Ultimamente tenho pensado como os artistas,
escritores e intelectuais Modernistas (Brasil, início do século XX): para
sermos universais, precisamos primeiro ser nacionais. Por muito tempo, achei
que era bobagem focar nas nossas características nacionais – e, levando ao
extremo, características regionais e até locais. Mas hoje entendo que existe
uma parcela de universal inclusive no local, e as características locais são as
que estão mais próximas de nós, é com quem temos maior intimidade, é o que
sabemos com mais profundidade, o assunto mais fácil de lidar e desenvolver. Eu
descobri que quanto mais se trabalha o pormenor, os detalhes, mais o aspecto
geral aflora. Então, se focamos e damos atenção ao local ou ao regional ou ao
nacional, mais as características do universal se destacam.
Então, colegas escritores, não tenham medo de
escrever sobre seu país, sua região, sua cidade, seu bairro. Há neles um dado
universal que despontará se as características locais forem exploradas ao
máximo. Porque os problemas humanos são comuns a todos, independente de
nacionalidade e de época. Então, minha realidade é apenas um caso especial da
existência humana. Falar do que eu conheço melhor (a minha realidade) é a
ferramenta mais eficiente para abordar as questões de toda a humanidade. E é
assim que, quando um artista ou escritor foca sua produção em sua realidade
mais próxima e pessoal, ele consegue mostrar o que há de universal em cada um
de nós. Falar de um é falar de todos.