quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ANIVERSÁRIOS E OUTRAS FESTAS


Minhas personagens não comemoram seus aniversários. Um dos motivos é que eu simplesmente não sei qual o dia em que elas nasceram. Também não sei se, nos séculos passados, as pessoas comemoravam seus aniversários. Penso que as grandes festas eram as religiosas – Natal, Páscoa, dia do Padroeiro, santos de devoção. São festas públicas, que envolvem toda a comunidade, enquanto aniversário é uma festa particular por excelência.
É claro que as minhas personagens têm data de nascimento, sabem quantos anos têm e que dia fazem aniversário (“dia dos anos”, como dizia minha avó materna). Somente as personagens dos séculos V e VI (todas de Primeiro a honra e Ágila, de Amor de redenção) se guiam pelas estações, e não pelos meses e anos, então elas não sabem em que dia nasceram. Contam sua idade, mas não têm como comemorar aniversário.
Então, se em casa elas têm almoço especial, se os amigos fazem um brinde, eu não conto. Nem ao menos digo que fizeram aniversário. Já falei sobre isso aqui, quando disse que as personagens não têm signo.
Contrariando tudo isso, Toni e Rosa não apenas têm data de nascimento como comemoram seus aniversários. Minha ideia inicial era de fazê-los nascer no mesmo dia mas, por terem características de temperamento diferentes, depois achei melhor que fossem de dias diferentes, para inclusive terem signos diferentes. Assim, Toni é de Capricórnio, aquele que trabalha para conquistar o conforto que deseja. E Rosa, nascida dez dias depois, já é de Aquário, que vive alimentando sonhos e ilusões utópicos (são as características dos signos que mais refletem o comportamento das personagens). Diante disso, acabei tendo que comemorar também o aniversário de Letícia, que é do signo de Libra, e de Júlia (personagem que ainda vai entrar na história), que é do signo de Virgem.
E, já projetando para o futuro, tenho uma próxima história, de curta duração, ambientada no Rio de Janeiro entre 2010 e 2012, em que as personagens principais também comemoram seus aniversários. Poderia significar uma mudança de atitude, indicando uma nova preocupação com comemorações, mas um outro projeto de história, de longa duração, ambientada num tempo/espaço fantástico, também não terá festa de aniversário. Então novamente essa é uma questão relacionada às necessidades de cada história, e não relacionada a uma mudança de estilo ou comportamento meu.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

DURAÇÃO DAS HISTÓRIAS

Não faz muito tempo, publiquei aqui um levantamento de quanto tempo duram as minhas histórias, e descobri que a grande maioria envolve uma curta passagem de tempo – entre uma semana e até dois anos. Apenas poucas histórias têm duração maior. Fiquei pensando em que significado isso poderia ter, e cruzei também outras tabelas para ajudar na reflexão.

Essas histórias mais longas – O destino pelo vão de uma janela, que dura nove anos; Construir a terra, conquistar a vida, que dura vinte e cinco anos; O canhoto, que dura sete anos; e Rosinha, que dura quinze anos – em geral são histórias que envolvem o amadurecimento do protagonista, o que não acontece da noite para o dia, nem em um curto ano resolvendo problemas, pois amadurecer é tarefa para a vida inteira. Então essas tramas longas têm maior profundidade psicológica, em comparação às tramas curtas (exceto O destino pelo vão de uma janela, pois na época eu ainda não tinha experiência de vida e literatura para dar a devida profundidade a Gustave e Marie).

Cheguei a cogitar a possibilidade de que o alongamento da trama, com a necessidade da busca de amadurecimento por parte das personagens, estivesse relacionado a meu momento atual de vida, em que tenho feito certos balanços e chegado a algumas conclusões em termos de maturidade. Em outras palavras, minhas histórias estariam se tornando longas à medida que amadureço. Mas, na verdade, não é isso o que acontece, pois O destino pelo vão de uma janela é do início da carreira, e entre meus projetos para escrever há uma história que não deve durar nem mesmo um ano. Então a longa duração tem a ver mesmo com a necessidade de cada história e cada personagem, e está mais relacionada com os temas tratados do que com meu momento pessoal. Por outro lado, os outros dois projetos que também estão esperando para serem escritos são histórias de longe duração, assim como a história que estou escrevendo agora (Rosinha) e a última que escrevi (O canhoto). Gosto dessa longa duração, de ter bastante tempo e espaço (páginas) para caracterizar e desenvolver as personagens, acompanhá-las enquanto crescem e amadurecem. É um desafio caracterizá-las na transformação, fazê-las mudar sem que percam sua essência e traços fundamentais de sua personalidade.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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