quarta-feira, 21 de outubro de 2015
AULA DE TÉCNICA HISTÓRICA
domingo, 21 de junho de 2015
SOBRE A ESCRITA
domingo, 1 de fevereiro de 2015
É PRECISO SOBREVIVER À AÇÃO DESCENDENTE
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
FERRAMENTA
sábado, 1 de março de 2014
A VOZ DAS PERSONAGENS
segunda-feira, 1 de julho de 2013
REVISANDO CONSTRUIR A TERRA, CONQUISTAR A VIDA
quinta-feira, 11 de abril de 2013
SEM ASSUNTO... OU DICAS PARA ESCREVER MELHOR
quinta-feira, 1 de março de 2012
CRÍTICA LITERÁRIA
Não pretendo explicar aqui o que é crítica literária, nem como se faz. Afinal, não sou crítica, sou escritora. Quero falar dos novos escritores, e de como eles reagem às críticas recebidas.
Hoje em dia, com a Internet, é muito fácil disponibilizar para o mundo o que se escreve: basta construir um blog, o que é simples, já que até eu consegui montar um. E, após fazer o blog, o autor cuida de divulgá-lo em comunidades literárias, onde outros novos escritores e escritores mais antigos se encontram. Os jovens escritores – em geral jovens de idade e jovens de métier – buscam comentários para seus textos. Querem saber o que está bom e o que está ruim, como podem melhorar. Mas, muitas vezes, eles têm tanta convicção de seu valor pessoal e literário (o que é natural, afinal, ninguém está escrevendo algo ruim) que não conseguem lidar com uma opinião negativa, ou ficam travados ao descobrirem que cometem erros gramaticais, e que seu texto maravilhoso não está bom. Os mais imaturos culpam a crítica, alegando que o leitor não entende nada de literatura e, por isso, não soube apreciar a perfeição que foi escrita. Outros, mais maduros mas que escrevem por diversão e não por necessidade, percebem que não levam jeito para “a coisa” e desistem da carreira, antes mesmo dela começar. Vão arrumar um emprego e cuidar da vida, que “essa coisa” de escrever, ainda por cima, nem dá dinheiro. Só alguns poucos, os verdadeiros escritores, vão se decepcionar com o próprio texto, duvidar do próprio talento, pensar, refletir e crescer. É como se a crítica derrubasse todos, mas só alguns conseguissem se levantar. E, quanto mais você cai, mais forte você se levanta, e vai ficando cada vez mais difícil cair de novo – a crítica também tem que melhorar muito para conseguir promover naquele autor um novo momento de parada e reflexão.
Participo de vários grupos de discussão e comunidades de literatura no Facebook, no Orkut, no Skoob, e ainda alguns independentes (como o Escreva seu livro, meu favorito) e tenho visto muitos casos de adolescentes e jovens que resolveram escrever um livro. Fico a me perguntar quantos desses são escritores de verdade, e quantos desistirão ao ouvirem pela primeira vez “você precisa melhorar isto, isso e aquilo”. Tenho lido textos desses jovens autores, e percebo talento em vários deles: uma narrativa empolgante, uma trama instigante. Mas, como é improvável alguém ser brilhante logo no primeiro texto, muitas vezes falta uma caracterização consistente para as personagens, a contextualização pode estar fraca, os diálogos não acrescentam nada, para ficar só em alguns aspectos literários, pois considero correção gramatical uma obrigação óbvia. Fico triste quando vejo um desses desistir, deixar o blog largado e sumir das comunidades. Mas, por outro lado, fico feliz quando um outro comenta que está estudando e melhorando o texto. Diante disso, a crítica acaba funcionando como um filtro, que descarta os fracos e dá convicção aos fortes.
É tão bom ter pares com quem trocar idéias... Quando eu comecei, não encontrei um escritor experiente para ser meu mentor, que apontasse minhas fraquezas, que me mostrasse o quanto eu precisava melhorar. Fui forçada a desenvolver a autocrítica e ser mentora de mim mesma. Ler, reler, analisar, criticar, apontar todos os defeitos, destruir as personagens, destruir a trama, destruir o texto, jogar tudo fora. Apanhar de alguém dói bastante. Apanhar de si mesmo dói mais ainda. Mas, quando você aprende a destruir seu próprio texto, fica mais fácil saber construí-lo direito. Você desenvolve seu estilo com o que você acha certo, sem dependência de uma opinião externa.
Como tenho lido e comentado textos de autores mais jovens, me sinto um pouco mentora deles também (ou tutora, como disse um deles). Fico feliz com esse papel, pois me dá oportunidade de ajudar outros autores a se tornarem escritores melhores. Ah, a vaga de meu mentor ainda está aberta para escritores tão ou mais experientes do que eu. Alguém se habilita? Aceito também críticas e opiniões de autores menos experientes e de leitores, afinal, todo mundo sempre tem algo para ensinar e eu ainda tenho muito para aprender e crescer.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
QUANTO DETALHAR
Mesmo assim, a história real era passiva, era um cenário a ser visitado, e não um redemoinho que carregasse minhas personagens em sua passagem. Foi somente em Construir a terra, conquistar a vida que as coisas começaram a se entrelaçar, pois Duarte veio para o Rio de Janeiro para lutar contra os franceses, na batalha que ficou conhecida com o nome de Uruçumirim. Duarte viu Estácio de Sá cair atingido pela flecha que o acertou no rosto; Duarte foi ao enterro de Estácio de Sá; Duarte construiu sua casa nova no Morro do Descanso, no terreno que Mem de Sá lhe cedeu. Depois, quando os franceses voltaram, e estavam em Cabo Frio, Duarte foi atrás deles, enquanto seus filhos patrulhavam a praia. Tudo o que aconteceu na cidade teve a participação efetiva de minhas personagens. Tenho muito orgulho do que consegui realizar.
O canhoto também tem esse entrelaçamento, inclusive com a participação de pessoas que existiram de verdade, e o principal evento de que minhas personagens participam é a Terceira Cruzada. Não é toda história que pede esse tipo de trabalho. Alguns romances são mais fechados, e uma ambientação básica já cumpre seu papel. Em outros romances, entretanto, a cidade, com sua história e geografia, também é personagem, e a narrativa fica mais aberta a interferências da realidade. Minha história atual é assim. Já inclui a Greve Geral de 1917, e informações sobre a Grande Guerra, em que o Brasil ingressou em 1918. Faltava contar a Gripe Espanhola, também em 1918, mas achei que a narrativa estava meio arrastada, e eu estava demorando muito para avançar, então resumi o episódio da Gripe em um parágrafo e entrei feliz em 1919, contando sobre o novo emprego de Toni. Mas, cada vez que eu relia, me batia um desconforto de pensar “parece que a Gripe foi só isso, e não a tragédia que foi”. Uma amiga minha resumiu meu sentimento “Você já passou pela Gripe Espanhola e nenhum personagem seu morreu? Não pode”. De fato, não pode. Se as personagens foram para as ruas na Greve Geral de 1917, se estão pagando caro pela comida por causa da Grande Guerra, elas também precisam pegar Gripe Espanhola. Então voltei para contar como minhas personagens enfrentaram uma das maiores epidemias da época, que vitimou mais de 35 mil pessoas em todo o Brasil, incluindo Rodrigues Alves, o presidente eleito, que morreu em janeiro de 1919, antes de ser empossado para seu segundo mandato. Mas quem matar? Quem poupar? Já me apeguei às personagens secundárias que se destacam mais, e não tem graça matar quem não tem importância, pois não fará falta na história. Também é preciso decidir se Toni será infectado ou não, e como a doença progrediria nele, que é a personagem principal. Muitas questões a definir, em nome da verdade do texto.
sábado, 21 de janeiro de 2012
PESQUISA HISTÓRICA
Cheguei ao setor de periódicos da Biblioteca Nacional e perguntei como procurar o que eu precisava. A moça que me atendeu explicou: pelo título da publicação. Hein? Pelo título? Mas eu não faço ideia de qual é a publicação que me serve. Mas afinal o que eu quero? Jornais publicados em São Paulo em 1918 (arbitrei a data, considerando a Grande Guerra) que tenham classificados. Eu já tinha feito esse tipo de pesquisa para Tudo o que o dinheiro pode comprar, e achei uma boa estratégia para repetir. Na época, eu procurava a cotação do café para exportação, e ofertas de escravos à venda, para calcular a receita de Miguel, e quanto ele poderia dar de mesada a mulher, por exemplo. Desta vez também, a funcionária, experiente, logo se lembrou de algo e me trouxe três rolos de microfilme do jornal O Estado de São Paulo em 1918. Eu pulei todas as notícias e li apenas os classificados de algumas edições de janeiro e algumas edições de abril. É fantástico, pois encontrei anúncios de oferta de casas para vender e para alugar; roupas masculinas e roupas de cama, mesa e banho; vagas em pensões; e também ofertas de emprego, quando descobri que a informação de R 5$000 que eu tinha se referia à diária, e não a um salário mensal. Descobri também quanto custam ingressos para o cinema e para o teatro; livros, revistas, exemplares e assinatura do jornal. Com essas informações, pude calcular os salários de Toni em seus vários empregos, as despesas dele de estadia e alimentação, e também despesas avulsas, como roupas novas e diversão. É claro que arbitrei quanto custam as coisas que ele paga, mas com uma base de realidade sólida. Se a pensão do anúncio cobra entre R 70$000 e R 80$000 por mês, Dona Luizinha pode cobrar R 68$000; se cada refeição da pensão do anúncio custa cerca de R $600 (seiscentos réis), Dona Luizinha pode cobrar R $640 (seiscentos e quarenta réis, ou dois cruzados). Se uma loja chique cobra R 4$600 por uma camisa, Toni pode comprar numa loja popular por R 1$500. Bem, eu precisava também saber se ele teria sempre dinheiro para pagar suas contas, então montei uma tabela de receitas e despesas, e ajustei os salários e o tempo dele em cada emprego para que ele tenha – ou não – como pagar suas despesas entre 1915, ano em que ele chega em São Paulo, e 1922, quando ele receberá uma proposta de emprego imperdível, desde que... Não vou contar, né?
Faltava só uma informação, que não consegui encontrar nos classificados: o preço da passagem de trem para ele voltar para a casa dos pais em São Carlos. Ajudou-me a Internet, ao me jogar na página do governo do Estado de São Paulo, que já digitalizou documentos governamentais, inclusive do início do século XX, onde encontrei os decretos de aumento de preço. Então agora essa parte financeira está resolvida, e não preciso mais deixar buracos no texto, esperando pela informação. Agora é só organizar meu tempo, para poder escrever mais rápido.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
DIÁLOGOS
O uso de diálogos é, portanto, uma ferramenta importante não apenas para fazer as personagens se comunicarem, mas também para passar informações para o leitor de uma forma interessante, quebrando a monotonia da voz do narrador.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
CONTEXTUALIZAR
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
ANTES DE COMEÇAR – O PROJETO
sábado, 1 de outubro de 2011
AMADURECER O AUTOR
Quando eu comecei a escrever, lá no final do século XX, não existia computador pessoal, e a Internet ainda era uma admirável forma de comunicação entre universidades e talvez alguma outra instituição ou empresa. As chances de você encontrar um colega escritor – iniciante ou experiente – eram bem escassas. Para agravar meu isolamento, eu morava em São Luís – MA e, embora se diga que “quem dorme em São Luís acorda poeta”, eu não tive o prazer de conhecer nenhum escritor nos cinco anos em que morei lá. Além do mais, eu era uma adolescente tímida, com muito pouca vida social, e não me lembro de eventos literários acontecendo na cidade.
É bem verdade que, aos 18 anos, eu estava no Rio de Janeiro, cursando Educação Artística e participando de tudo o que podia: vernissages, exposições, palestras, peças de teatro, filmes, óperas, concertos. Mas era difícil encontrar os pares literários. Autores experientes dão palestra mas, em geral, não se interessavam por ouvir uma adolescente principiante.
Mas essa historinha é para dizer que eu não tinha outros escritores a quem mostrar meus primeiros escritos, como vejo acontecer hoje, graças à Internet. Minhas amigas queridas adoravam tudo o que eu escrevia (ou não) mas não tinham experiência nem de vida nem de literatura para me indicar falhas, defeitos, incoerências, erros. Eu tive que aprender sozinha. Em 1989, quando eu fiz a primeira avaliação dos meus textos, eu percebi como eu havia melhorado, como eu estava mais experiente e amadurecida, e como muitos textos não resistem ao tempo, enquanto outros – os melhores, é claro – só precisam de ajustes para continuarem sendo considerados bons.
Quero dizer com isso que o que me fez chegar onde estou não foi a crítica alheia, mas a minha própria crítica. Então, quando hoje vejo novos escritores pedindo comentários dos outros, fico pensando se a opinião externa é assim tão importante. Isso porque os leitores podem até apontar algumas questões pertinentes, mas cabe ao escritor refletir sobre suas fraquezas e encontrar seu caminho sozinho. Amadurecer é um processo solitário, como comer, sentir, nascer, morrer. Ninguém pode fazer isso por você e, se você não estiver pronto, nenhuma opinião externa vai ajudar. Crescer é um processo lento e sofrido, e algumas pessoas não suportam a dor – por isso não conseguem crescer. Dói olhar para trás e ver que muito do que eu fiz era ruim. Dói descartar vidas que eu vivi, filhos queridos que tão boa companhia me deram. Mas, se a trama é inconsistente, se a caracterização das personagens é falha, se o texto não foi bem trabalhado – e agora sou capaz de perceber tudo isso! – então não adiante mantê-las com vida. Aos poucos, a gente aprende também a superar as perdas; a levantar após cada queda e seguir adiante; a amar os mortos porque um dia estiveram vivos, em vez de lamentar por não estarem mais vivos.
Essa é a minha trajetória. Aprendi apanhando de mim mesma; lendo e relendo meus textos e criticando-os mais severamente do que qualquer leitor faria; escrevendo e re-escrevendo, quase doentiamente, até que meu público-alvo (eu mesma) ficasse satisfeito com o resultado.
Sorte de quem está começando agora ter a Internet tão cheia de grupos e oportunidades, e poder encontrar pessoas com quem trocar idéias e leitores que indicam pontos inconsistentes a serem melhorados. Com essa ajuda, esses jovens poderão re-escrever mais, e assim alcançar mais cedo um bom nível de maturidade. É claro que precisam ser humildes para aceitar a opinião de outra pessoa, precisam refletir sobre as questões apontadas e buscar as melhores soluções. Mas não basta mudar uma passagem porque alguém falou. Não. É preciso compreender porque foi feito daquela forma, como corrigir (se for o caso) ou como justificar que tenha sido feito daquele jeito; e como evitar o erro (ou aprender a justificá-lo) no futuro. Não tem jeito: amadurecer é um processo individual e solitário.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
AMADURECER O TEXTO
Tenho muita desconfiança das pessoas que acabam de escrever um livro e já saem procurando publicação – quando não publicam os capítulos em seus blogs particulares, à medida que vão escrevendo. Eu não consigo. Não considero que o texto esteja pronto quando se põe o ponto final. Acho que essa é a hora em que o trabalho vai de fato começar. Acho que nesse momento estamos diante de um diamante bruto, que ainda precisa ser bem lapidado e polido para que se torne um brilhante da melhor qualidade.
Ultimamente tenho visto alguns textos de colegas de comunidades que parecem exatamente isso: belos diamantes, mas em estado bruto. A pressa na publicação e no retorno dos leitores (“comentem por favor”) faz que os textos sejam publicados até com erros de digitação e gramática. Às vezes a compreensão da mensagem fica prejudicada por um texto truncado, mal pontuado e mal explicado. Acredito que na maioria das vezes isso acontece porque o botão “Publicar” é apertado antes que o autor releia o que digitou. Isso é muito grave, pois essas pessoas estão considerando que seus textos recém-escritos estão prontos: que seus diamantes são brilhantes. Então recebem comentários vagos de “que lindo”, ou “adorei”, ou o extremo oposto “que porcaria”, ou “aprenda português antes de escrever”. Quando eu comento, procuro apontar as inconsistências, e que há erros de português. Às vezes são coisas simples, que bastava o autor reler para corrigir. Então essa pressa expõe o autor ao público com um texto que ainda não está pronto, que ainda tem muito o que melhorar.
Quem faz isso, em geral, são pessoas que estão começando agora, e estão ainda procurando seus caminhos e descobrindo o próprio estilo. É preciso não apenas ler, mas reler, re-escrever, afastar-se do texto para depois retomá-lo, analisar sintaticamente e estilisticamente, procurar clichês e sempre que possível eliminá-los, afastar-se novamente, retomar, analisar tudo de novo, buscando sempre aproximar o texto da perfeição.
Nossa, mas isso é trabalho para meses! –alguém poderia observar. E eu respondo: SIM! Todo o processo de criação, escrita e amadurecimento pode levar na verdade ANOS! E então eu pergunto: há algum problema nisso? Você não gosta do seu texto? Quer livrar-se dele o quanto antes? A publicação no Brasil é difícil, então é melhor você chegar na editora com um texto que encante o editor e não dê trabalho para virar livro.
Sei que minha escolha é um pouco extrema, pois posso levar meses elaborando e fazendo a pesquisa prévia; depois posso passar mais de um ano escrevendo; depois de pronto, o texto fica guardado por um ano (o tempo que eu preciso para esquecê-lo), e só depois eu releio, avalio, analiso, digito re-escrevendo, releio, e ele fica guardado até chegar a vez de ser publicado. Enquanto isso, continuo relendo, corrigindo, re-escrevendo o que for necessário. Acho que eu me sentiria confortável em procurar publicação para um texto meu somente um ano depois de tê-lo digitado, pois minha fase de polimento só começa após a digitação. Isso significa pelo menos dois anos depois do ponto final. Por sorte (na verdade, por circunstâncias várias), tenho uma longa fila de publicação e meu próximo livro a ser publicado (A noiva trocada) foi escrito em 1996 e vem sendo lapidado e polido desde então, o que me deixa tranqüila de que ele está mesmo pronto para ser publicado.
Outros textos relacionados:
domingo, 11 de setembro de 2011
A MATURIDADE
Um dia, numa das minhas comunidades literárias favoritas, me irritei e meio que “subi nas tamancas”, e por isso resolvi escrever um texto sobre o assunto, mas acabei escrevendo três textos relacionados (este e mais Amadurecer o texto e Amadurecer o autor). A motivação desses textos é que tenho lido muitos textos de jovens colegas que encontro nas comunidades do Orkut e em outras comunidades e fori, que estão começando suas trajetórias agora e acabo ficando indignada com um ou outro, pois demonstram ser talentosos, com idéias interessantes, mas se apressam em mostrar textos recém-escritos, não revisados, inconsistentes e até incoerentes. Eu acabo me sentindo na obrigação de dizer “colega, sua idéia é ótima, mas o texto deixa a desejar”. O conteúdo é bom mas a forma atrapalha. É o trabalho da língua escrita – o objetivo da profissão do escritor! – que puxa o tapete da juventude. Isso acontece pela falta de hábito de escrever – sim, porque estão começando agora! São pessoas com dois ou três anos de carreira, talvez até menos! E foi essa minha indignação que me levou a refletir sobre como amadurecer um escritor e como amadurecer um texto. Como eu não sei da vida dos outros, tratei de pensar na minha vida, e em como esse processo de maturidade vem acontecendo comigo. Por gostar de números e tabelas, levantei a informação de quantas histórias eu já escrevi na vida, para ter chegado no ponto em que cheguei. Devo confessar que os números me surpreenderam, porque eu não esperava tanto. Eu já escrevi 51 histórias completas, e 12 delas tiveram uma segunda versão completa escrita; e 19 histórias ficaram incompletas, algumas com mais, outras com menos páginas. Ou seja, no total já escrevi 82 textos, sendo 63 completos, com começo, meio e fim. E eu tenho apenas 20 histórias sobreviventes, o que significa que, das 63 completas, só 32% se salva e 68% é porcaria.
É claro que não se pode generalizar, e o fato de eu escrever muitos textos ruins não significa que todo mundo escreva também. Mas acho que essas contas servem para mostrar a meus colegas com menos experiência que dificilmente alguém pode ser brilhante todo o tempo; e que encontrar defeitos em seu próprio texto não indica que você é mau escritor, ou que você está fadado ao fracasso. Ao contrário, acho louvável ter humildade de reconhecer seus erros, suas fraquezas, seus enganos – e escondê-los do mundo! Não mostro tudo o que já escrevi, apenas o que eu considero o melhor. Outra conclusão que se pode tirar é: prepare-se para descartar seus primeiros textos (ou re-escrevê-los), porque dificilmente serão os melhores.
Penso que a prova de fogo de um escritor é descartar seu primeiro texto. Quando alguém relê seu primeiro texto e o considera ruim, então há esperança de que se torne um bom escritor, pois já conseguiu um passo de amadurecimento e autocrítica. É por isso que eu sempre sugiro aos colegas: ESCREVA! Escreva sem parar, escreva tudo o que vem à cabeça. Só se aprende a escrever escrevendo. Fazer cursos, ler livros, trocar idéias com os pares pode ajudar mas é a sua intimidade com o seu texto que vai fazer você crescer.
domingo, 21 de agosto de 2011
ROMANCE, NOVELA, CONTO, CRÔNICA
Não vou falar nenhuma novidade, e inclusive há sites, livros e textos que explicam mais detalhadamente as características desses quatro gêneros de prosa literária. Mas achei importante começar essa fase didática por um aspecto mais geral para depois começar a falar mais especificamente do romance, e de como é, para mim, escrever um romance.
Romances e novelas costumam ser mais longos do que contos e crônicas mas as diferenças principais estão na estruturação e na forma de se escrever cada um deles. O tamanho é conseqüência da estrutura, e não causa.
A crônica, em geral, é um texto curto, baseado em algum aspecto pitoresco da atualidade ou da vida cotidiana. Pode contar uma história ou ser apenas uma reflexão sobre algum evento. Portanto, pode ter personagens ou não. A linguagem é, em geral, leve, fácil e bem-humorada. Mesmo se a crônica contar uma história fictícia, a relação com o cotidiano permanece e a caracteriza.
A característica principal do conto é sua unicidade estrutural. Há apenas um aspecto a abordar, o que produz as outras características: poucas personagens, em geral planas; trama única; unidade temporal; unidade espacial. É uma narrativa rápida, que, por ser breve, precisa ser interessante do começo ao fim. Não há espaço para erros num conto. Há quem diga que, no conto, o mais importante é saber terminar, pois o final deve resolver, ou envolver, ou surpreender. O conto termina no clímax, e não depois (como muitas vezes acontece no romance). Escrever contos parece fácil. Escrever bons contos é bastante difícil. Há pessoas que acham que escrever contos é uma etapa na formação do escritor anterior a escrever romances. Eu não concordo. O trabalho do contista é diferente do trabalho do romancista. Conto não é “treino” para romance, nem vice-versa. Cada gênero tem suas características, suas especificidades, suas dificuldades, um modo de trabalho próprio, que requer do escritor certas características de personalidade e de atividade. É preciso ficar claro também que um romance não desenvolvido não é um conto. Ele só será conto se tiver a estrutura do conto. Outra coisa importante é que o conto precisa contar uma história: a trama (em inglês, plot) é um elemento fundamental e condição sine qua non. Foi por compreender tudo isso que eu parei de escrever contos.
A diferença entre romance e novela é tênue e é ponto de discussão mesmo entre os estudiosos. Há um acordo de que o diferencial é que a novela tem uma trama única e o romance tem, além da trama principal, várias tramas secundárias entrelaçadas, o que produz maior número de personagens e de ambientações. Diante disso, a novela seria um gênero a meio caminho entre o conto, com toda sua unicidade e objetividade, e o romance, com sua pluralidade e complexidade. Algo como um conto mais desenvolvido ou um romance simplificado. É importante não confundir o gênero literário “novela” com o gênero televisivo “novela”, pois são objetos com estruturas e características diferentes.
E finalmente temos o romance, com muitas tramas, muitas personagens, muitos ambientes, amplitude temporal e quantidade ilimitada de páginas para o autor escrever o quanto quiser. Por ser um texto em geral longo, o romance exige maior detalhamento na caracterização das personagens e ambientes, e a verossimilhança precisa ser mantida ao longo de toda a história. Por outro lado, o romance não precisa ser brilhante todo o tempo, mas pode ter partes mais interessantes e partes menos interessantes – no romance, há lugar para o erro e para a tentativa. Romance não é um conto longo, é um gênero específico. A mesma pessoa que me disse que no conto é importante saber terminar disse que, no romance, é importante saber começar. O primeiro capítulo é importantíssimo, pois é ele que vai apresentar o universo da ficção: quem são as personagens, qual é o ambiente, qual é o maior problema, que a personagem principal tem que resolver, e isso tem que ser feito de uma forma interessante (evitando o excesso de didatismo) para que o leitor queira ler o segundo capítulo. Por isso atualmente alguns autores estão preferindo começar o livro com uma cena de ação ou suspense, que chamam “Prólogo”, para só depois começar a contextualização necessária do primeiro capítulo, em geral usando o recurso do flashback.
Esta foi uma breve apresentação dos gêneros mais usados na prosa literária. Como isso é assunto de Teoria da Literatura, não me preocupei em dar detalhes. Há vários sites mais especializados no assunto e, na dúvida, quem tiver interesse pode começar o estudo pela Wikipedia mesmo: Crônica (literatura e jornalismo), Conto, Novela, Romance
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
JORNADA DO HERÓI
sábado, 11 de junho de 2011
DEUS EX-MACHINA
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Um pouco sobre mim
- Mônica Cadorin
- Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.
