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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

NOTÍCIAS DE INÍCIO DE ANO


Depois de passar quase um ano digitando O Canhoto, finalmente terminei. Fiz apenas ajustes mínimos que nem vale a pena mencionar. A história, que eu terminei de escrever em maio de 2009, continua me agradando, e eu continuo achando-a boa literariamente.
Então chegou a hora de rever À procura, que terminei de escrever em novembro de 2009. Para minha tristeza, a história não me emocionou, não me satisfez. Fiquei com uma sensação de “mas é isso?” e “o que vou fazer com isso?”. Depois de tanta pesquisa, de tanta elaboração geológica e psicológica, a história não deu certo. Costumo ser bastante rigorosa e insensível para descartar o que não me agrada mas desta vez deu pena. Por outro lado, ela já estava descartada antes. Reescrever foi apenas uma tentativa de fazê-la voltar à vida em outro “corpo”. Mas a impressão que me ficou foi de que a história que eu tenho para contar em À procura não vale a pena ser contada. E fiquei pensando: já descartei histórias melhores, que me deram trabalho e pelas quais eu tenho carinho. Não vai ser À procura que vai me fazer burlar minha regra ou rever meu critério. Por outro lado, ela está bem construída e bem escrita, as personagens são consistentes e verossímeis. Na verdade, não sei o que fazer com ela. Cada vez que leio tenho uma impressão diferente, e eu queria duas impressões consecutivas iguais para poder decidir. O tempo dirá.
A próxima história a retomar é O Além. Já reli e percebi que preciso intensificar algumas sensações para torná-las mais vívidas e trazer o leitor mais para dentro, fazê-lo andar comigo, ver o que eu vi e sentir o que eu senti. É muito difícil para mim escrever em primeira pessoa: a restrição de ponto de vista acaba restringindo a minha narração. Mas os problemas de O Além são possíveis de solucionar, com um pouco mais de imersão e esforço descritivo. Vou fazer os ajustes necessários e depois digitá-la.
Na outra ponta do trabalho, estou preparando o lançamento de Primeiro a honra, e finalizando a produção editorial de A noiva trocada. Quando tiver datas e horários, avisarei aqui. Depois virá Construir a terra, conquistar a vida, com suas 800 páginas divididas em três tomos. É um projeto ambicioso, e estou pensando seriamente em pedir patrocínio. Se alguém que paga imposto de renda quiser contribuir com minha causa, apresente-se!
Bem, isto é o que tenho feito este ano, e o que pretendo fazer nos próximos meses. 2011 será um ano cheio de acontecimentos!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ACABEI À PROCURA!

Foi no dia 5/2/2010. Cheguei a 43 páginas, e não encontrei mais nenhum ponto em que pudesse fazer mais algum acréscimo. Está tudo devidamente explicado e desenvolvido; a história do guia voltou a seu lugar de destaque, e o final que era do conto continuou fazendo sentido no romance.
O romance ficou com aquela estrutura que usei também em A noiva trocada e Vingança: um primeiro capítulo de introdução, em que são apresentados o ambiente, as personagens e o problema; a partir do segundo capítulo, o ambiente muda, se fecha, e as personagens estão isoladas para que possam resolver os conflitos sem interferência do mundo exterior; no final, o retorno ao mundo exterior, ou indicação disso, e a solução dos problemas. O tempo é curto e o espaço é restrito como num conto, mas as personagens e os conflitos são mais desenvolvidos, como no romance.
Agora é hora de encaixotá-la por um ano, atualizar os registros e tabelas (como uma certidão de nascimento), e também fazer alterações aqui no Blog (sai da lista de contos e vai para a fila de impressão de romances). E depois lançar-me ao outro projeto: transformar História do Mundo em romance. Este será mais fácil, porque não há compromisso com o número de páginas, pois é uma história que acaba mas não tem fim.
Em março, fará um ano que terminei O Canhoto. Como não o encaixotei logo, posso demorar um pouco mais a retomá-la – o tempo que estiver escrevendo História do Mundo. É hora de reler, reavaliar e, se ela passar nos testes, digitar e começar a preparar a publicação. Acho que terei trabalho para o ano todo.
p.s. : antes de me dedicar a História do Mundo, vou escrever O Além, a partir de um sonho que tive, em que eu visitava o Inferno e o Céu. Se ficar bom, a ideia é uma amiga minha artista plástica fazer as ilustrações e depois a gente publicar, seguindo o caminho de Dante Alighieri e Gustave Doré. Muita pretensão?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

À PROCURA

Como já disse aqui em 11/12/2009, estou transformando o conto À procura em romance. Sugiro a leitura da sinopse antes da leitura deste texto.
A tarefa era reelaborar os elementos da história, desenvolvê-los e reescrever tudo de uma forma mais detalhada, de maneira que o conto se tornasse um romance curto (o que eu consigo com cerca de 50 páginas manuscritas).
Primeiro passo: situar a gruta no mapa. Para isso, tive que pesquisar a distribuição de grutas pelo país. Da escolha do local da gruta dependia a caracterização das personagens, especialmente do guia local. Quase me cadastrei (de novo) no site da SBE – Sociedade Brasileira de Espeleologia, de tanto visitá-lo. Lá descobri quantas grutas já foram descobertas em cada estado do Brasil, em que municípios elas estão, quais são as maiores e as mais profundas. Pesquisei mais a fundo as grutas de Minas Gerais, São Paulo e Bahia, para situar a história num desses estados, já que meu estado do Rio de Janeiro não é rico em grutas. Não é rico em grutas? Perfeito! Isso facilita minha pesquisa, pois restringe as minhas escolhas e ainda faço a divulgação das poucas grutas que há no estado. Além disso, a caracterização das personagens se torna mais fácil, pois não terei que pesquisar muito, nem correrei risco de reproduzir os estereótipos de cada gentílico. Então escolhi a região do norte do estado, mais rica em grutas. Como o maciço principal fica no município de Itaocara, este foi o escolhido. Mas onde, exatamente, ficam as grutas? O site da SBE não divulga. Foi preciso descobrir o site da RedeSpeleo, vasculhá-lo todo, para encontrar a localização das grutas de Itaocara.
Bem, há um evento na história que exigia que eu escolhesse uma gruta com certas características pré-determinadas e muito específicas, e eu achei melhor não “brincar” com o que existe e é conhecido. Preferi manter a estrutura, o formato e as características da gruta que eu já tinha inventado no conto, e apenas situá-la na mesma região das grutas reais. Então meus pesquisadores não estão querendo aprofundar o conhecimento que se têm da Gruta do Escorpião (nome da gruta fictícia do conto), mas eles serão os primeiros pesquisadores a entrar na Gruta dos Meninos (nome da gruta fictícia do romance).
Uma palavra sobre a mudança do nome da gruta: nessa pesquisa mais aprofundada que fiz da fauna característica dos ambientes cársticos, descobri que cavernas não são habitat usual de escorpiões. Como uma das personagens é picada por um escorpião, tive que manter um na história (não quis mudar para picada de aranha, menos ainda picada de cobra), mas a população de escorpiões deixou de ser a característica principal da gruta.
Definida a localização da gruta, decidi que os pesquisadores seriam ligados à Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, pela proximidade dos municípios. Seria muito estranho eles virem de outros estados estudar um estado pobre em grutas, sendo que os estados vizinhos (exceção ao Espírito Santo) têm mais grutas, e grutas mais interessantes. Era preciso então saber a estrada percorrida, o tempo de viagem, mapa da cidade e dos distritos de Itaocara. Consegui localizar os principais edifícios públicos da cidade e os caminhos por onde andaram os pesquisadores.
Era hora de desenvolver a personalidade dos pesquisadores, que eu não tinha feito no conto. Elaborei a personalidade de cada um mas tive dificuldade em descrever as características físicas, acho que por nunca ter tido com eles um contato mais próximo e duradouro. Mas, por fim, consegui construir cinco pessoas diferentes entre si, aproveitando a riqueza étnica da população brasileira.
Criei novas cenas, em que as características psicológicas das personagens pudessem se expressar, situei a localização da gruta. Dediquei-me, então, a re-escrever a história com todas essas novas informações – era quanto bastava para ter um romance.
Ah, ledo engano! Coloquei o ponto final na página 25! E eu precisava de pelo menos 50 páginas! Eu tinha duas alternativas: 1) desistir do projeto, deixar a história como conto e, portanto, inconsistente; 2) procurar pontos da trama menos desenvolvidos e incrementá-los.
Faço aqui um parêntesis para contar um aspecto da minha personalidade. Sei jogar xadrez mas não sou exímia jogadora. Gosto do desafio de tentar vencer mas jogo pelo prazer de jogar. Não tenho muita paciência para elaborar jogadas de longo prazo, então perco mais do que ganho. Mas eu só perco com um xeque-mate explícito. Não me rendo, não me entrego, vou até o fim. Quantas vezes, jogando com meu irmão, ele dizia: “Desista, Mônica, você só tem o rei!” E eu respondia: “Não: eu ainda tenho o rei”.
Uma breve historinha para explicar minha escolha quanto À procura  resolvi ir até o fim do projeto. Comecei então a procurar onde eu poderia incluir mais informações, onde caberiam novas cenas. Tive que pesquisar atrações turísticas na cidade, para os pesquisadores verem, nas horas que têm livre, antes da expedição. Acabei também criando novas grutas, menores e menos importantes, é claro, que foram visitadas no caminho para a gruta principal. Resolvi também explicar detalhadamente as características geológicas da Gruta dos Meninos. Não preciso dizer que tive que pesquisar mais para poder criar e descrever tudo isso.
Ao mesmo tempo em que todo esse desenvolvimento – desde a melhor caracterização dos pesquisadores – está me ajudando em relação ao número de páginas, está me criando um problema novo: no conto, onde nada era desenvolvido, o destaque era a história do guia, que era contada do meio para o fim do conto. Agora, está tudo tão desenvolvido que a história do guia perdeu a importância, no meio de tanta informação. Ou seja, quando eu terminar essa fase de incrementos, terei que retomar a história do guia e devolvê-la a seu lugar de ponto-chave de toda a trama. Ainda não sei como vou fazer isso. Talvez terei que aumentar o clima de mistério e suspense em tudo o que se refere a ele, com o cuidado de não deixar antever o que acontecerá. Gosto da técnica de Hithcock: o espectador sabe do que a personagem não sabe, e aí está o suspense. Vamos ver se vou conseguir fazer corretamente, ou se vou resolver de outra forma.
Há ainda um outro problema, de caráter ético: eu me sinto “enchendo linguiça”. Tudo o que escrevi após o ponto final me soa desnecessário. Mas eu resolvi não pensar nisso. De qualquer forma, o julgamento será feito no futuro: depois que eu tiver as 50 páginas necessárias, o texto vai ficar guardado por um ano. Só depois disso eu decidirei se minhas soluções foram válidas, se a história ficou boa e consistente, se está tudo coerente, se a história tem valor suficiente para ser digitada e entrar na fila de publicação.
Então vou continuar a “encher a linguiça”, e depois conto como ficou.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

TRANSFORMAR CONTOS EM ROMANCES

Este é o projeto que tenho para dois dos meus contos: História do mundo e À procura. Parecia uma tarefa fácil, já que, como disse aqui em 11/11/2009, a única diferença entre meus contos e meus romances é o número de páginas, e não a estrutura. Acontece que há uma série de outros elementos que são menos desenvolvidos nos meus contos – daí o menor número de páginas. Por isso mesmo parecia fácil: bastaria descrever a ambientação, desenvolver melhor a caracterização das personagens, acrescentar alguns diálogos para confirmar as informações e pronto: o conto tinha virado romance. Parecia fácil...
Aproveitando que não estou envolvida em nenhum projeto de criação e escrita, pensei executar logo essa tarefa, e resolver a vida das duas histórias que acabam ficando no limbo. Foi quando descobri que essa transformação não é nada fácil. Percebi que, se não descrevi o ambiente, nem as personagens, é porque esses elementos não são importantes e, na verdade, eu nem sei direito onde a história se passa, nem qual o aspecto físico das personagens. Então não é uma questão de desenvolver: em alguns casos é preciso criar!!
Quando estava revisando o texto sobre os TÍTULOS, percebi que não constavam os contos e resolvi inclui-los. E foi explicando o título de À procura que eu encontrei o gancho para desenvolver a caracterização das personagens: a procura individual de cada um. De repente eu vi as personagens interagindo novamente, cada qual conforme seu objetivo pessoal. Foi como uma luz que se acendesse, e eu peguei uma folha em branco para registrar a idéia – anotar o que cada um procura.
Preciso também situar melhor o local da expedição, com o nome da cidade, nome da gruta – ou das grutas, conforme o local que vou escolher. Então, sabendo exatamente onde a história se passa, poderei acrescentar características regionais às personagens, como entonações e vocabulário.
E não bastará acrescentar as partes novas no texto que já existe: será preciso reescrever, como fiz com O canhoto. É claro que a seqüência de eventos é a mesma, e vou aproveitar todo texto que puder – afinal, o original não é um texto descartado (ruim) – mas o trabalho será realmente de reescrita.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Edição extra

Não aguentei esperar pelo dia combinado, nem pelo texto que já comecei a escrever sobre o assunto, então vou improvisando direto aqui. Qualquer coisa, depois edito.
Estou transformando À procura em romance. Situei melhor a ambientação, que era vaga, descrevi as personagens, criei problemas para todas elas, criei várias cenas novas, muitos diálogos, descrições mais detalhadas do cenário da história, e o conto está virando romance.
Terminei a parte mais tensa, quando o mistério vai ser desvendado. Ontem fui dormir tarde para terminar de fazer. Hoje estou na explicação de tudo. Daqui a pouco (amanhã, porque hoje vou ter que dormir cedo, pois estou com muito sono!), será só terminar. Estou muito contente com o resultado que estou conseguindo, mas acho que vou ter que estudar mais sobre geologia para embasar melhor certas partes. Eu e minhas pesquisas...
É isso. No dia 11, vou postar aqui o texto que fala de como foi que eu decidi transformar o conto em romance.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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