domingo, 1 de fevereiro de 2015

É PRECISO SOBREVIVER À AÇÃO DESCENDENTE

Ação descendente é tudo o que acontece depois do clímax de um romance. É importante e necessária para amarrar todas as pontas que foram abertas durante a ação ascendente e para trazer o protagonista de volta a uma situação de repouso, como a que havia no início do romance. Afinal, a estrutura de um romance, em geral, é: estava assim (apresentação), aconteceu tudo isso (ação ascendente), resolveu (clímax), ficou assim (conclusão). A ação descendente é justamente a construção do “ficou assim”.


Bem, se é importante e necessária; se faz parte da estrutura do romance, qual é o problema: O problema é que, em geral, o ponto mais interessante do romance é o clímax, e toda preparação para se chegar ate ele. Passado o clímax, o romance meio que perde a razão de ser e o interesse – não só para o leitor mas também para o escritor. Então é um desafio para o escritor continuar interessado em contar a história de forma interessante para o leitor.

Uma maneira possível de manter esse interesse é criar micro-problemas que se solucionam em seguida e são ao mesmo tempo cenas de amarração de pontas. Foi o que eu fiz com De mãos dadas, que tem 132 páginas depois do clímax – uma longa ação descendente. Depois do clímax principal, fiz um clímax secundário e depois 30 páginas só para organizar de novo a vida de Toni e chegar à cena final. Se não crio outros pequenos conflitos, não ia conseguir chegar ao fim.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A PRIMEIRA

Em outubro de 2014 aconteceu minha primeira trilogia. É a história de Rodrigo (ainda sem título). Começou em 2011, despretensiosamente, com a história de um adolescente “bom moço” que se apaixona por Ângela, uma colega de escola que não se enquadra em certos padrões da sociedade. Ele se torna alvo de críticas por parte dos amigos e da família e tem que escolher entre viver esse amor enfrentando o mundo, ou reenquadrar-se socialmente e trocar de namorada.
Era só isso, uma historinha simples e até boba. Mas, como eu sempre gosto de saber como vai ser a vida de minhas personagens depois que eu ponho o ponto final (já falei sobre isso aqui), de repente me vi imaginando a vida de Rodrigo no final da faculdade (seis anos depois da história original), ainda sofrendo os efeitos da escolha que ele fez no primeiro livro. E, por causa da escolha feita, ele agora se depara com uma nova escolha a fazer. As cenas começaram a se formar na minha mente e, quando percebi, tinha um segundo livro, com estrutura fechada (início, meio e fim) em continuação ao primeiro livro.
Estava feliz por ter feito uma história com continuação – fato inédito – mas quis saber o que aconteceria mais para frente e assim nasceu o terceiro livro, que encontra Rodrigo adulto, profissional com carreira em desenvolvimento, casado e com um filho, vivendo novamente um momento de crise e tendo que escolher o rumo de sua vida – só que agora a decisão dele se reflete em toda a família, o que torna a tarefa mais difícil.

Cheguei a pensar em juntar tudo num livro só – que é mais a minha característica, mas cada volume tem sua estrutura fechada, seu problema central, seu clímax. Os eventos do livro 1 não são ação ascendente para o clímax do livro 3. Ou seja, são realmente três livros independentes contando as vidas das mesmas pessoas – sim, as famílias, alguns amigos e também Ângela estão nos três volumes. Agora que terminei de escrever De mãos dadas, é hora de me dedicar a contar a história de Rodrigo. Estou detalhando as cenas e ajustando os detalhes e pretendo começar a escrever ainda este ano. Como cada livro dura menos de um ano, e me parece que têm estrutura de novela, devo conseguir escrever todo o livro 1 este ano. Espero.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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