sexta-feira, 11 de julho de 2014

UNIVERSAL NO NACIONAL

Ultimamente tenho pensado como os artistas, escritores e intelectuais Modernistas (Brasil, início do século XX): para sermos universais, precisamos primeiro ser nacionais. Por muito tempo, achei que era bobagem focar nas nossas características nacionais – e, levando ao extremo, características regionais e até locais. Mas hoje entendo que existe uma parcela de universal inclusive no local, e as características locais são as que estão mais próximas de nós, é com quem temos maior intimidade, é o que sabemos com mais profundidade, o assunto mais fácil de lidar e desenvolver. Eu descobri que quanto mais se trabalha o pormenor, os detalhes, mais o aspecto geral aflora. Então, se focamos e damos atenção ao local ou ao regional ou ao nacional, mais as características do universal se destacam.

Então, colegas escritores, não tenham medo de escrever sobre seu país, sua região, sua cidade, seu bairro. Há neles um dado universal que despontará se as características locais forem exploradas ao máximo. Porque os problemas humanos são comuns a todos, independente de nacionalidade e de época. Então, minha realidade é apenas um caso especial da existência humana. Falar do que eu conheço melhor (a minha realidade) é a ferramenta mais eficiente para abordar as questões de toda a humanidade. E é assim que, quando um artista ou escritor foca sua produção em sua realidade mais próxima e pessoal, ele consegue mostrar o que há de universal em cada um de nós. Falar de um é falar de todos.

domingo, 1 de junho de 2014

CINCO MAIS TRÊS - ANIVERSÁRIOS

Nem sempre as coisas acontecem conforme o planejado e o desejado. A tarefa de terminar de escrever De mãos dadas hoje se mostrou grande demais para o tamanho das minhas pernas. Não consegui sequer terminar a cena importante, longa e detalhada de dezembro de 1927, quanto mais entrar em 1928, que é quando a história acaba. Bem, “rei morto, rei posto”. Então, se um desejo não foi alcançado, já ponho outro no lugar: acabar de escrever até o final de 2014. Isso me dá tempo suficiente para fazer o que tem que ser feito: levar a história até seu final, voltar para preencher as lacunas que deixei para trás incluir as cenas que esqueci de escrever, e ler tudo para conferir que não falta nada. E só então colocar o ponto final. Não dava pra fazer tudo isso em um mês.
Terminar hoje não era realmente fundamental, mas apenas uma forma de criar uma “curiosidade”: acabar de escrever no mesmo dia em que comecei, o que faria a conta ficar “redonda” e eu poderia dizer “levei três anos exatos”. Nada tão importante, na verdade.
Deixando de lado a parte do “não consegui”, falemos das coisas boas: a história está, sim, chegando ao fim e, portanto, as cenas finais estão sendo elaboradas em seus detalhes. Dessa forma, o que era apenas uma linha mestra, uma meta, vai se tornando cena com ações e sentimentos. O “osso” vai ganhando “carninhas”. Os conflitos restantes estão prestes a se resolver – o principal na cena longa que estou fazendo. Depois são mais uns meses – até maio de 1928 – para amarrar todas as pontas e arrematar a história na cena final, uma cena-resumo que traz elementos importantes do passado e aponta para o futuro. Estou prestes a me despedir de Toni e dá aperto no coração pensar nisso. Do meu ponto de vista, são três anos juntos. Do ponto de vista dele, são quinze anos juntos. Vai ser difícil trancá-lo numa caixa por um ano, tirar férias, escrever outras coisas, e só voltar a Toni em 2016. Sempre é difícil mas eu consigo. Foi assim também com O canhoto, Construir a terra, conquistar a vida, Não é cor-de-rosa, Amor de redenção, só para citar os mais recentes. Afinal, repetindo o “rei morto, rei posto”, tenho que acabar de diagramar Construir a terra, conquistar a vida e decidi mesmo escrever o dilema de Rodrigo e sua namorada “pouco convencional”. Acho que vai ser interessante entrar no universo adolescente contemporâneo (Rodrigo tem 14 anos) e falar de preconceito, bullying, escolhas de vida.

Bem, tudo isso é para dizer que hoje é aniversário do blog. Faz cinco anos que eu venho aqui repartir com vocês meus dramas e alegrias literários, contar as histórias das minhas histórias e refletir sobre meu processo de criação. Obrigada a quem me acompanha com regularidade. Obrigada a quem vem aqui só de vez em quando. O blog não tem sentido sem a companhia de vocês. Meus leitores são meu presente de aniversário. Parabéns para nós.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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