar o blog largado e sumir das comunidades. Mas, por outro lado, fico feliz quando um outro comenta que está estudando e melhorando o texto. Diante disso, a crítica acaba funcionando como um filtro, que descarta os fracos e dá convicção aos fortes.
É tão bom ter pares com quem trocar idéias... Quando eu comecei, não encontrei um escritor experiente para ser meu mentor, que apontasse minhas fraquezas, que me mostrasse o quanto eu precisava melhorar. Fui forçada a desenvolver a autocrítica e ser mentora de mim mesma. Ler, reler, analisar, criticar, apontar todos os defeitos, destruir as personagens, destruir a trama, destruir o texto, jogar tudo fora. Apanhar de alguém dói bastante. Apanhar de si mesmo dói mais ainda. Mas, quando você aprende a destruir seu próprio texto, fica mais fácil saber construí-lo direito. Você desenvolve seu estilo com o que você acha certo, sem dependência de uma opinião externa.
Como tenho lido e comentado textos de autores mais jovens, me sinto um pouco mentora deles também (ou tutora, como disse um deles). Fico feliz com esse papel, pois me dá oportunidade de ajudar outros autores a se tornarem escritores melhores. Ah, a vaga de meu mentor ainda está aberta para escritores tão ou mais experientes do que eu. Alguém se habilita? Aceito também críticas e opiniões de autores menos experientes e de leitores, afinal, todo mundo sempre tem algo para ensinar e eu ainda tenho muito para aprender e crescer.