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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

INFLUÊNCIAS - PARTE 2

Muitas vezes, identifico nos meus textos algumas características que são influências recebidas de livros que eu li e de filmes que eu vi. Tenho escrito alguns textos sobre isso (Influências, Releituras, Amor à primeira vista, Amor desde sempre). Mas ultimamente tenho pensado muito em um livro que eu não li inteiro mas que, mesmo assim, me influencia muito, especialmente na composição das personagens. É o livro A filha do diretor do circo, da Baronesa Ferdinande Maria Theresia Freiin von Brackel. O livro foi escrito em 1875 e minha mãe tem provavelmente a edição de 1913, com capa de tecido marrom.
Há duas questões a esclarecer. A primeira delas é porque eu não o li até o final. A segunda é de que forma esse livro me influencia. Antes de tudo, preciso dizer que eu gosto dessa literatura do século XIX. Apeguei-me à literatura – para ler e para escrever – com os clássicos (e alguns não tão clássicos) do romantismo do século XIX. O tipo de escrita e a linguagem me são familiares e eu aprecio a forma dramática como as coisas acontecem. Em outras palavras, eu estava adorando a história. Apaixonei-me pelo amor de Nora e Kurt – tanto que dei ao Conde Legrant o nome de Curt em homenagem ao Conde Curt Deghental (eu achava que se escrevia com C. Recentemente fui conferir e vi que é com K). É uma típica história de abismo social, em que um membro da nobreza (Conde Deghental) se apaixona por uma plebéia (Nora Carstens, a filha do diretor do circo) e eles precisam enfrentar a pressão das famílias e da sociedade para poderem ficar juntos. Bem, esse é um tema que me acompanha desde aquela “primeira história adulta”, criada ainda na pré-história da minha carreira, e que depois eu escrevi com o nome de Petrópolis (1986) e que mais recentemente eu retomei e se tornou Não é cor-de-rosa (2005). Essa já é a primeira influência: a temática recorrente, que também aparece em Luz dos meus olhos, Tudo que o dinheiro pode comprar, Construir a terra conquistar a vida (com algumas personagens), e até na história de Rodrigo, por um prisma diferenciado.
Então eu estava lendo e adorando até o ponto em que alguém sugere que eles fiquem separados por um ano, para testarem a constância de seu amor. Embora receosos, eles aceitam e aí a minha curiosidade me levou à última página do livro: eu precisava saber se o amor que eu achava tão lindo era também constante e manteria o casal unido até o fim. E foi quando eu descobri que... o livro da minha mãe está incompleto. Falta o último caderno inteiro, o que deve dar mais ou menos 64 páginas. Ou seja, eu nunca saberia se eles ficaram juntos ou não. Então eu parei de ler ali mesmo, naquele momento, naquele ponto de extrema tensão (é possível que o marcador ainda esteja em algum lugar entre as páginas). E, na minha paixão adolescente, eu desejei intensamente que o amor deles passasse nessa prova de constância, e eles chegassem vitoriosamente juntos ao final do livro. Esse sentimento moldou o temperamento de todos os meus apaixonados, desde Alex e Cathy (1982) até Rodrigo e Ângela (2015). Meus amores são constantes e resistem à separação e a qualquer prova que a vida exija deles, o final que eu espero que a Baronesa tenha dado a meus queridos Nora e Kurt.
Então, mesmo sem ter chegado ao final do livro – não por culpa da história, nem minha – A filha do diretor do circo me marcou profundamente e me influencia fortemente durante toda a carreira.

Se eu tenho curiosidade de saber o final da história? É claro que sim!! É uma curiosidade que dura cerca de 30 anos. Infelizmente é um livro com edições esgotadas e raro de se encontrar entre os livros usados, o que faz com que seu preço seja bastante elevado. Mas continuo procurando e, um dia, acabo de ler esse livro, para ver se a Baronesa von Brackel pensava como eu e fez o amor vencer no final.

sábado, 11 de julho de 2015

PERGUNTA DE ENTREVISTA

Quando vejo/leio/ouço um escritor ser entrevistado, além de ficar atenta a suas respostas, fico imaginando que aquelas perguntas poderiam ser feitas a mim, e fico pensando em que respostas eu daria. Ouvi uma pergunta este ano que primeiro me deixou surpresa e depois confusa de como responder – e eu não entendia por que, se era uma pergunta tão básica. É que, a meu ver, a pergunta está errada. Fiquei refletindo sobre ela muitas semanas e agora publico aqui a tal pergunta e minha resposta.
P: Quem é a pessoa por trás do autor?

R: Não existe ninguém por trás do autor. Exercer uma atividade criativa não é como virar super-herói. Ser escritora não é uma máscara que eu visto, ou uma roupa colante com capa (ou melhor, sem capa, como recomenda Edna Moda, do filme Os Incríveis). Eu não “viro escritora” quando pego caneta e papel para escrever. Ser escritora é tudo, é a pessoa que eu sou. Eu não desligo minha identidade escritora para almoçar ou tomar banho. Eu não deixo de ser escritora quando vou à ginástica ou ao cinema. Ao contrário, penso que é nessas atividades de vida cotidiana que minha “identidade escritora” está mais ativa. Então penso que, na verdade, o que você quer saber é “o que você escritor faz quando não está efetivamente escrevendo?” A resposta é muito simples: quando não estou efetivamente escrevendo, estou vivendo como qualquer pessoa: pegando metrô cheio para ir trabalhar; almoçando; lavando louça; dormindo; lendo; assistindo a filmes; fazendo dever de casa com a filha; passeando com o marido; e todas essas coisas de gente normal. Afinal de contas, todo autor é, antes de tudo, uma pessoa normal.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

OS DIÁLOGOS

Estive lendo Álvares de Azevedo e Ernest Hemingway (livros de contos que estavam na estante há anos, quase esquecidos) e descobri que sou mesmo neurótica pela correta indicação de quem fala nos diálogos. É um cuidado que eu sempre tenho e que recomendo a outros escritores, e que eles, autores consagrados, não têm. Como os famosos e imortais são eles, a errada devo ser eu, por me preocupar com um detalhe com que os grandes figurões não se preocupam.
Bem, chamar de neurose deve ser exagerado porque eu tenho motivos muito justos e racionais para desejar sempre saber quem está falando: para mim, cada personagem tem uma voz e um modo de falar particular e, se eu não souber quem está falando, não posso atribuir essas características àquela frase. E ler todas as frases com a mesma voz é realmente maçante.

Achei Hemingway brilhante na narrativa. Ele descreve, ele envolve, ele cativa. Mas achei os diálogos fracos e vazios. Achei que não acrescentaram nada à história e que, talvez, textos apenas narrativos poderiam ter sido mais agradáveis de se ler (isso porque adoro ler diálogos). Eu lia os diálogos e pensava “e daí? Para que essa personagem disse isso? O que essa fala esclareceu ou valorizou?” E aí meio que entendo porque muitas pessoas elogiam os diálogos das minhas personagens: eles me ajudam a construir a caracterização das personagens e trazem informações importantes sobre a visão de mundo daquela personagem e, por extensão, da época em que a personagem vive. Meus diálogos têm emoção, têm drama, têm conflitos; é nos diálogos que a relação humana acontece. E eu gosto disso. Então acho que vou continuar neurótica nesse aspecto.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

RELACIONAMENTO

Estou num momento interessante de meu relacionamento com Toni. A história está guardada, lacrada numa caixa de arquivo e meu compromisso é só reler depois de 1/11/2015 (um ano depois que acabei de escrever). Mas, se posso evitar ler, é claro que não posso evitar lembrar. Então, volta e meia me pego revendo cenas que fiz, lembrando de gestos e falas, e sentindo saudades das personagens com quem convivi por três anos e cinco meses: Luigi, Raquel, Ricardo, Letícia, Dona Luizinha, Rosa e, naturalmente, Toni.

Tenho muita satisfação em lembrar. Fico com a sensação de que fiz direito, de que o texto realmente ficou bom. E o melhor é a certeza de que a saudade vai ter fim. E que, depois de 1/11/2015, eu poderei ler tudo sempre que quiser.

terça-feira, 21 de abril de 2015

VIDA E MORTE

Acusam-me de matar muitas personagens em minhas histórias mas minha mania de tabelas tem outra opinião. Na verdade, em minhas histórias nasce muita gente. Se são 72 mortes em 59 histórias (conto apenas as que eu escrevi até o fim) – média de 1,22 mortes por história – são 66 nascimentos nas mesmas 59 histórias – média de 1,18 nascimentos por história. 

Há apenas oito histórias com três ou mais mortes: Juliana (4 mortes), Viagem sem volta (3 mortes), Mosteiro (4 mortes), O maior de todos (12 mortes, mas há que se considerar o período da Peste Negra e a trama de golpe de estado), Primeiro a honra (3 mortes), Vingança (8 mortes, mas há que se considerar que é uma história de vingança), O canhoto (4 mortes, como em Mosteiro), De mãos dadas (6 mortes, sem esquecer de considerar a Gripe Espanhola, que matou mais do que eu), totalizando 44 mortes só aqui.

Do outro lado, são cinco histórias com mais de três nascimentos: Juliana (4 nascimentos), Idade média (5 nascimentos), Tudo que o dinheiro pode comprar (4 nascimentos), Construir a terra, conquistar a vida (17 nascimentos), De mãos dadas (22 nascimentos), totalizando 52 nascimentos só aqui.

Percebe-se também que quanto maior o número de páginas, maior o número de nascimentos e menor o número de mortes: Construir a terra, conquistar a vida tem 895 páginas manuscritas, 2 mortes e 17 nascimentos; De mãos dadas tem 810 páginas manuscritas, 6 mortes e 22 nascimentos.Então, se há nascimentos como há mortes (para não falar na quantidade de personagens que nem nascem nem morrem durante as histórias), na verdade o que há em minhas histórias é um retrato mais ou menos real do que é a vida: pessoas nascem, vivem e morrem. Sem cobranças, sem culpas.

sábado, 11 de abril de 2015

FINALMENTE VAI NASCER EDUARDO

Quem será essa personagem que merece ter seu nascimento anunciado? É o filho de Rodrigo, o protagonista de meu próximo romance. Estou numa fase de organizar as informações e a estrutura da história e uma das questões a definir é o nome das personagens. Pensei em chamá-lo de Lucas ou de Tiago mas alguma coisa me dizia que esses nomes não seriam bons. Em vez de ficar quebrando a cabeça para resolver um problema, gosto de deixar o inconsciente aflorar para que ele resolva. Então parei de pensar em que nome daria ao menino. De repente, do nada (assim chamamos quando o inconsciente passa alguma informação à consciência), eu me lembrei que devo seguir uma tradição que criei, senão ela deixará de ser tradição.
Já expliquei essa tradição em outro texto mas vou repetir o princípio básico aqui: filhos de protagonistas nascidos durante a história recebem o nome do último protagonista que teve filhos. Até hoje, só fiz isso para os meninos. Hora de pesquisar como anda o nascimento de meninas... A tradição começou com Miguel Vasconcelos de Araújo, que foi pai de Ricardo, como Ricardo de Almeida. Depois Duarte Correia foi pai de Miguel. E depois disso (2002), nenhum outro protagonista teve filhos. Agora, finalmente, Rodrigo terá um filho. Não vou contar seu nascimento porque ele nasce no tempo entre o livro 2 e o livro 3. Mas é uma criança que nasce enquanto estou contando uma história, uma vez que a história de Rodrigo é um conjunto de três livros. Então, se o protagonista tem um filho, ele deve ter o nome do protagonista anterior. Não cabe, nos dias de hoje, em pleno Rio de Janeiro (época e local da história de Rodrigo), chamar uma criança de Duarte – essa forma do nome caiu em desuso por aqui (embora continue sendo usada em Portugal). Então vamos modernizar e abrasileirar Duarte e vê-lo transformar-se em Eduardo.
É uma alegria dar continuidade a uma tradição que é só minha e que, portanto, precisa de mim para continuar existindo. E o problema de que nome dar ao garoto foi facilmente resolvido: o filho de Rodrigo se chamará Eduardo. Assim também já fica decidido que, depois de Eduardo, o próximo menino que nascer se chamará Rodrigo.

sábado, 21 de março de 2015

OS FEIOS

Não gosto de personagens deslumbrantemente bonitas. Lembro que, quando comecei a escrever, todo mundo era príncipe ou princesa, e minha mãe chamou à atenção a inconveniência dessa coincidência. Imaginário de contos de fadas começa a criar assim. Aos poucos, fui conseguindo fincar os pés no chão (pelo menos um pouco) e começar a inventar personagens que são pessoas comuns. E pessoas comuns não são nem feias nem bonitas; são simplesmente comuns. Aprendi a colocar a beleza das personagens não nelas mesmas, mas nos olhos de quem as vê. Então tenho poucas personagens realmente bonitas – nem me ocorre o nome de nenhuma para citar aqui. Quando vou descrever as personagens, acabo falando de poucos detalhes, só do que realmente faz diferença para a história. Porque não importa se a personagem tem olho castanho ou azul: ela enxerga do mesmo jeito. Me prendo mais em cores do que em formas, e na maneira como as personagens usam seus atributos físicos – por exemplo, cabelo curto ou comprido, solto ou preso. Mas se isso for importante para a história, se ajudar a compor a personalidade da personagem.
Minha "feia" mais famosa é Inês, tida por feia inclusive pelo pai, pelos filhos e por ela mesma, mas cuja aparência muito encanta Fernão, o marido. Na verdade, é o que importa: que a beleza esteja nos olhos da pessoa certa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

TRILOGIA x COLETÂNEA

Meus leitores mais atentos podem ter ficado surpresos quando eu disse que a história de Rodrigo é minha primeira trilogia, e podem ter se perguntado “Mas e a Biblioteca de Kerdeor? Não são também três livros reunidos?” Sim, são, e é exatamente essa a diferença entre os dois. Por que eu chamo Kerdeor de coletânea e chamo Rodrigo de trilogia?
A estrutura de formação dos dois conjuntos é distinta. Kerdeor é um agrupamento de três livros com protagonistas diferentes, com objetivos diferentes, reunidos em um tomo único pela característica de serem novelas de cavalaria. Já a história de Rodrigo são também três livros mas com o mesmo protagonista, com muitas personagens em comum, contando uma mesma história dividida em três pedaços. A publicação de Kerdeor será feita em um tomo; a publicação da história de Rodrigo será feita em três tomos, um para cada livro.
É por isso que, embora eu já tenha um conjunto com três livros, Rodrigo é a primeira experiência com uma história dividida em mais de um livro.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

MAIS TEMPO

Já falei aqui sobre o tempo que eu fico sem escrever nada. Agora é hora de pensar no tempo que levo para escrever uma história, que vem aumentando nos últimos anos, basicamente por dois motivos:
1)     as histórias estão se tornando mais consistentes e mais detalhadas e, portanto, mais longas. Se, no início, eu fazia um “romance” em 45 páginas, hoje preciso de pelo menos 200. Como a vida toda sempre escrevi, em média, entre 0,3 e 1,4 páginas por dia, se o número de páginas aumentou, é natural que o número de dias aumente também.
2)     Minha disponibilidade de horários livres para a atividade diminuiu. Durante a vida de estudante – solteira – morando na casa dos pais, eu tinha bastante tampo para me dedicar a escrever. Mas agora, nessa vida de profissional – casada – mãe, administrando ainda a vida da casa, minha disponibilidade se resume aos 30 minutos diários dentro do metrô, indo e vindo de meu emprego. Às vezes (como no momento em que escrevo este texto), aproveito os minutos entre eu acabar de jantar e minha filha acabar de jantar para, deseducadamente, escrever uma ou duas páginas, enquanto lhe faço companhia à mesa. Circunstâncias da vida. Não me queixo.
É claro que eu tenho uma tabela onde registro quanto tempo levei para escrever cada história. Infelizmente o registro não está completo porque, bem lá no início, eu não tinha o cuidado de anotar o dia em que eu escrevi a primeira letra e o dia em que eu coloquei o ponto final. De qualquer forma, é interessante ver, hoje, que eu levei 13 dias para escrever A noiva trocada; levei 42 dias para escrever O maior de todos; 2191 dias (seis anos exatos) para escrever Construir a terra, conquistar a vida; 629 dias para escrever O canhoto; e já estou a mais de 1092 dias (três anos) escrevendo De mãos dadas.
Quando eu começo a escrever, sempre tenho pressa de acabar. A história está pronta na minha cabeça, e a vontade é de vê-la logo no papel, de forma escrita.
Por compreender os motivos que me fazem passar anos com uma mesma personagem – quando eu queria resolver tudo em poucos meses – eu deixei de me angustiar com esse fator. Minha vida agora é assim e angústia e revolta não resolverão o problema. Então apenas procuro aliar o número de páginas de que preciso a todas as brechas de tempo que tenho para produzir com qualidade e rapidez.

É interessante passar anos com uma mesma personagem e, além de vê-la amadurecer, amadurecer também junto com ela e melhorar o estilo de escrita. A vida é assim: perde-se por um lado e ganha-se por outro.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

UNIVERSAL NO NACIONAL

Ultimamente tenho pensado como os artistas, escritores e intelectuais Modernistas (Brasil, início do século XX): para sermos universais, precisamos primeiro ser nacionais. Por muito tempo, achei que era bobagem focar nas nossas características nacionais – e, levando ao extremo, características regionais e até locais. Mas hoje entendo que existe uma parcela de universal inclusive no local, e as características locais são as que estão mais próximas de nós, é com quem temos maior intimidade, é o que sabemos com mais profundidade, o assunto mais fácil de lidar e desenvolver. Eu descobri que quanto mais se trabalha o pormenor, os detalhes, mais o aspecto geral aflora. Então, se focamos e damos atenção ao local ou ao regional ou ao nacional, mais as características do universal se destacam.

Então, colegas escritores, não tenham medo de escrever sobre seu país, sua região, sua cidade, seu bairro. Há neles um dado universal que despontará se as características locais forem exploradas ao máximo. Porque os problemas humanos são comuns a todos, independente de nacionalidade e de época. Então, minha realidade é apenas um caso especial da existência humana. Falar do que eu conheço melhor (a minha realidade) é a ferramenta mais eficiente para abordar as questões de toda a humanidade. E é assim que, quando um artista ou escritor foca sua produção em sua realidade mais próxima e pessoal, ele consegue mostrar o que há de universal em cada um de nós. Falar de um é falar de todos.

sexta-feira, 21 de março de 2014

800 PÁGINAS

Por estar lendo Construir a terra, conquistar a vida e escrevendo De mãos dadas, as duas com mais de 500 páginas, percebi como é mais fácil escrever muito quando as personagens secundárias ajudam a carregar a trama – que é o que acontece em Construir a terra, conquistar a vida, em que Fernão, Ayraci, Inês e os filhos têm seu momento de protagonismo. Duarte integra e harmoniza, mas divide o fardo de carregar a história com o resto da família.
Já a situação em De mãos dadas é diferente: Toni carrega sozinho a história. Ele não apenas resolve sozinho seus problemas como ainda participa ativamente da solução dos problemas das personagens secundárias. Numa atitude “fominha”, ele não abre brecha para mais ninguém ser protagonista, nem mesmo temporariamente. É bem mais difícil de construir e levar uma história de longa duração assim. Acho que não conseguiria passar 25 anos com Toni, como passei 25 anos com Duarte e Fernão.
Em De mãos dadas, as tramas secundárias são convergentes, e caem todas nas costas do pobre Toni. Em Construir a terra, conquistar a vida, as tramas secundárias são divergentes e são resolvidas próximo a Duarte e com apoio dele, mas cada personagem secundária resolve seu próprio problema. E o interessante é que fazer isto ou aquilo não foi escolha intencional, mas conseqüência do caminho trilhado. Eu não decidi de antemão, simplesmente aconteceu.
Olhando também para as outras histórias, percebi que minha tendência é ter protagonistas centralizadores e tramas convergentes. Quem sabe, na próxima história de longa duração (sete anos ou mais na vida das personagens), eu não experimento de novo fazer tramas secundárias divergentes, e ter um protagonista que cede temporariamente seu espaço às personagens secundárias – mas desta vez, com tudo planejado e intencional. Seria um desafio interessante.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

EM COMUM

Neste ano de 2014, continuo envolvida com Construir a terra, conquistar a vida e De mãos dadas. São minhas maiores histórias, e parei para pensar se elas têm em comum algo mais do que o número de páginas.
Sim, alguns elementos estão presentes nas duas histórias:
1)     são ambientadas no Brasil. Acho que gosto de falar da história do meu país.
2)     São romances históricos (conferir a definição que utilizei aqui), o que significa que os fatos históricos fazem parte da história das personagens, e interferem nos rumos do que estou escrevendo.
3)     As personagens vivem em cidades que hoje são importantes e capitais de seus estados – Duarte no Rio de Janeiro e Toni em São Paulo.
4)     São histórias de longa duração – Construir a terra, conquistar a vida leva 25 anos e De mãos dadas, 15 anos.
5)     Duarte e Toni são pessoas simples, do povo, interessados em trabalhar e ganhar seu sustento
6)     Duarte e Toni não se envolvem em questões políticas, mas são envolvidos pelos eventos históricos de suas cidades, e participam deles de alguma forma (Duarte mais ativamente do que Toni, que é levado)

É claro que nada disso explica o grande número de páginas de ambas, pois O canhoto também é um romance histórico de longa duração (sete anos), com um protagonista do povo envolvido meio contra-vontade nos fatos históricos de sua época. Mas também não estou procurando justificativa para nada. E o motivo de tantas páginas é muito simples: algumas histórias são maiores do que outras mesmo, e não há nada de mais nem em ser grande nem em ser pequena.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

BONECAS DE PAPEL

Sempre gostei muito de brincar de boneca. Susies e bonecas menores, bichinhos de látex, bonecas de papel. As bonecas formavam grupos familiares e de amigos e interagiam entre elas, em tramas que iam se construindo durante a brincadeira, que muitas vezes durava dias e semanas.
Na infância, a brincadeira era concreta. Era necessário manipular a boneca, articulá-la, fazê-la andar, pegar coisas, se mexer, para que a ação acontecesse. Ora, bonecas de papel não são articuláveis, e nem mesmo ficam de pé sozinhas. Elas não têm a corporeidade de uma boneca de plástico. Então algumas ações executadas pelas bonecas de papel, pela impossibilidade de acontecerem de fato, aconteciam apenas na minha imaginação, e mediadas pela linguagem (eu dizia que a ação estava acontecendo e ela estava, pelo poder da minha palavra).
Mas a gente vai crescendo e abandonando os brinquedos. As bonecas de papel resistiram mais tempo. Eu tinha vários conjuntos de bonecas e, dependendo do humor, brincava com um conjunto ou com outro, e as histórias que eu construía com as bonecas na adolescência duravam dias, semanas e meses.
Lembro de uma época, na adolescência, em que eu apenas dispunha as bonecas no chão, uma do lado da outra, e a brincadeira acontecia toda mentalmente: eu olhava para a boneca, tocava nela, e tudo o que eu queria que ela fizesse acontecia dentro da minha cabeça. Até o dia em que eu não precisava mais manuseá-las, nem olhar para elas para que elas se mexessem e interagissem. Introjetá-las em minha mente me deu total liberdade para brincar com elas a qualquer hora do dia e da noite, para mudar a aparência e a personalidade delas.
E até hoje, quando não estou escrevendo nada, recupero Pedrinho & Lisa (esses da foto) na minha mente e brinco com eles e com os companheiros deles, inventando situações prováveis e improváveis. Às vezes a trama fica boa e eu transformo em história. Troco os nomes, modifico a aparência e pronto: elaboração de personagens concluída.

A brincadeira começou concreta e foi ficando abstrata. Ganhou estrutura literária e forma escrita. Muita coisa mudou na maneira de caracterizar as personagens. Mas, para mim, escrever romances é como brincar de bonecas de papel: uma brincadeira levada a sério, ou uma atividade profissional divertida como uma brincadeira favorita.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

CLÍMAX

O clímax é a cena principal de uma história. É a cena em que o conflito se resolve, de um jeito ou de outro. Tudo o que aconteceu desde o início da história deve conduzir ao clímax e, depois dele, só resta arrematar todas as pontas e encerrar a história.
Por ser a cena mais importante, ela deve ser plena de ações e/ou emoções para as personagens, de forma a empolgar o leitor. Nos contos, o clímax em geral é o final da história. Nos romances, nem sempre. Nos romances, após o clímax, em geral há uma parte de ação descendente, até se chegar ao final. É uma característica minha fazer longos desfechos porque sempre tenho muitas pontas a arrematar – dar solução à vida de todos os secundários.
A cena do clímax, em De mãos dadas ficou com 11 páginas, e levei sete dias para escrevê-la inteira, com todas as releituras necessárias, correções, reposicionamento de falas. Agora é só conduzir Toni e Rosa ao final da história, projetando para o futuro, sem esquecer de resolver a vida das outras personagens. Estou na página 650 e, dada minha característica de escrever desfechos longos – e porque há muitas pontas a arrematar – acho que acabo de escrever com mais umas 300 páginas.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

E O FUTEBOL?

Tenho andado pesquisando a história do futebol no Brasil e, mais especificamente, em São Paulo. É que o esporte popularizou-se no início do século XX, justamente a época em que Toni está vivendo, então achei que ele devia se envolver em mais esse conjunto de fatos históricos. Portanto, graças a um novo amigo, Toni agora é jogador de futebol. Ah, mas não é assim que ele vai ficar rico, pois, nesse início histórico, o futebol era amador, então ele joga apenas para ajudar o time. Para falar a verdade, ele participa dos treinos mas raramente é escalado para os jogos porque há outros jogadores melhores do que ele nos chutes, nos dribles e nas caneladas. Mesmo assim, é interessante pensar que Toni e Arthur Friedenreich se encontraram pelos campos, e correram atrás da mesma bola. Escrever esse tipo de situação, incluindo a história real na minha ficção, é algo realmente irresistível, e Toni vem me dando uma oportunidade atrás da outra – e eu estou cuidando de aproveitar todas!
Só para dar um gostinho de tudo o que estou aprendendo, este é um resumo da história do Club Athletico Paulistano, um dos maiores e mais importantes times de futebol das primeiras décadas do século XX. Era o clube preferido da elite da cidade, e venceu o Campeonato Paulista onze vezes até 1930, quando encerrou sua participação nos campeonatos – era a época em que o futebol se profissionalizou, e o Paulistano decidiu ser fiel às origens do esporte no Brasil, permanecendo amador.
Há também a história do Corinthians, do Palestra Itália, do Ipiranga, do Internacional, do Mackenzie, do São Paulo Athletic Club. Seria assunto para muitos outros textos, mas meu foco não é o futebol, e sim o reencontro de Toni e Rosa, que acontecerá daqui a alguns capítulos – está cada vez mais próximo agora.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

NÃO É A PRIMEIRA VEZ

Devagarzinho, com paciência, cheguei à página 500 da História de Toni, depois de pouco mais de dois anos e quatro meses que comecei a escrevê-la. Engraçado pensar no Toni das primeiras páginas e compará-lo ao Toni da página 500. É porque, também, nessas 500 páginas passaram-se onze anos. Ele cresceu e amadureceu; chegou à idade adulta e decidiu o rumo de sua vida.
Não é a primeira vez que chego a 500 páginas num romance, mas isso também não é um fato corriqueiro, como escrever 50 ou 100 páginas. Não, não e a primeira vez que tenho um romance que ultrapassa 500 páginas: é a segunda. Só Construir a terra, conquistar a vida rendeu tanto. E agora, por coincidência ou destino, num momento da minha vida em que eu não estou tendo tempo de me dedicar à literatura tanto quanto gostaria, me vejo envolvida ao mesmo tempo com as duas maiores histórias de toda a minha carreira. Está muito difícil conciliar as necessidades enormes das duas mas, “devagar e sempre”, eu vou conseguindo o que eu quero.
Escrevi a página 500 da História de Toni inteira no mesmo dia 8 de outubro. Estamos em maio de 1926 e Toni está falando da Rosa para um amigo. A segunda fase vai se aproximando do fim e eu já estou feliz com Toni, pelo reencontro com a Rosa, previsto para 1 de fevereiro de 1927, o início da terceira e última fase da história. Muito conflito ainda pela frente, muita revolta, muito sofrimento. Tem mais alguém torcendo por um final feliz para esses dois?

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O ANTI-HERÓI

Estou há tempo ensaiando para falar desse tipo de protagonista. Andei pesquisando conceitos e exemplos mas não encontrei muita informação conclusiva. Todos preferem falar do herói, aquele sujeito sem graça que abarca todas as qualidades da face da terra e que salva o mundo todos os dias. O anti-herói, perto do herói, é asqueroso e desprezível. Tenho uma queda pelos desamparados, talvez por isso prefira os anti-heróis.
Todos os meus protagonistas são anti-heróis. Não que sempre lhes falte caráter (característica apontada como necessária para alguns conceituadores) mas eles têm uma série de defeitos: sentem medo, sentem raiva destrutiva (e não a indignação mobilizante dos heróis), têm dúvidas, erram, choram, caem, pedem desculpas; são muitas vezes gananciosos, interesseiros, falsos, mentirosos, inescrupulosos, embora confiáveis, amorosos, fiéis a seus ideais. Por isso, pode acontecer de eles serem confundidos com antagonistas – como eu mesma fiz, analisando a personagem Curt Legrant neste texto. Na verdade, ele é o protagonista da história mas, por ser um anti-herói, ele acaba parecendo antagonista de Karl. O mesmo acontece com Ninette, que é, sim, protagonista de sua história. Dessa forma, Karl e Estienne ficam mesmo com o papel de co-protagonistas, na função de “pequenos” (ver texto sobre Grande e pequeno) e, na verdade, eles também são antagonistas, pois impedem Curt e Ninette de alcançarem o poder que almejam.

O anti-herói está mais próximo da pessoa real do que o herói. E eu gosto das pessoas reais, que têm defeitos e problemas. Acho que construir anti-heróis me ajuda a dar verossimilhança à história, pois a vida no passado (o que eu gosto de fazer) não era um conto-de-fadas, mas vida de verdade, de pessoas humanas como nós.

terça-feira, 11 de junho de 2013

FUNERAIS

Embora haja bastante mortes nas minhas histórias, não faço muitos funerais. Eu meio que simplifico dizendo simplesmente que tal pessoa foi enterrada, mas sem falar de caixão, velório, cemitério.

O maior de todos, que é a história com maior número de mortes, não tem nenhum funeral completo, apenas narrações simplificadas. Acho que a primeira cena de funeral com velório e enterro acontece em Construir a terra, conquistar a vida e, a partir de então, é mais comum eu detalhar o ritual – mas não é regra. E aí é interessante notar a diferença entre o funeral de uma personagem secundária ou terciária e o funeral de uma personagem protagonista – sim, tenho mais de uma história em que o protagonista morre no final e, em uma delas, o funeral é detalhado. Quando morre uma personagem secundária ou terciária, o morto fica lá, quietinho, sem outra função que ser lamentado (ou não) pelo protagonista. Mas, nessa história em que eu conto o funeral do protagonista, a personagem, embora “lá, quietinha”, continua sendo determinante das ações das outras personagens; continua, portanto, carregando a trama, embora sem falar nem se mexer. É aquele tipo de situação em que se fica com a impressão de que a pessoa a qualquer momento vai levantar dali e sair andando, que, se a gente olhar por bastante tempo, uma hora a pessoa vai se distrair e respirar. Chorei muito no funeral desse protagonista (que, é claro que eu não vou dizer quem é) e espero ter feito de forma que o leitor se emocione também. Certo, leitor, não precisa chorar, basta lamentar essa morte e já fico satisfeita.

terça-feira, 21 de maio de 2013

TEXTOS NOVOS, IDEIAS VELHAS


Nos últimos seis anos, tenho tido poucas ideias novas para escrever histórias. O que tenho feito é retrabalhar ideias antigas e escrevê-las (ou não). Alguns textos são sobre ideias que já foram escritas em algum momento (À procura, O canhoto, Não é cor-de-rosa); outros, sobre ideias que ainda não tinham tido um bom desenvolvimento (Rosinha) e que, por isso, ainda não tinham virado texto. Quando a ideia é boa e eu consigo dar corpo e consistência a ela, torna-se um texto bom (O canhoto, Não é cor-de-rosa, é cedo para falar de Rosinha) mas, quando falta a consistência, mesmo a ideia sendo boa, o texto não se sustenta (À procura).
É interessante pensar que estou retomando ideias de vinte, vinte e cinco anos atrás para escrever, por falta de ideias novas. Às vezes a impressão que tenho é de que tive um boom criador no início da carreira e esse momento passou. Talvez eu já tenha inventado tudo o que podia; talvez eu tenha tido todas as ideias logo no começo e não tenha me restado mais nenhuma. Fica aquela sensação de “será que minha capacidade para ter ideias acabou? E se eu nunca mais tiver uma ideia nova? Como vou continuar escrevendo se não consigo mais ter ideias para novas histórias?” Às vezes penso em entrar em crise por causa disso, mas há tanta coisa interessante ainda por aproveitar que acho que vou deixar para me desesperar mais pra frente, quando as boas ideias já tidas acabarem, e eu não tiver mais nenhuma boa ideia nova. Isso deve levar ainda uns bons anos afinal, se apenas 10% de todas as 309 ideias que registrei na minha tabela forem boas o bastante para se tornarem texto, e considerando que já escrevi apenas vinte bons textos (sobreviventes), ainda me restam onze ideias para trabalhar, desenvolver e escrever. Como ultimamente tenho levado mais de um ano para escrever cada história, tenho “combustível” para quase vinte anos de trabalho. E a verdade é que não faz diferença se tive a ideia da trama há um mês ou há vinte anos: o “filho” é meu do mesmo jeito.

sábado, 11 de maio de 2013

ROMANCE DE ÉPOCA


Um alerta do Google me levou ao site Ler é o melhor lazer, de minha xará, para ver o texto que ela publicou explicando a diferença entre romance histórico e romance de época. Segundo ela, ambos são escritos no presente, com ambientação no passado, mas um romance é histórico quando há fatos históricos citados no romance; e um romance é de época quando não cita os fatos históricos mas se propõe apenas a reconstruir a realidade e a visão de mundo daquela época.
É claro que fiquei curiosa para classificar meus romances e cheguei a uma conclusão: de todos os meus romances ambientados no passado, são romances históricos Pelo poder ou pela honra, O maior de todos, Construir a terra, conquistar a vida, O canhoto, Rosinha; e são romances de época O destino pelo vão de uma janela, Primeiro a honra, A noiva trocada, Vingança, Não é cor-de-rosa. O capítulo II de Amor de redenção, que acontece no passado, estaria também na classificação de romance histórico.
Interessante perceber o equilíbrio dessa divisão (seis romances históricos; cinco romances de época). Acho que meus romances de época têm uma leveza maior, provavelmente pela falta de compromisso com os eventos registrados pela história. Por outro lado, a presença dos eventos históricos na trama dá maior verdade e dramaticidade a meus romances históricos. Qual eu gosto mais de fazer? Os dois. Adoro a complexidade que a presença dos fatos reais dá aos romances históricos e também adoro o desafio de contextualizar os romances de época sem usar os fatos históricos. Se a trama estiver no passado, a história já me agrada. Não que eu não goste de ambientar romances no presente; mas o passado tem um sabor especial para mim.
Outra coisa que achei interessante foi que, para mim, os dois tipos requerem a mesma qualidade e quantidade de pesquisa e trabalho de contextualização. Usar ou não fatos e personalidades reais não é decisão minha, mas necessidade da trama.
Rosinha não era para ser um romance histórico. Não é como O canhoto, que tem já na sinopse que “Nicolaas participa da Terceira Cruzada”. Mas eu não posso ver uma revolução acontecendo em São Paulo que já ponho o pacato Toni sofrendo seus efeitos. Foi assim na Greve Geral de 1917 e na Revolução Paulista de 1924. Ainda bem que acabo a história em 1928, porque era bem capaz dele se ver forçado a combater na Revolução Constitucionalista de 1932. 

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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