sábado, 1 de agosto de 2015

UM MÊS DEPOIS

Sim, já faz um mês que comecei a história de Rodrigo. Estou caminhando bem: 51 páginas (média de 1,7 páginas por dia) e a história, que começa no mês de fevereiro, já está no mês de março. Rodrigo já conheceu Ângela e está encantado com ela.
Quando eu comecei a escrever, estabeleci como meta escrever pelo menos uma página por dia – o que dobraria minha média histórica, que é de meia página ao dia. Fiz isso seguindo a sugestão de Stephen King, em “Sobre a escrita”. Ele também estabelece metas diárias e persiste na atividade até cumpri-la. É bem verdade que a meta dele (cerca de 10 páginas) é muito maior do que a minha mas esse é o trabalho dele, enquanto que eu preciso de um emprego que pague as minhas contas. Então a minha meta é muito inferior à dele mas, ao mesmo tempo, um desafio para mim. E estou conseguindo cumprir e até ultrapassar. Comecei a marcar a primeira letra escrita em cada dia e assim percebi que, enquanto que, em  alguns dias com mais atividades extra-escrita, eu só consigo escrever meia-página, nos dias em que posso dedicar um pouco mais de tempo à tarefa, tenho escrito até quatro páginas. Se, como Stephen King, eu tivesse três horas diárias exclusivamente para escrever, eu produziria bem mais do que as dez páginas da meta dele. Se, em meia hora, eu consigo escrever quatro páginas, em três horas eu escreveria pelo menos 20 páginas (sempre se perde algum tempo organizando as palavras). Quem sabe um dia eu consigo esse tempo?

No exato dia de hoje eu estou escrevendo uma cena longa, que é o primeiro encontro de Rodrigo e Ângela fora da escola, num sábado à tarde. A vontade de se considerarem namorados virá com o segundo encontro, no sábado seguinte. E então os problemas começarão: a família e os amigos não aceitarão que ele goste dela e expressarão isso com hostilidade. Como todo adolescente, Rodrigo precisa se sentir aceito por seu grupo social e o romance com Ângela o afasta desse objetivo. Como o encanto inicial sobreviverá a tanta adversidade? Quem sabe eu poderei contar isso no próximo mês.

sábado, 11 de julho de 2015

PERGUNTA DE ENTREVISTA

Quando vejo/leio/ouço um escritor ser entrevistado, além de ficar atenta a suas respostas, fico imaginando que aquelas perguntas poderiam ser feitas a mim, e fico pensando em que respostas eu daria. Ouvi uma pergunta este ano que primeiro me deixou surpresa e depois confusa de como responder – e eu não entendia por que, se era uma pergunta tão básica. É que, a meu ver, a pergunta está errada. Fiquei refletindo sobre ela muitas semanas e agora publico aqui a tal pergunta e minha resposta.
P: Quem é a pessoa por trás do autor?

R: Não existe ninguém por trás do autor. Exercer uma atividade criativa não é como virar super-herói. Ser escritora não é uma máscara que eu visto, ou uma roupa colante com capa (ou melhor, sem capa, como recomenda Edna Moda, do filme Os Incríveis). Eu não “viro escritora” quando pego caneta e papel para escrever. Ser escritora é tudo, é a pessoa que eu sou. Eu não desligo minha identidade escritora para almoçar ou tomar banho. Eu não deixo de ser escritora quando vou à ginástica ou ao cinema. Ao contrário, penso que é nessas atividades de vida cotidiana que minha “identidade escritora” está mais ativa. Então penso que, na verdade, o que você quer saber é “o que você escritor faz quando não está efetivamente escrevendo?” A resposta é muito simples: quando não estou efetivamente escrevendo, estou vivendo como qualquer pessoa: pegando metrô cheio para ir trabalhar; almoçando; lavando louça; dormindo; lendo; assistindo a filmes; fazendo dever de casa com a filha; passeando com o marido; e todas essas coisas de gente normal. Afinal de contas, todo autor é, antes de tudo, uma pessoa normal.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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