quinta-feira, 1 de outubro de 2015

INFLUÊNCIAS - PARTE 2

Muitas vezes, identifico nos meus textos algumas características que são influências recebidas de livros que eu li e de filmes que eu vi. Tenho escrito alguns textos sobre isso (Influências, Releituras, Amor à primeira vista, Amor desde sempre). Mas ultimamente tenho pensado muito em um livro que eu não li inteiro mas que, mesmo assim, me influencia muito, especialmente na composição das personagens. É o livro A filha do diretor do circo, da Baronesa Ferdinande Maria Theresia Freiin von Brackel. O livro foi escrito em 1875 e minha mãe tem provavelmente a edição de 1913, com capa de tecido marrom.
Há duas questões a esclarecer. A primeira delas é porque eu não o li até o final. A segunda é de que forma esse livro me influencia. Antes de tudo, preciso dizer que eu gosto dessa literatura do século XIX. Apeguei-me à literatura – para ler e para escrever – com os clássicos (e alguns não tão clássicos) do romantismo do século XIX. O tipo de escrita e a linguagem me são familiares e eu aprecio a forma dramática como as coisas acontecem. Em outras palavras, eu estava adorando a história. Apaixonei-me pelo amor de Nora e Kurt – tanto que dei ao Conde Legrant o nome de Curt em homenagem ao Conde Curt Deghental (eu achava que se escrevia com C. Recentemente fui conferir e vi que é com K). É uma típica história de abismo social, em que um membro da nobreza (Conde Deghental) se apaixona por uma plebéia (Nora Carstens, a filha do diretor do circo) e eles precisam enfrentar a pressão das famílias e da sociedade para poderem ficar juntos. Bem, esse é um tema que me acompanha desde aquela “primeira história adulta”, criada ainda na pré-história da minha carreira, e que depois eu escrevi com o nome de Petrópolis (1986) e que mais recentemente eu retomei e se tornou Não é cor-de-rosa (2005). Essa já é a primeira influência: a temática recorrente, que também aparece em Luz dos meus olhos, Tudo que o dinheiro pode comprar, Construir a terra conquistar a vida (com algumas personagens), e até na história de Rodrigo, por um prisma diferenciado.
Então eu estava lendo e adorando até o ponto em que alguém sugere que eles fiquem separados por um ano, para testarem a constância de seu amor. Embora receosos, eles aceitam e aí a minha curiosidade me levou à última página do livro: eu precisava saber se o amor que eu achava tão lindo era também constante e manteria o casal unido até o fim. E foi quando eu descobri que... o livro da minha mãe está incompleto. Falta o último caderno inteiro, o que deve dar mais ou menos 64 páginas. Ou seja, eu nunca saberia se eles ficaram juntos ou não. Então eu parei de ler ali mesmo, naquele momento, naquele ponto de extrema tensão (é possível que o marcador ainda esteja em algum lugar entre as páginas). E, na minha paixão adolescente, eu desejei intensamente que o amor deles passasse nessa prova de constância, e eles chegassem vitoriosamente juntos ao final do livro. Esse sentimento moldou o temperamento de todos os meus apaixonados, desde Alex e Cathy (1982) até Rodrigo e Ângela (2015). Meus amores são constantes e resistem à separação e a qualquer prova que a vida exija deles, o final que eu espero que a Baronesa tenha dado a meus queridos Nora e Kurt.
Então, mesmo sem ter chegado ao final do livro – não por culpa da história, nem minha – A filha do diretor do circo me marcou profundamente e me influencia fortemente durante toda a carreira.

Se eu tenho curiosidade de saber o final da história? É claro que sim!! É uma curiosidade que dura cerca de 30 anos. Infelizmente é um livro com edições esgotadas e raro de se encontrar entre os livros usados, o que faz com que seu preço seja bastante elevado. Mas continuo procurando e, um dia, acabo de ler esse livro, para ver se a Baronesa von Brackel pensava como eu e fez o amor vencer no final.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

OPS!

Essa foi minha reação quando me lembrei de que hoje é dia de publicar aqui no blog. Logo pensei "tenho algum texto pronto ou começado?" A resposta naturalmente foi "não". O sentimento seguinte foi de busca: sobre o que posso falar? Que temas eu gostaria de trabalhar? Não encontrei outra resposta que não fosse a história de Rodrigo. Estou, como sempre, fascinada pelas personagens, pelo desenrolar da trama. Essa história tem um diferencial a mais, pois, diferente dos últimos romances que escrevi, ambientados em locais distantes e épocas passadas, a história de Rodrigo se passa nos nossos dias, e no meu bairro. A escola em que eles estudam fica próxima à escola da minha filha; eu passo todos os dias por ruas por onde eles andam. Sei exatamente em que altura das ruas eles moram, em que prédios. Eles pegam os mesmos ônibus que eu; os pontos de referência deles são os mesmos que os meus. São personagens muito próximas de mim, inclusive territorialmente. Isso talvez esteja me causando um fascínio extra em relação a elas. A história também é singela, apaixonada, e eu acabo me envolvendo mais especialmente com as personagens. Também estou gostando muito de tratar da adolescência, do ambiente escolar, essa miniatura do mundo social onde podemos encontrar amizade de verdade, companheirismo, lealdade, mas também preconceito, segregação, incompreensão. E Rodrigo e Ângela estão soltos nesse mundo, enfrentando desafios pessoais e sociais, superando seus limites o tempo todo, e até lutando contra o mundo para viverem seu amor.

Antes de começar a escrever hoje, eu estava na página 95. Como julho e agosto têm 31 dias cada, faz 62 dias que comecei a escrever, o que me deixa com uma média de 1,5 páginas escritas por dia. Não que eu esteja escrevendo uma página e meia todo dia. Não. Em alguns dias, não consigo escrever nada; em outros, escrevo até quatro páginas. Essa média me deixa muito satisfeita, pois indica que não vou levar anos escrevendo esse primeiro livro. Já estou chegando à página 100 e ainda estou nos eventos do mês de abril (a história vai até novembro). Acredito que deve chegar a quase 400 páginas e, nesse ritmo, vou levar somente pouco mais de seis meses para terminar. Essa é uma previsão muito boa.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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