terça-feira, 1 de abril de 2014

QUASE 30

Eu tinha planejado publicar hoje um texto falando sobre como foi que eu cheguei à dedicação ao romance histórico. Escrevi duas páginas inteiras para ao final concluir que eu não "cheguei" ao romance histórico. Não é o único tipo de romance que eu escrevo, nem o que eu mais escrevo. Nunca foi e não acredito que venha a ser, porque não estou fechada a outros tipos de romance, nem mesmo a outros gêneros. A qualquer momento posso escrever uma história ambientada na atualidade (como meus dois projetos a escrever assim que eu acabar De mãos dadasAmnésia e a História de Rodrigo), posso escrever um conto (como O Além, escrito em 2010) e - quem sabe? - até um poema. Não posso nem mesmo dizer que o romance histórico é o que eu gosto mais de escrever porque, se assim fosse, eu não escreveria outras coisas - digamos que sou mesmo hedonista quando o assunto é literatura. O que acontece é que meus últimos romances escritos e publicados por acaso são históricos, então eles ficam mais presentes na memória.

Depois de toda essa reflexão, decidi comemorar meus 29 anos de carreira com este texto curto, sem históricos longos, sem estatísticas. Quanto mais o tempo passa, mais prazerosamente se torna o escrever, então feliz aniversário para mim!

sexta-feira, 21 de março de 2014

800 PÁGINAS

Por estar lendo Construir a terra, conquistar a vida e escrevendo De mãos dadas, as duas com mais de 500 páginas, percebi como é mais fácil escrever muito quando as personagens secundárias ajudam a carregar a trama – que é o que acontece em Construir a terra, conquistar a vida, em que Fernão, Ayraci, Inês e os filhos têm seu momento de protagonismo. Duarte integra e harmoniza, mas divide o fardo de carregar a história com o resto da família.
Já a situação em De mãos dadas é diferente: Toni carrega sozinho a história. Ele não apenas resolve sozinho seus problemas como ainda participa ativamente da solução dos problemas das personagens secundárias. Numa atitude “fominha”, ele não abre brecha para mais ninguém ser protagonista, nem mesmo temporariamente. É bem mais difícil de construir e levar uma história de longa duração assim. Acho que não conseguiria passar 25 anos com Toni, como passei 25 anos com Duarte e Fernão.
Em De mãos dadas, as tramas secundárias são convergentes, e caem todas nas costas do pobre Toni. Em Construir a terra, conquistar a vida, as tramas secundárias são divergentes e são resolvidas próximo a Duarte e com apoio dele, mas cada personagem secundária resolve seu próprio problema. E o interessante é que fazer isto ou aquilo não foi escolha intencional, mas conseqüência do caminho trilhado. Eu não decidi de antemão, simplesmente aconteceu.
Olhando também para as outras histórias, percebi que minha tendência é ter protagonistas centralizadores e tramas convergentes. Quem sabe, na próxima história de longa duração (sete anos ou mais na vida das personagens), eu não experimento de novo fazer tramas secundárias divergentes, e ter um protagonista que cede temporariamente seu espaço às personagens secundárias – mas desta vez, com tudo planejado e intencional. Seria um desafio interessante.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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