terça-feira, 21 de maio de 2013

TEXTOS NOVOS, IDEIAS VELHAS


Nos últimos seis anos, tenho tido poucas ideias novas para escrever histórias. O que tenho feito é retrabalhar ideias antigas e escrevê-las (ou não). Alguns textos são sobre ideias que já foram escritas em algum momento (À procura, O canhoto, Não é cor-de-rosa); outros, sobre ideias que ainda não tinham tido um bom desenvolvimento (Rosinha) e que, por isso, ainda não tinham virado texto. Quando a ideia é boa e eu consigo dar corpo e consistência a ela, torna-se um texto bom (O canhotoNão é cor-de-rosa, é cedo para falar de Rosinha) mas, quando falta a consistência, mesmo a ideia sendo boa, o texto não se sustenta (À procura).
É interessante pensar que estou retomando ideias de vinte, vinte e cinco anos atrás para escrever, por falta de ideias novas. Às vezes a impressão que tenho é de que tive um boom criador no início da carreira e esse momento passou. Talvez eu já tenha inventado tudo o que podia; talvez eu tenha tido todas as ideias logo no começo e não tenha me restado mais nenhuma. Fica aquela sensação de “será que minha capacidade para ter ideias acabou? E se eu nunca mais tiver uma ideia nova? Como vou continuar escrevendo se não consigo mais ter ideias para novas histórias?” Às vezes penso em entrar em crise por causa disso, mas há tanta coisa interessante ainda por aproveitar que acho que vou deixar para me desesperar mais pra frente, quando as boas ideias já tidas acabarem, e eu não tiver mais nenhuma boa ideia nova. Isso deve levar ainda uns bons anos afinal, se apenas 10% de todas as 309 ideias que registrei na minha tabela forem boas o bastante para se tornarem texto, e considerando que já escrevi apenas vinte bons textos (sobreviventes), ainda me restam onze ideias para trabalhar, desenvolver e escrever. Como ultimamente tenho levado mais de um ano para escrever cada história, tenho “combustível” para quase vinte anos de trabalho. E a verdade é que não faz diferença se tive a ideia da trama há um mês ou há vinte anos: o “filho” é meu do mesmo jeito.

sábado, 11 de maio de 2013

ROMANCE DE ÉPOCA


Um alerta do Google me levou ao site Ler é o melhor lazer, de minha xará, para ver o texto que ela publicou explicando a diferença entre romance histórico e romance de época. Segundo ela, ambos são escritos no presente, com ambientação no passado, mas um romance é histórico quando há fatos históricos citados no romance; e um romance é de época quando não cita os fatos históricos mas se propõe apenas a reconstruir a realidade e a visão de mundo daquela época.
É claro que fiquei curiosa para classificar meus romances e cheguei a uma conclusão: de todos os meus romances ambientados no passado, são romances históricos Pelo poder ou pela honra, O maior de todos, Construir a terra, conquistar a vida, O canhoto, Rosinha; e são romances de época O destino pelo vão de uma janela, Primeiro a honra, A noiva trocada, Vingança, Não é cor-de-rosa. O capítulo II de Amor de redenção, que acontece no passado, estaria também na classificação de romance histórico.
Interessante perceber o equilíbrio dessa divisão (seis romances históricos; cinco romances de época). Acho que meus romances de época têm uma leveza maior, provavelmente pela falta de compromisso com os eventos registrados pela história. Por outro lado, a presença dos eventos históricos na trama dá maior verdade e dramaticidade a meus romances históricos. Qual eu gosto mais de fazer? Os dois. Adoro a complexidade que a presença dos fatos reais dá aos romances históricos e também adoro o desafio de contextualizar os romances de época sem usar os fatos históricos. Se a trama estiver no passado, a história já me agrada. Não que eu não goste de ambientar romances no presente; mas o passado tem um sabor especial para mim.
Outra coisa que achei interessante foi que, para mim, os dois tipos requerem a mesma qualidade e quantidade de pesquisa e trabalho de contextualização. Usar ou não fatos e personalidades reais não é decisão minha, mas necessidade da trama.
Rosinha não era para ser um romance histórico. Não é como O canhoto, que tem já na sinopse que “Nicolaas participa da Terceira Cruzada”. Mas eu não posso ver uma revolução acontecendo em São Paulo que já ponho o pacato Toni sofrendo seus efeitos. Foi assim na Greve Geral de 1917 e na Revolução Paulista de 1924. Ainda bem que acabo a história em 1928, porque era bem capaz dele se ver forçado a combater na Revolução Constitucionalista de 1932. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

MUDANÇA DE FASE


Estou fazendo a última revisão de Construir a terra, conquistar a vida antes de publicar. Há umas coisinhas a acertar em termos de dinheiro e administração da cidade, mas estou novamente me encantando com a vida desses primeiros habitantes do Rio de Janeiro. Vou também corrigindo alguns erros de digitação que persistiram em passar despercebidos todos esses anos e acrescentando, onde faltou, algumas marcações para indicar quem está falando, quando há muita gente na conversa (família grande é assim: todo mundo participa ao mesmo tempo). Ah, algo sério que terei que revisar é quanto à passagem do tempo: como escrevi com um calendário a meu lado, eu sabia exatamente quando os eventos aconteciam, e não queria enfadar o leitor com a repetição dos anos, cada vez que começavam, então muitas vezes informei apenas “no outro ano”, ou “depois do Natal, chegou um novo ano”, e agora eu mesma fico perdida na leitura, sem saber em que ano aquelas ações estão acontecendo. E se eu, autora, não sei, imagine a situação do leitor! Então ficar perdida, para mim, é sinal de que algo está muito errado e precisa ser consertado. Tenho que resgatar o calendário que eu usei para poder conduzir melhor o leitor pelos vinte e cinco anos de duração da história.
Além de problemas a corrigir, o que estou percebendo nessa leitura é como meu estilo de escrita mudou. A todo momento, fico pensando “se fosse para escrever essa cena hoje, eu faria de outra forma”. Ainda é cedo para caracterizar essa nova fase, mas acho que já posso considerar que O canhoto inaugura minha quinta fase. Desde que comecei a escrever Rosinha já estava com uma sensação de que alguma coisa estava diferente, e esse sentimento se intensificou com a leitura do texto que justamente abre a quarta fase da minha escrita (para quem não se lembra da minha divisão de fases, o texto é este). Como a mudança é recente, e eu só escrevi dois romances (sobreviventes) ainda por cima com características parecidas (os dois são romances históricos de longa duração), vou deixar para pensar em quais são as novas características dessa fase depois de escrever a próxima história, que nem é romance histórico nem é de longa duração. Acho que dessa forma será mais fácil perceber que alterações de estilo se consolidaram.
É bom perceber que se está numa nova fase, pois isso significa um passo adiante no caminho infinito em busca da excelência; significa que alguns problemas anteriores foram resolvidos e que um novo horizonte de aspectos a aperfeiçoar se abre diante de mim. Significa também que não estou estagnada, repetindo padrões cansados e fórmulas já usadas, repisando soluções que já não me acrescentam nada. Não sou o lago parado, mas o rio que flui, que contorna pedras, alta abismos e corre certeiro para seu encontro com o mar.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

SEM ASSUNTO... OU DICAS PARA ESCREVER MELHOR

Chegou o dia de publicar um texto no blog e não tenho nada pré-preparado. Não gosto disso. Gosto de escrever meus textos com calma, revisá-los, relê-los, tirar partes daqui e colocar ali, jogar tudo fora e começar de novo, aproveitar uma ideia daqui e uma dali para fazer uma coisa só, reescrever tudo, trocar palavras e frases inteiras... Enfim, gosto de ter tempo de dar polimento ao texto, para que ele não seja como este que estou escrevendo agora: simples, direto ao ponto, talvez pobre de conteúdo (não sei, ainda não acabei de escrever).

Pois é, como o texto dos 28 anos de carreira estava pronto desde janeiro, eu acabei me descuidando dessa escrita e não adiantei os textos para publicar este mês. Queria muito contar como anda a história de Toni, mas vou preferir falar sobre isso em junho, quando fará dois anos que comecei a escrevê-lo. Talvez até lá o nome de Rosinha esteja mais justificado, por ela ter voltado à história. Só vou saber quando junho chegar.

Eu tinha começado a escrever um texto sobre a idade de minhas personagens, mas percebi que minha apresentação estava incorreta, então tenho que primeiro corrigir as informações para só depois poder tecer comentários e conclusões. As publicações anteriores vinham falando de amor, mas os principais casos já citei: o amor à primeira vista, como em Romeu e Julieta; e o amor desde sempre, como em O morro dos ventos uivantes.

Na falta de outro assunto a tratar de forma organizada, vou deixar aqui uma lista de "dicas para escrever melhor", que fiz pensando nas listas de dicas de autores de sucesso. Me digam se concordam ou discordam, e se devo discorrer mais detalhadamente sobre algum dos itens. Minhas dicas são estas:



segunda-feira, 1 de abril de 2013

TRAJETÓRIA

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, eu fazia um pouco de quase tudo - romances, contos, crônicas, poemas livres. Saía escrevendo sem me preocupar com gêneros, que eram definidos depois: ficou em verso, é poema; ficou curto, é conto; ficou maiorzinho, é romance; ficou curto e tem relação com a realidade, é crônica. Como eu não sabia aplicar as formas características de cada gênero, o critério era assim, bem simplório mesmo. Mas, com o passar dos anos, à medida em que eu ia aprendendo a usar as formas, eu fui abandonando uns gêneros, e outros foram me abandonando. A crônica foi a primeira, porque não levo jeito para falar da realidade. Depois foi a poesia, porque versos livres facilmente se tornam prosa. O último que eu deixei de lado foi o conto, quando eu percebi que não sei usar bem as características formais dele. Também era necessário focar para aperfeiçoar. E assim, me sobrou escrever romances. É claro que não estou proibida de escrever outros gêneros - outro dia mesmo, escrevi O Além em forma de conto - mas meu cérebro vem se programando ao longo dos anos para pensar em forma de romance.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, o texto não era para ser lido, mas apenas um roteiro para que eu soubesse contar a história. Era simplesmente uma narração dos eventos, sem descrições, sem diálogos. Então, às vezes, aconteciam coisas assim: "eles conversaram a noite toda e resolveram se casar"; ou assim : "Sílvia ligou para Charles e eles combinaram de se encontrarem no Shopping. Passearam, foram ao cinema, lancharam e Charles deixou Sílvia em casa" (o verdadeiro não é exatamente assim mas é bem parecido); e a grande pérola é uma cena de Sahara, onde está escrito apenas "cena do balcão ou noite da sacada" para resumir uma das cenas mais importantes de toda a história; nela havia ações e diálogos fundamentais para o desenvolvimento da trama e, depois de 28 anos, obviamente não lembro mais dos detalhes para contar como foi essa cena. Com a experiência, percebi que o texto tinha que "ficar de pé sozinho", e que tinha que funcionar para leitura de outras pessoas, então fui acrescentando descrições e diálogos, além de detalhes à narração. Nunca fui boa para escrever descrições estáticas, além de achar a leitura delas cansativa. Gosto de descrever ação, e contar o que as pessoas estão conversando, então foi o que busquei desenvolver e aperfeiçoar. Além disso, é no encontro e na conversa que as relações humanas acontecem, e são elas que me interessa mostrar. Hoje é difícil alguém pegar um livro meu sem comentar imediatamente "nossa, quantos diálogos!" No começo, essa observação me assustava um pouco, e eu ficava pensando "puxa, será que focar nos diálogos é errado?" mas hoje vejo como um elogio: meu estilo é facilmente identificado. É uma característica que venho desenvolvendo na minha escrita: a capacidade de dar todas as informações necessárias ao leitor durante as conversas das personagens. Meus diálogos vêm ganhando consistência e conteúdo, e se tornam fundamentais para a história. Toda vez que não tenho como montar um diálogo para dar a informação, e preciso dá-la pelo narrador, fico com a impressão de estar sendo didática e maçante. Prefiro ouvir a voz das personagens, em vez do chato do narrador. Dessa forma, não estou mais contando a história daquelas personagens, mas mostrando o que está acontecendo com elas. Fica mais visual. Acho mais eficiente e mais agradável. Penso que meus leitores concordam comigo.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, queria mudar os rumos da literatura nacional e ser imortal  da Academia Brasileira de Letras. O tempo me mostrou que há espaço no mundo para todo tipo de contador de histórias, e todos eles têm sua importância. A experiência me fez reconhecer que há muitos escritores melhores do que eu mudando os rumos da literatura nacional, e que pertencer à ABL não é a única glória do mundo. Hoje quero apenas contar minhas histórias do meu jeito, e encontrar leitores para elas. Gosto de ter feedback, inclusive para ouvir "não gostei" e "queria um final diferente" e o recente "esse deus-ex-machina que você usou ficou muito forçado". É bom saber que as pessoas leem com atenção, se apegam às personagens, e criam expectativas de final.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, tinha medo de que fosse só uma fase, e que as ideias acabassem um dia. Hoje sei que é uma fase, sim, mas uma fase bem longa, que já dura 28 anos, e que ainda vai durar a vida toda.

sexta-feira, 22 de março de 2013

AMOR DESDE SEMPRE

Continuo na linha dos sentimentos que tomam conta de minhas personagens, conforme inspiração do colega literário Renato César.


Diferente do amor à primeira vista, intenso, apaixonado, arrebatador, que muitas personagens minhas conhecem, há um outro tipo de amor, igualmente intenso mas com certas características próprias e que outras personagens minhas experimentam. É um sentimento que começa como uma amizade infantil e que se intensifica na adolescência, quando as personagens decidem que querem ficar juntas para sempre, como marido e mulher. É um amor menos arrebatador e mais tranquilo do que o amor à primeira vista, mas mesmo assim minhas personagens são capazes de enfrentar obstáculos e dificuldades, de fazer loucuras em nome desse sentimento.
A influência principal neste caso é O morro dos ventos uivantes, de Emily Bronté, com a história da amizade infantil entre Heathcliff e Catherine, que se torna amor na adolescência e que inspira tantos outros sentimentos intensos, apaixonados, arrebatadores. Minha relação com essa história começou na infância, com o filme de William Wyler, produzido em 1939 (e é claro que eu assisti a uma reprise), com Laurence Olivier e Merle Oberon nos papéis principais. Encantei-me com o indomável Heathcliff e depois fui buscá-lo no livro, que me lembro de ter lido pelo menos três vezes. A leitura do livro fez o filme perder o encanto mas o interesse pelas personagens e pela história permanece, e faz questão de influenciar minha forma de escrever.
Rosala e Thierry, Estácio e Maria Teresa, Nicolaas e Ester, Toni e Rosa são exemplos desse amor permanente, que mistura amizade e costume de uma forma tão intensa que, para eles, é inconcebível a vida sem seu par. Bem, cada casal desses tem seus desafios, e seria antecipar o fim da história contar o que eles precisam enfrentar para conseguir enfim ficar juntos – ou não.

segunda-feira, 11 de março de 2013

AMOR À PRIMEIRA VISTA


Novamente foi uma pergunta do colega literário Renato César o ponto de partida para eu escrever este texto. Lendo meus livros, ele percebeu que é comum que as personagens se apaixonem ao primeiro olhar – o amor à primeira vista. É realmente bastante comum nas minhas histórias e recentemente – e por acaso – eu descobri ou me lembrei por que: em algum momento da minha infância ou adolescência, provavelmente antes de começar a escrever, e numa época de construção de imaginário, eu assisti à reprise do filme Romeu eJulieta (1968), de Franco Zeffirelli. Há alguns dias, revendo algumas cenas marcantes do filme, eu percebi quanto dele se encontra espalhado por todos os meus livros, especialmente em O destino pelo vão de uma janela. Então, essa ideia do amor à primeira vista intenso, avassalador e que leva as pessoas a desatinos ficou impregnada no meu inconsciente e no meu imaginário, e explode nas minhas histórias sempre que pode. Quero rever o filme todo novamente, para ver se é dele também que vem uma outra característica minha, apontada por meus leitores e tão bem observada pelo Acadêmico Antônio Olinto que, ao folear Construir a terra, conquistar a vida, me disse “tem muitos diálogos”, para em seguida completar: “o grande mestre dos diálogos é Shakespeare”. Então, se Romeu e Julieta me marcou tanto, talvez também seja influência de Shakespeare minha predileção por contar a história em diálogos.
É uma honra descobrir que todos esses anos venho seguindo, ainda que inconscientemente, tão valoroso mestre. Espero agora, com a consciência do fato, aprender ainda mais com ele e me aperfeiçoar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

OUTRO ANIVERSÁRIO


Hoje é o dia em que comemoramos o aniversário da fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que completa 448 anos de ocupação portuguesa permanente. A história dos primeiros anos de vida da cidade é marcada por heroísmo e persistência de um grupo de bravos que teimaram em manter o lugar sob o domínio do rei português. Adversidades não faltaram, fosse a presença dos franceses, os ataques dos índios tamoios, o terreno formado por lagoas e charcos, a falta de gente para povoar, os poucos recursos disponíveis para trabalhar a terra e fazê-la produzir. Eles passaram por cima das dificuldades e construíram uma cidade que se tornou uma das mais bonitas e importantes do Brasil, conhecida no mundo todo, embora ainda haja muitos problemas a resolver – hoje, problemas de outras ordens.
E foi nessa data tão marcante para a história da cidade que eu escolhi acabar a história Construir a terra, conquistar a vida. Ela podia ter acabado em qualquer dia, mas eu quis que o último evento da história coincidisse com o aniversário da cidade, um dia de festa e alegria. Então, enquanto todos comemoram os 448 anos da cidade do Rio de Janeiro, eu me lembro de que faz 421 anos que aconteceu o último evento da história (que é claro que eu não vou contar).
Estou fazendo a última revisão do texto, que tem 844 páginas digitadas em tamanho A4 (ainda estou chegando na metade). É muito interessante rever um texto que eu acabei de escrever a dez anos atrás (como contei aqui), e que faz tempo que não leio inteiro assim. Fico pensando “fosse hoje, escreveria diferente”. Mas é bom ver as personagens agindo, os eventos históricos acontecendo, os problemas surgindo e sendo resolvidos. Nos 25 anos em que se desenrola a história (de 1567 a 1592), tanta coisa acontece na vida da cidade e na vida das personagens... e é bom o sentimento de que personagens minhas estão no grupo dos bravos portugueses que fizeram os primeiros dias da cidade. Duarte lutou ao lado de Estácio de Sá e depois ele e Fernão lutaram ao lado de Salvador de Sá. E, além de defenderem a cidade, também a povoaram com seus filhos e netos. Construíram a terra e tiveram portanto direito de conquistarem uma vida melhor para si e para seus descendentes.
Salve Primeiro de Março, início e fim para muitas histórias, tanto reais como fictícias.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

AMBIENTES


Um colega do fórum Escreva Seu Livro que está lendo todos os meus livros chamou minha atenção para os ambientes às vezes restritos onde ponho minhas personagens para interagir. É uma observação curiosa, pois uma das características do gênero romance é a pluralidade de ambientes.
No meu texto comemorativo de 26 anos de carreira, contei como é possível dividir minha trajetória em quatro fases, e as características de cada uma. Um dos diferenciais para essa divisão é justamente o trabalho da ambientação. As duas histórias da primeira fase – O destino pelo vão de uma janela e O processo de Ser – realmente acontecem num ambiente bastante restrito: a residência da personagem e seus arredores, sendo que as cenas que acontecem na residência predominam. O mesmo se pode dizer das histórias da segunda fase – Pelo poder ou pela honra, O aro de ouro, Nem tudo que brilha... Nesses casos, o ambiente é como uma personagem figurante, pouco detalhada e pouco importante.
Quando chega a terceira fase – O maior de todos e Primeiro a honra – o ambiente começa a se expandir, os “arredores” tornam-se importantes e o espaço passa a ser trabalhado com mais detalhamento. Em O maior de todos, o castelo e a vila são macro-ambientes com pequeninas sub-divisões: os cômodos no castelo; a casa e as ruas na vila. Primeiro a honra tem três grandes focos: Orléans, Paris, Soissons, que marcam momentos importantes na história. Só Paris tem sub-divisões: a casa e a floresta. É o ambiente se tornando personagem secundária.
A quarta fase é curiosa pois, ao mesmo tempo que começa com Construir a terra, conquistar a vida, em que a cidade e seus eventos são personagens importantes também, tem A noiva trocada e Vingança com ambientes restritos. Não é sem motivo: essas duas histórias seguem uma estrutura que as aproxima do conto, gênero que tem por característica os ambientes restritos. Amor de redenção acontece na Espanha e no Brasil e, mesmo quando para no Rio de Janeiro, há pelo menos dois ambientes bastante importantes, sem contar os “arredores”. Não é cor-de-rosa é um pouco restrita também, embora haja o mundo de Caty e o mundo de Alex, a fábrica, a casa, o trem, a praça. O canhoto é desvario, nesse quesito de ambiente. Quase fico cansada só de pensar em por quantos lugares Nicolaas passou pois ele saiu de Bruges para a Terra Santa, tendo morado ainda em Antwerpen, Aachen e Gênova. Rosinha é difícil de analisar, porque ainda estou escrevendo mas há dois macro-ambientes – São Carlos e São Paulo – cada um com seus ambientes menores, bastante trabalhados, pois Toni é do tipo que vai do Tatuapé a Perdizes andando sem nem ao menos se cansar, então os muitos lugares de São Paulo são bastante presentes. A fazenda vai aparecer em detalhes na fase 3, em que Toni transitará pela casa dos pais, pela Casa Grande, pelo cafezal, além dos passeios com Rosa. Alcancei a pluralidade de ambientes que pede o romance.
Penso que venho desenvolvendo minha habilidade em explorar os recursos cênicos dos ambientes por onde andam minhas personagens. É um caminho longo e ainda incompleto. Mas estou aprendendo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

RELATÓRIO DE PROGRESSO - 20 MESES

A Revolução Paulista acabou, e daqui a dois meses a Fase 2 da história vai acabar também. Sim, eu tinha dito que a Fase 2 ia até 1927 mas a verdade é que acaba quando Letícia se afasta de Toni, e isso vai acontecer daqui a dois meses, ainda em 1924. Já passei a página 300 faz tempo, e estou na página 335. Estou com medo de prever até onde vai em número de páginas, porque a Fase 3 vem aí com a corda toda, e os últimos oito meses da história prometem muita ação. Ah, inventei mais uma mulher na vida de Toni. Ainda não sei o nome, mas já sei como eles vão se conhecer. Mais uma amiga para testar o amor e a fidelidade de Toni a Rosa. Pobre Toni...

A programação deste ano é dar uma pausa na escrita para terminar a revisão e preparar os arquivos para publicação de Construir a terra, conquistar a vida mas estou tão entusiasmada escrevendo que fica difícil deixar Toni de lado para cuidar de Duarte. Tenho que encontrar um espaço na minha agenda diária para cuidar dos dois. A publicação de Construir a terra, conquistar a vida será especial, pois são três tomos, num total de mais de 1200 páginas. Haja fôlego para produzir!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

FASES


Interessante analisar comparativamente a estrutura das histórias, procurando se há um padrão – se eu sigo uma fórmula pessoal. É verdade que não costume me prender a dogmas, dicas, fórmulas, quando estou inventando, mas isso não quer dizer que não os esteja usando, mesmo que inconscientemente. Tive um professor na faculdade de Educação Artística que costumava dizer algo como “inconscientemente não é ignorantemente”, para dizer que, mesmo que o artista não faça escolhas conscientes, mesmo que não saiba explicar suas escolhas, ele sabe muito bem que está escolhendo o que é mais apropriado para sua obra. Então resolvi fazer mais uma tabela, para verificar quantas fases distintas cada história tem, e onde está o clímax de cada uma delas. Descobri que posso dividir a grande maioria em três fases (7 histórias) e que, nessas, o clímax está na terceira fase. Em outras 5 histórias, há duas fases, com o clímax na segunda fase e apenas duas histórias não consegui dividir em fases, pois a ação segue num continuum sem interrupção.

Não estou chamando de “fases” as divisões estruturais necessárias a um romance: apresentação, desenvolvimento, clímax, conclusão. Estou dividindo apenas o desenvolvimento. A apresentação necessariamente faz parte da primeira fase e o clímax com a conclusão estão na última, seja ela a segunda ou a terceira, ou a mesma primeira com que a história começou. O que marca essa divisão em fases são pontos de virada determinantes, que fazem a história dar uma guinada e mudar de rumo. Não são pontos de virada de comprometimento da personagem principal com seu objetivo, mas justamente quando a personagem muda de planos.

Vamos exemplificar:
1)     a história de Toni:
Fase 1 – fazenda, apresentação das personagens, apresentação dos objetivos, Toni vai para São Paulo, trabalha e ganha dinheiro, dificuldades (Fase “Toni”).
Fase 2 – Letícia chega com dinheiro e uma proposta, Letícia influencia a vida de Toni, Letícia se afasta de Toni (Fase “Letícia”).
Fase 3 – Toni tenta se manter e organizar a vida, Toni volta à fazenda. As coisas não acontecem como ele esperava, e ele precisa redescobrir sua própria identidade e objetivos. Clímax e conclusão. (Fase “Rosa”).

2)     O canhoto:
Fase 1 –  apresentação das personagens, apresentação do problema, Ten Duinen, Maurits, casa do pai (Fase “Bruges”).
Fase 2 – Aachen, Antwerpen, Gênova, conhece Miguel, Cruzada (Fase “Exílio”).
Fase 3 – volta a Bruges. As coisas estão diferentes do que ele esperava e ele precisa organizar novamente sua vida. Clímax e conclusão (Fase “Bruges”).

Em seis histórias de três fases, a estrutura é mais ou menos como essas que apresentei: a personagem de alguma forma volta a suas origens na terceira fase, mas tudo está diferente: o ambiente, as pessoas, e ela mesma, que amadureceu durante os eventos da primeira e da segunda fases. São assim O destino pelo vão de uma janela, O maior de todos, Primeiro a honra, Não é cor-de-rosa, e as já citadas O canhoto e Rosinha. Apenas uma história com três fases é diferente, a ponto de, num primeiro momento, eu ter considerado que havia apenas uma fase: Construir a terra, conquistar a vida. Mas há marcadamente três momentos na história. Um primeiro, em que Duarte e Fernão lutam para se estabelecerem na terra nova. Na segunda fase, já de alguma forma estabelecidos, é preciso manter o que foi conquistado, e preparar a próxima geração para não ter que enfrentar os mesmos problemas. Depois, na terceira fase, é hora dos filhos também decidirem seus rumos, e conquistarem suas vidas. Na terceira fase também ficam o clímax e a conclusão.

Nas histórias com duas fases, o que acontece é um contraponto, uma espécie de duelo entre duas personagens, dois temas, duas questões. Na primeira fase, prevalece um deles e, no segundo, prevalece o segundo, encaminhando para a conclusão. Um exemplo é A noiva trocada, em que Inês prevalece na primeira fase e, troca desfeita, a segunda fase pertence a Assunción. Também têm duas fases Pelo poder ou pela honra, O aro de ouro, Nem tudo que brilha... e Amor de redenção. Em todas essas, há apenas um ponto de corte, de mudança de rumo na história.

E não consegui dividir em partes O processo de Ser nem Vingança. São histórias curtas, lineares, sem contrapontos, sem pontos de virada dramáticos. É um fluxo apenas, um encadeamento que vai somente numa direção, da apresentação ao clímax e à conclusão.

As mais intensas são provavelmente as histórias com três fases, inclusive porque nelas o protagonista volta ao ponto inicial modificado por sua jornada e percebe que não existe retorno, mas somente uma caminhada sempre em frente, sempre construindo coisas novas, mesmo que aparentemente sobre o que já foi um dia. Assim também é a nossa vida: sempre em frente. A repetição da rotina é apenas uma abstração da nossa mente controladora, e não existe na realidade. Cada dia é um novo dia.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

NOTÍCIAS DA REVOLUÇÃO PAULISTA


Passei a página 300 da história de Toni no dia 8 de janeiro. Já não acho prudente fazer previsão de número de páginas total, porque ainda estou no meio da Revolta Paulista, que acontece ainda na segunda fase, e é só na terceira fase que a história vai começar de fato. Dará umas 500 páginas?

É claro que envolvi Toni na Revolução Paulista. Na última cena que escrevi, ele estava andando pela cidade inteira, com seu emprego ameaçado, porque uma bomba quase destruiu a fábrica que lhe dá o sustento. E é claro que, se ele está na rua, vai ver as tropas e os aviões, ouvir os tiros e as bombas. Ainda não decidi se vou deixá-lo escapar ileso... afinal, um tiro de raspão não mata ninguém...

Tenho pensado muito em que título dar a essa história. Me incomoda o nome dela ser Rosinha quando Toni é o protagonista. Acho que só terei mais clareza do que caracteriza essa história, a ponto de virar título, quando eu chegar à terceira fase, que é quando Rosa reaparece. De certa forma, ela é a chave de tudo, e quem vai dar sentido a tudo o que Toni passou e construiu. Só quando eu estiver realmente e completamente envolvida com a Rosinha é que o título vai brotar da história para mim. Enquanto isso, continuo pensando, mas já sabendo que não vou encontrar nada que sirva.

Vou ter que fazer uma pausa na escrita, assim que passar a Revolução, para acabar a revisão de Construir a terra, conquistar a vida, que será publicada este ano. Serão três ou quatro tomos, então tenho muito trabalho pela frente. Este início de ano está animado. Espero que continue assim.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

FIM DO MUNDO? NÃO, 2013


O mundo, afinal, não acabou e nós chegamos a 2013. 2012 foi um ano marcante na minha vida, pois minha rotina foi quebrada várias vezes, o que me obrigou a reorganizar minha vida todas as vezes. Se formos pensar em “fim” como uma mudança ou transição, então enfrentei alguns “fins de mundo” durante o ano: mudanças no local de trabalho; mudanças no horário escolar da minha filha (o que virou minha rotina simplesmente de cabeça pra baixo); mudanças de atividades pessoais diárias. E não foi tudo de uma vez. Quando eu estava me adaptando a uma mudança, acontecia outra, de forma que eu só consegui me adaptar a todas as novidades da nova rotina em novembro – aí minha filha logo entrou de férias e mudou tudo de novo: mais um “fim de mundo” ao qual me adaptar. Por causa dessa confusão toda, acabei não conseguindo levar adiante alguns projetos literários previstos para 2012, como a ideia de fazer leitura crítica ou coaching literário.

Por outro lado, meu romance caminhou bem. Não sei exatamente onde eu estava em 1/1/2012 (por volta da página 80, como citei em 11/1/2012?) mas a página 100 foi escrita em 18 e 19/3/2012 e, em 1/1/2013, acabarei de escrever a página 294, o que significa que, em 2012, eu escrevi mais de 194 páginas. Também consegui publicar A noiva trocada, embora sem um lançamento real. Talvez eu faça alguma coisa logo depois do Carnaval; vamos ver.

Encerrei minha participação em algumas comunidades e grupos, para focar nos que eu considero mais interessantes e produtivos, onde é realmente possível trocar idéias e aprender, além de conversar e fazer amigos.

Meus projetos para 2013 são ambiciosos:
1)     Publicar e lançar Construira terra, conquistar a vidaem três ou quatro tomos, conforme o orçamento que a gráfica me passar;
2)     Talvez acabar de escrever meu livro (que, afinal, não terá muito mais do que 500 páginas);
3)     Prosseguir na ideia da leitura crítica, que nem é nova;
4)     Participar das discussões nos grupos virtuais;
5)     Visitar os blogs dos amigos.

Considerando que o ano tem só 365 dias, acho que basta, né?

Então, Feliz 2013 pra todos nós!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1924

Chegou a hora de envolver minhas personagens num dos episódios mais violentos da história da cidade de São Paulo, se não o mais violento de todos: o capítulo paulista do Movimento Tenentista, marcado com os "Dezoito do Forte", no Rio de Janeiro, em 1922, e que continuou depois como Coluna Prestes, percorrendo o Brasil durante muitos anos. Em São Paulo, a rebelião durou 23 dias, e os revoltosos conseguiram efetivamente conquistar a cidade, dominando o Palácio do Governo, os quartéis do Exército e da Polícia Militar, e obrigando o governador a refugiar-se fora da cidade, de onde ele comandou os bombardeios para retomar o poder. Esses bombardeios foram classificados como "terrificantes", um dos crimes de guerra definidos pela Convenção de Haia em 1917, pois as bombas e granadas eram jogadas sem objetivo certo, "a esmo", atingindo casas, lojas, fábricas e matando população civil. As baixas militares foram muito pequenas, enquanto mais de 500 pessoas morreram e mais de cinco mil ficaram feridas - isso em números oficiais, que deixaram de ser computados depois que a legalidade venceu a revolta.

É claro que Toni vai ver de perto o avanço das tropas - tanto revoltosas como governistas; é claro que ele vai passar noites acordado, temendo que alguma granada caia em sua cabeça. É claro que a pensão de Dona Luizinha, que fica no Brás, um dos bairros mais afetados pelos bombardeios, vai sofrer alguma coisa, com seus moradores - nessas horas, é muito bom ter um grupo de personagens secundários tão disponíveis, para participarem ativamente de todos os eventos (mas, desta vez, ainda não matei nenhum deles).

Pesquisando daqui e dali, encontrei o site do Arquivo de São Paulo que trata desse assunto. Traz informações e fotos mas o material mais rico, para meus propósitos, é uma sessão de fontes selecionadas, em que estão listadas as manchetes dos jornais da época. Ora, uma coisa é um texto que diz: "A cidade foi bombardeada durante vários dias". Certo, quais dias? Toni não pode passar 23 dias com medo das bombas se, na verdade, o bombardeio só começou no décimo dia, por exemplo. Outra coisa é a manchete do jornal de 12/7 dizer: "Efeitos do bombardeio de hontem(sic)". Ah, isto é informação para o que eu preciso! Agora eu sei que houve bombardeio no dia 11/7. Como vários jornais noticiaram o conflito, cada um com seu ponto de vista, fiz uma tabela comparativa, para não perder nenhum detalhe de informação para cada dia. Depois encontrei um texto de Sérgio Rubens de Araújo Torres, também bastante descritivo do dia-a-dia do conflito, que me deu informações valiosas sobre estratégias, contratempos, teor de panfletos e atitudes individuais das pessoas envolvidas. Meu trabalho agora é contar tudo de maneira informal, em cenas e diálogos. Em vez do narrador dizer: "a população abandonou a cidade", Dona Luizinha, muito nervosa, vai dizer: "eu não fico mais aqui. Vou embora, pra casa da minha irmã em Campinas, Todo mundo está indo embora e eu não vou ficar aqui esperando a casa cair na minha cabeça". Pronto: informei que a população abandonou a cidade; que a maioria das pessoas foi para a região de Campinas; que as pessoas temiam ter suas casas destruídas pelas bombas. Tudo em apenas uma fala de personagem, sem a interferência do narrador.

A Revolução Paulista é um dos últimos eventos da segunda fase da minha história. Estou quase entrando na terceira fase, já com sentimento de que agora é que a história vai começar de fato. Então, se ainda vai começar, a hora de acabar está muito longe...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

RELATÓRIO DE PROGRESSO – 18 MESES


Pois é, dia 1/12 fez 18 meses que comecei a escrever a história de Toni – ou Rosinha, seu nome oficial, enquanto não encontro um título adequado. Em um ano e meio escrevi 276 páginas, o que dá uma média de 0,506 página por dia, que é mesmo o meu padrão.

Ainda estou na segunda fase, o que significa que Letícia ainda não saiu da história. A primeira fase ficou com 125 páginas e essa segunda fase já está com 151 páginas. Estou no ano de 1923 e a segunda fase só acaba em 1927. Ou seja, tenho um longo caminho ainda a percorrer, sob a influência de Letícia, personagem que tornou essa história possível (como contei aqui). Júlia acaba de entrar na história: mais uma personagem a desenvolver, pois ela também tem papel importante. Enquanto isso, Toni luta para alcançar seu objetivo, que é ter um bom emprego, com bom salário, para poder se casar com Rosa. Letícia veio para ajudar, ao mesmo tempo em que atrapalha (personagem fascinante, essa menina!)

Enfim, a história está rendendo e se desenvolvendo bem, dentro do que eu tinha mesmo planejado. As mudanças impostas pela personalidade das personagens não me obrigaram a mudar nenhum rumo, e só estão enriquecendo a trama, em detalhes e profundidade. A experiência de escrever essa história está sendo enriquecedora e fascinante, e é uma alegria poder acompanhar Toni, Rosa e Letícia em sua jornada de vida (ops! Formou-se um triângulo? Problemas à vista?)

sábado, 1 de dezembro de 2012

LANÇAMENTO DE "A NOIVA TROCADA"

Finalmente o lançamento deste ano! Para não correr o risco de novamente escolher o dia mais frio do ano para lançar meu livro (como aconteceu ano passado com Primeiro a honra), esperei o inverno passar mas, quando me dei conta, já era outubro, e eu nem tinha mandado os arquivos para a gráfica. Entrar em fila de impressão no final do ano é complicado, mas a Letras e Versos foi ótima e, mesmo tendo sido necessário fazer correções após a boneca, os livros me foram entregues esta semana. Só que agora não dá mais tempo de organizar e divulgar um evento de verdade, e tenho outros planos para o ano que vem (lançar pelo menos o primeiro tomo de Construir a terra, conquistar a vida). Então o jeito foi fazer mesmo este "evento virtual" para declarar que está lançado o livro A noiva trocada.

Este livro é um romance singelo, em que a trama acontece a partir de um acidente, que dá origem a um mal entendido (a "troca" das noivas). O pobre noivo precisa, então, decidir o que fazer para resolver a questão atendendo ao compromisso assumido pelo pai em seu nome, e a seus próprios sentimentos e desejos de vida.

Então, sem mais demora, a sinopse de A noiva trocada e a página do blog-livraria onde ele está.

Boa leitura! e depois me contem o que acharam.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

NÃO É COR-DE-ROSA


Finalmente cheguei a um título para a história que eu vinha chamando de Fábrica. Será: Não é cor-de-rosa. Levei uns bons anos e um bocado de massa cinzenta para chegar a essa conclusão (acabei de escrevê-la em 2006). Todo esse tempo, a questão da necessidade de um título ficou trabalhando na minha mente em segundo plano – é como eu chamo quando fico pensando sem prestar atenção conscientemente. Embora outras soluções tenham surgido nesse meio tempo, nenhuma me agradou. Mesmo esse título escolhido já está andando pela minha cabeça faz algum tempo mas só agora resolvi oficializar a decisão. Aos poucos, vou mudando o termo nos textos em que ele já apareceu.

Aparentemente, Fábrica e Não é cor-de-rosa podem não ter muita relação entre si e, se Fábrica se relaciona ao texto desde a primeira cena – operários saindo da fábrica após o dia de trabalho – Não é cor-de-rosa se relaciona ao primeiro encontro entre Alex e Caty, quando ele diz que a vida real não é como ela pensa ser. Depois, essa questão da cor vai acompanhando o desenrolar da história, para concluir que, se não é cor-de-rosa, então...

domingo, 11 de novembro de 2012

PROTAGONISTAS, ANTAGONISTAS E SEUS OBJETIVOS


Desde que inverti a relação entre Curt e Karl, venho pensando muito na questão dos objetivos de vida das personagens, e o que seria lícito para um protagonista. “Tomar o poder” é objetivo para um protagonista? Ou isso necessariamente se torna “impedir que alguém tenha poder”, jogando essa personagem para o papel de antagonista e elevando o “alguém” ao papel de protagonista? Essa questão acaba se desdobrando em “o mocinho pode ser o vilão da história?” E se, no final, o Bem vencer? Minha personagem principal será punida. De repente minha falta de finais felizes começa a fazer sentido: como meus protagonistas são na verdade antagonistas, e o Bem vence no final (minha formação ética não me deixa fazer diferente), minhas personagens acabam não tenho o final feliz que gostariam.
Sempre que a questão do poder – em geral apresentada como poder político – se apresenta, minha tendência é ficar do lado do contestador, do subversivo, do transgressor, e elevá-lo ao posto de personagem principal e ponto de vista da história. É esse transgressor que carrega toda a história, que conduz a trama, para, no final, entregar tudo àquele que tentou prejudicar – uma personagem frágil que só mostra sua força no final, justamente para subverter a classificação dos papéis e terminar como o protagonista que vence o antagonista.

É revoltante entregar o protagonismo a Karl e Estienne, por exemplo, quando o trabalho pesado de conduzir a trama foi de Curt e Ninette, lutando contra todo tipo de adversidade, lutando contra os inimigos de Karl e Estienne. E, de repente, só porque o poder pertence legalmente a Karl e Estienne, Curt e Ninette acabam sendo proscritos, e ocupando o lugar de antagonistas.

Preciso estudar melhor essa classificação de papéis para definir se meus “malvados” podem ser protagonistas, mesmo que objetivos que se opõem aos objetivos das personagens “boazinhas”.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O PROTAGONISTA SEMPRE VENCE O ANTAGONISTA?


É hábito da literatura expor o protagonista a todo tipo de dificuldade pelo meio do caminho e fazê-lo superar tudo antes do fim da história. Então, seja o antagonista outra personagem ou alguma circunstância da vida, o protagonista sempre o vence no final. Em algumas histórias, esses papéis são facilmente identificados e o leitor consegue acompanhar o desenvolvimento dessa temática sem dificuldade. Costumo pensar que, nas minhas histórias, a classificação protagonista / antagonista não é óbvia, o que dificultaria perceber se o protagonista sempre vence o antagonista no final. Na verdade, a questão é um pouco anterior: eu me apego aos antagonistas e acabo vendo-os como personagens principais e, portanto, protagonistas. Eles não se opõem aos protagonistas por loucura ou falta de caráter (tudo bem, há exceções) mas por circunstâncias da vida. Eles têm um motivo para estarem nessa posição e, em geral, é um motivo justo, então eu os perdoo. Muitas vezes, o antagonista é a personagem principal da história, enquanto o protagonista age e carrega a trama dos bastidores. Então, antes de eu poder dizer se, nas minhas histórias, o protagonista sempre vence o antagonista, é necessário definir exatamente qual é o objetivo de vida de cada personagem importante, durante a história, para ver se o objetivo de um se opõe ao objetivo do outro, para poder definir se um deles é antagonista, e finalmente analisar se, ao final, o objetivo de um se sobrepôs ao objetivo do outro e em que sentido (objetivo do protagonista se sobrepôs ao do antagonista // objetivo do antagonista se sobrepôs ao do protagonista). Mudança nos objetivos também significa derrota: ao ver que não conseguiria, o antagonista achou melhor fazer outra coisa.

Estou considerando que o protagonista é a personagem que, além de carregar a trama, tem pelo menos um objetivo a perseguir e que o antagonista, que também pode ser quem carrega a trama, tem por objetivo impedir, prejudicar ou atrapalhar o protagonista em seu objetivo.

Acho que especificar aqui o que acontece nas minhas histórias meio que tiraria a graça da leitura (eu estaria contando o final da história). Então vou deixar essa análise para meus leitores fazerem.

domingo, 21 de outubro de 2012

PREOCUPAÇÕES “PÓSTUMAS”


Tenho estado preocupada com o futuro de Toni. Não com os eventos que eu vou contar, mas justamente com o que vai acontecer a ele depois que eu acabar a história. É muito fácil para mim dizer que a história acaba em 1928, colocar ponto final e partir para inventar outra coisa. A história acaba, mas não a vida dele. Será que a Grande Depressão, de 1929, vai atingi-lo de alguma forma? Será que ele vai perder dinheiro? Será que vai perder o emprego? Onde estará ele durante a Revolução Constitucionalista de 1932? Será que ele se sentirá impelido a participar de alguma forma? Será afetado, mesmo se ficar de fora (como aconteceu durante a Greve Geral de 1917)? Como serão seus filhos? Seus netos? Como será que ele vai ficar quando velho?
São dúvidas assim que povoam a minha mente. Mas Toni não é o primeiro, e provavelmente não será o último. O futuro das minhas personagens depois que a história acaba é sempre uma preocupação à parte, porque foge ao meu controle. Eu sei tudo o que vai acontecer com a personagem durante o período da história mas, em geral, não invento o que vai acontecer fora desse período. Às vezes sei algumas coisas – por exemplo, que a personagem não vai viver muito tempo mais; ou que os problemas que ela pensa que resolveu voltarão a atormentar; ou que o cônjuge querido não é perfeito como se desejava e há conflitos sérios à vista. Mas não fico detalhando esse tipo de evento, pois não vou contá-los a ninguém, então às vezes tenho certas angústias por não ter certeza do que vai acontecer a eles, nem quando, nem como.
Já aconteceu de eu pensar em fazer uma continuação da história, uma seqüência, num volume ou título separado – foi com Romance em prosa do Cavaleiro de Nova Gália, quando eu contaria como o bravo Haliwain se casou com a bela Adriane, como tiveram filhos, como a vida se tornou rotina e como, por fim, sendo protótipo de cavaleiro do ciclo arturiano, ele morreu bravamente em combate e, homenageando Tristão e Isolda, Adriane morreu de tristeza junto com ele. Quando tudo isso estava delineado e eu tinha a sequência de eventos, desisti: tanto esforço para escrever um livro só para contar que meu heroi paladino é humano e morre? Achei que não seria justo para com ele e não levei a ideia adiante.
Outras duas vezes, eu consegui soluções diferentes: 1) em Amor de redenção mesmo sem detalhar, eu contei os eventos futuros mais relevantes – tanto que a história vai até 2047; 2) Construir a terra, conquistar a vida tem uma estrutura engraçada: os dois primeiros anos têm um ritmo, e depois de contá-los eu já poderia colocar ponto final e acabar ali a história. Mas ainda tinha tanto a contar, faltava nascer crianças, faltava decidir a vida de Fernão... então continuei, detalhando os eventos seguintes, escrevendo e contando: como nascem os filhos, como a vida se torna rotina, como a rotina muitas vezes é quebrada, como os filhos crescem, e se casam, e vêm os netos... Quando enfim pus o ponto final, o destino de todos já estava definido e, de certa forma, contado, então não havia nenhum resíduo a me angustiar.
Mas essas três histórias são exceção, e tiveram tratamento diferenciado. A regra mesmo é eu ficar me preocupando (inutilmente) com o futuro das minhas personagens, mesmo sabendo que, salvo raras exceções, a essa altura todos os problemas delas estão resolvidos, afinal estão mesmo todas mortas.

Receba os textos no seu e-mail

Outros textos interessantes

Um pouco sobre mim

Minha foto
Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

Quer falar comigo? É aqui mesmo.

Nome

E-mail *

Mensagem *

Amigos leitores (e escritores)