Mostrando postagens com marcador Personagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Personagens. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de abril de 2015

FINALMENTE VAI NASCER EDUARDO

Quem será essa personagem que merece ter seu nascimento anunciado? É o filho de Rodrigo, o protagonista de meu próximo romance. Estou numa fase de organizar as informações e a estrutura da história e uma das questões a definir é o nome das personagens. Pensei em chamá-lo de Lucas ou de Tiago mas alguma coisa me dizia que esses nomes não seriam bons. Em vez de ficar quebrando a cabeça para resolver um problema, gosto de deixar o inconsciente aflorar para que ele resolva. Então parei de pensar em que nome daria ao menino. De repente, do nada (assim chamamos quando o inconsciente passa alguma informação à consciência), eu me lembrei que devo seguir uma tradição que criei, senão ela deixará de ser tradição.
Já expliquei essa tradição em outro texto mas vou repetir o princípio básico aqui: filhos de protagonistas nascidos durante a história recebem o nome do último protagonista que teve filhos. Até hoje, só fiz isso para os meninos. Hora de pesquisar como anda o nascimento de meninas... A tradição começou com Miguel Vasconcelos de Araújo, que foi pai de Ricardo, como Ricardo de Almeida. Depois Duarte Correia foi pai de Miguel. E depois disso (2002), nenhum outro protagonista teve filhos. Agora, finalmente, Rodrigo terá um filho. Não vou contar seu nascimento porque ele nasce no tempo entre o livro 2 e o livro 3. Mas é uma criança que nasce enquanto estou contando uma história, uma vez que a história de Rodrigo é um conjunto de três livros. Então, se o protagonista tem um filho, ele deve ter o nome do protagonista anterior. Não cabe, nos dias de hoje, em pleno Rio de Janeiro (época e local da história de Rodrigo), chamar uma criança de Duarte – essa forma do nome caiu em desuso por aqui (embora continue sendo usada em Portugal). Então vamos modernizar e abrasileirar Duarte e vê-lo transformar-se em Eduardo.
É uma alegria dar continuidade a uma tradição que é só minha e que, portanto, precisa de mim para continuar existindo. E o problema de que nome dar ao garoto foi facilmente resolvido: o filho de Rodrigo se chamará Eduardo. Assim também já fica decidido que, depois de Eduardo, o próximo menino que nascer se chamará Rodrigo.

sábado, 21 de março de 2015

OS FEIOS

Não gosto de personagens deslumbrantemente bonitas. Lembro que, quando comecei a escrever, todo mundo era príncipe ou princesa, e minha mãe chamou à atenção a inconveniência dessa coincidência. Imaginário de contos de fadas começa a criar assim. Aos poucos, fui conseguindo fincar os pés no chão (pelo menos um pouco) e começar a inventar personagens que são pessoas comuns. E pessoas comuns não são nem feias nem bonitas; são simplesmente comuns. Aprendi a colocar a beleza das personagens não nelas mesmas, mas nos olhos de quem as vê. Então tenho poucas personagens realmente bonitas – nem me ocorre o nome de nenhuma para citar aqui. Quando vou descrever as personagens, acabo falando de poucos detalhes, só do que realmente faz diferença para a história. Porque não importa se a personagem tem olho castanho ou azul: ela enxerga do mesmo jeito. Me prendo mais em cores do que em formas, e na maneira como as personagens usam seus atributos físicos – por exemplo, cabelo curto ou comprido, solto ou preso. Mas se isso for importante para a história, se ajudar a compor a personalidade da personagem.
Minha "feia" mais famosa é Inês, tida por feia inclusive pelo pai, pelos filhos e por ela mesma, mas cuja aparência muito encanta Fernão, o marido. Na verdade, é o que importa: que a beleza esteja nos olhos da pessoa certa.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

KARL E CURT / CURT E KARL


 São as personagens de O maior de todos que disputam o poder sobre o pequeno e frágil reino germânico de Durpoin. Quando eu sonhei essa história, Curt era a personagem predominante, que tinha que influenciar o Rei para salvar Lisbet, depois do acidente com a Rainha. Karl era apenas um menino com uma coroa na cabeça, alguém que não resistiria à persuasão de Curt. Senti a confiança de Curt em seu próprio poder, apesar das circunstâncias, e resolvi escrever a história para mostrar isso.
Quando eu escrevi essa história, Curt era a personagem principal, o protagonista, aquele que conduz, não apenas a trama, mas também o destino do reino e das pessoas que estão nele. Ele era o poderoso Curt Legrant, o conde que manda no rei, que domina o conselho dos ministros, e cuja palavra é lei. Karl era um jovem frágil, inexperiente, dependente de Curt, ansiando por libertar-se mas geneticamente predestinado à submissão, embora capaz de uma subversão em algum momento.
Quando analisei essa história, vi o conflito entre o grande e o pequeno, vi como Curt e Karl se alteram no poder, e vi que conseguir o que se quer nem sempre é o melhor que pode acontecer a alguém. Na minha leitura, Curt era o protagonista e o antagonista eram as circunstâncias. Karl era um terceiro, sem papel identificado.
Então veio o blog e, para produzir estes textos, novas análises foram necessárias. Explorei os aspectos que eu já tinha observado e fiz novas observações. O primeiro estranhamento foi quando tratei da Jornada do Herói. Outros protagonistas eram ou não heróis, mas aqui quem faz a Jornada é Karl, e não Curt. Depois falei dos protagonistas e antagonistas, e contrapus Curt a Karl em alternância, o que também é estranho, já que Karl não age contra Curt. Mas foi ao analisar os inimigos de confiança que uma nova luz se fez: o protagonista de O maior de todos é Karl. Curt é, na verdade, o antagonista. É Curt quem precisa ser detido em sua sede de poder; é Curt quem se opõe a que Karl reine plenamente, como rei recém-coroado que é. Curt não é um vilão, porque não faz maldades, e tem seus próprios problemas pessoais para resolver, aos quais dedica muita atenção. Mas o objetivo de sua vida é atrapalhar Karl e é isso o que ele faz todo o tempo, no papel de antagonista. E, por fim, quem subjacentemente está conduzindo a trama, quem soluciona o conflito de poder é Karl, num papel de protagonista que vai crescendo ao longo da história.
Dessa nova leitura, surgem novas questões, que vou contando aqui à medida que for conseguindo refletir sobre elas e elaborá-las.

domingo, 21 de novembro de 2010

LORENZO

Essa personagem foi um acidente de percurso no processo de re-escrita que resultou em O Canhoto. Diferente de Juan Miguel, que foi previsto e planejado, Lorenzo simplesmente aconteceu, apareceu, e de repente eu tive que decidir um destino para ele. Como hoje estou mais atenta a meu processo de criação, entendi o significado de Lorenzo quando ainda estava escrevendo a história.

Logo que ele apareceu, chamei-o de Giovanni, mas isso o colocaria a par dos três “joãos” da história, e essa não era minha intenção. Então considerei a devoção da cidade de Gênova a São Lourenço – tanto que a igreja matriz é dedicada a ele, e dei à personagem o nome de Lorenzo, que devia ser um nome bem comum na cidade.

Lorenzo é um homem de quase 40 anos (bastante maduro para a época em que a história está ambientada), solteiro, genovês, que mora na subida de um dos morros que cercam a cidade de Gênova. Ele é sustentado pela família, que o isolou ali porque a convivência dele com o resto do mundo era insuportável, pois Lorenzo tem deficiência no desenvolvimento mental, o que o faz ser comparado a uma criança de 5 anos.

Ele poderia ter passado toda a vida ali, na subida do morro, sem que ninguém soubesse dele. Mas ele entra na história quando Miguel precisa acomodar o cavalo de Nicolaas. Como o cavalo de Miguel é um guerreiro bem treinado, achei que não seria correto Miguel deixá-lo solto para se perder ou ser roubado. Na casa dele também não cabia. Então aparece essa figura que mora numa área não habitada da cidade e que faz o favor de tomar conta do cavalo de Miguel – e depois do cavalo de Nicolaas, que ele treina para a guerra como Miguel ensinou. Era uma necessidade da trama, sem dúvida, mas era também uma necessidade do meu inconsciente. Ele poderia ter qualquer conjunto de características – já que era uma personagem nova, sem importância, e que sairia da história antes do final. O que me fez decidir que ele teria uma deficiência?

Lorenzo foi inventado para cuidar do cavalo de Miguel e continuar em Gênova quando Miguel e Nicolaas fossem para a Cruzada, saindo assim da história. De repente, percebi que ele tinha gostado de ser útil, e não se contentaria em continuar sendo apenas “um retardado que mora na subida do morro”. De repente eu vi Nicolaas considerando a possibilidade de levá-lo à Terra Santa, como escudeiro e treinador dos cavalos. Vi Nicolaas louvar Miguel por ter ensinado ao retardado um ofício (treinar cavalos de guerra), e argumentar que, embora lento, Lorenzo era capaz, sim, de aprender e fazer coisas bem feitas. Miguel não teve muita escolha senão levá-lo, dando a ele a chance de ter uma nova vida, integrado à sociedade, com um ofício útil e a esperança de construir uma família e de viver como qualquer pessoa.

Nossa sociedade atual ainda é muito exclusiva (no sentido de “que exclui”). Evita o que é diferente, não aceita o que não consegue compreender, tem medo do que não pode controlar. Pessoas com deficiência são diferentes, incompreendidas e, às vezes, incontroláveis. Por isso estão sujeitas a todo tipo de pré-conceito de uma sociedade que, se pudesse, muitas vezes os desejaria isolados “na subida do morro”, de forma que não atrapalhem o desenvolvimento das atividades das pessoas “normais”, não constranjam as pessoas próximas com suas atitudes “esquisitas”, “inexplicáveis”, e sua aparência “alienígena” e às vezes “dismórfica”.

Lorenzo é minha segunda personagem deficiente (a primeira era uma moça cega numa história descartada), considerando que ser canhoto hoje em dia é apenas ser diferente da maioria (embora Nicolaas se considere deficiente por ser canhoto), e aparece num momento importante da minha vida, em que eu enfrentava a aceitação do autismo da minha filha, na época com quatro anos. As questões pontuais são diferentes entre Lorenzo e Maria Clara, mas a atitude de Miguel é a minha: aceitar a diferença e estimular o desenvolvimento pleno da pessoa, oferecendo oportunidades de aprendizagem e experiências de amadurecimento. Como fez Miguel com Lorenzo, espero também conseguir ensinar Maria Clara a integrar-se na sociedade e ter uma vida independente, em que sonhos podem ser sonhados e, quem sabe, alcançados.

Será que terei outras personagens deficientes? Será que terei alguma personagem autista? Não sei. Isso é algo que só meu inconsciente saberá dizer, e eu (consciente) só vou saber quando acontecer. Por outro lado, Maria Clara pode vir representada em qualquer tipo de personagem, pois o que está em jogo, nessas alegorias simbólicas que meu inconsciente cria, não é a caracterização exata, mas algum tipo de atitude (no caso de Lorenzo, é a aceitação e os ensinamentos de Miguel), um papel social, um relacionamento, às vezes um simples gesto – é o que permite que uma mesma personagem represente diferentes pessoas e papéis sociais da minha vida real.

sábado, 12 de junho de 2010

DUARTE CORREIA

Para compor a personagem principal de Construir a terra, conquistar a vida, achei por bem começar aproveitando o que fosse possível da caracterização das personagens de Gerações e Franceses no MA, já que a nova história retomava temas e intenções das anteriores, como contei neste texto. Duarte, porém, nascia sob nova inspiração. Degredado, sim, mas não criminoso – pelo menos nada que pusesse maldade em seu coração. Teria, então, que ser pobre, e poderia ser condenado ao degredo por uma série de pequenos crimes mais inofensivos. Então o fiz um ladrão “de galinhas”, que vivia sendo preso e, por isso, tinha sido degredado de Portugal. Diante disso, o destino dele no Brasil seria certamente a cidade de Salvador. Para chegar ao Rio de Janeiro, local escolhido para a história, ele pegaria uma carona com a frota de Mem de Sá, e chegaria aqui em tempo de participar da expulsão definitiva dos franceses em 1567.
Enquanto elaborava as características físicas e psicológicas, ia pensando no nome. Gostei da idéia de usar um nome que era comum na época mas não se usa mais no Brasil – a ponto de ter virado sobrenome: Duarte. Pesquisando, descobri que o nome medieval Duarte evoluiu e hoje é Eduardo. Antes de se chamar Duarte, o nome era Fernando. Como Duarte soa mais antigo, e as chances de eu ter outra oportunidade para usar são remotas, preferi. Passei o Fernando para o sobrenome mas, como havia uma grande família Fernandes no Rio de Janeiro na época, troquei para Correia, sobrenome de um amigo português que tenho.
Precisava também definir o local de nascimento, com mais detalhes do que “Portugal, século XVI” (a primeira anotação que fiz). Escolhi a cidade de Lisboa, e que ele deveria ter perto de 30 anos em 1567, quando a história começa. Eu mesma tinha 26, então o fiz ter 27 anos, tendo nascido em 1540.
Foi difícil escolher a profissão e o motivo que o traria aqui. Ele podia ser soldado ou degredado, ou algum outro tipo de pobre que vinha acabar por aqui. Quando me decidi pela característica de degredado por ser ladrão de galinhas, pensei que ele poderia ter roubado um anel de bacharel e posar como tal. Mas, em algum momento, ele teria que provar suas habilidades de letrado, e a mentira viria a público. Achei melhor manter a nobreza de caráter e deixá-lo ser pobre assumido e honesto. Pela necessidade de conseguir para ele um emprego no Brasil, achei que ele poderia saber fazer contas. Decidi também, pelas datas dos eventos, que ele veio para o Brasil com Mem de Sá, em 1558 e depois para o Rio de Janeiro em 1567, para expulsar os franceses e se estabelecer aqui.
Pensei que ele poderia ter habilidade literária de criar versos, pois, como explicou a professora do curso que eu fazia na ECO/UFRJ na época, a literatura é a expressão artística mais difundida nas colônias porque não precisa de suporte para existir. Mas eu não sou boa em fazer versos, então ele nunca poderia divulgar suas composições, e isso empobreceria essa característica. Achei melhor tirar logo, e ele ficou mesmo sendo um pobre analfabeto sem maiores habilidades.
Logo percebi que a nobreza de caráter que eu esperava dele não condizia com uma pessoa que sempre viveu na pobreza, sustentando-se com furtos, pois isso o faria ter uma esperteza que eu mesma não tenho, por não ter tido uma vida assim. Então resolvi que o pai dele era rico, e ele teve uma infância confortável – quando a nobreza de caráter foi construída – mas ficou órfão e pobre na adolescência, e foi quando se tornou ladrão.
Listei também os temas que queria trabalhar, alguns provenientes das idéias antigas: solidão; nova vida na nova terra; luta e conquista da terra, que implica em tomar posse e defender; construção da pátria, numa espécie de nacionalismo incipiente.
Caberia a Duarte Correia, além de sustentar e conduzir toda a trama, ser o português deslumbrado com a natureza grandiosa do Brasil – e isso ficaria mais evidente por escolher uma índia para ser sua mulher. O encontro dos povos, quando selvagem e civilizado se encontram e se influenciam. Ao mesmo tempo em que ele a "civiliza", ensinando-lhe seus valores, ele também se "barbariza", na medida em que compreende – e até adota – valores da cultura dela. Assim foi se formando a cultura genuinamente brasileira, com costumes e valores próprios, inspirados mas diferentes dos costumes e valores dos povos formadores. No plano original, a índia morria ou o abandonava, para que ele se casasse com uma portuguesa e tivesse uma vida “normal”. Mas o amor deles foi tão verdadeiro que eu comecei a sofrer quando chegou a hora de separá-los. Então mudei os planos e deixei-os continuar juntos até o fim, enfrentando juntos todos os problemas que um casamento inter-racial gera, incluindo o destino dos filhos mestiços. Achei que era mais coerente coma personalidade dele ficar com ela a vida toda. E achei também que ela merecia viver esse amor até o fim da história. Não tem jeito: sou romântica e o amor tem que vencer. Nesse caso, o amor venceu até mesmo o projeto de desenvolvimento da história, e os desígnios da escritora-deusa, aquela que direciona os eventos, e a quem compete dar a vida e a morte.
Quando Duarte estava quase pronto, quis criar uma segunda personagem, que fosse, de alguma forma, um contraponto a Duarte. Tinha que ser brasileiro – de Salvador, provavelmente – para apresentar o ponto de vista do português deste lado do mar. Mas Fernão Lopes é assunto para outro texto.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

JUAN MIGUEL TORRES

Acho importante dizer uma palavra sobre essa personagem. Não que ela seja mais significativa do que as outras, mas é minha criação mais recente, e tudo na composição dela tem um motivo, que quero contar aqui.

Juan Miguel Torres é personagem de O canhoto, que já foi falada aqui em 1/7/2009, quando contei que é reescrita de uma história de 1988, chamada Mosteiro. Aproveitei de Mosteiro todas as personagens, e fiz apenas ajustes de caracterização, inclusive por causa da re-contextualização da história numa Brugge urbana e flamenga. Jean Michel Beauvans, a personagem principal de Mosteiro era filho de nobre, e sua formação incluía a preparação militar, mesmo ele sendo um canhoto que usa mal a mão direita. Mas Jan Nicolaas van de Linde, personagem principal de O canhoto é um filho de negociante que, por ser um canhoto que usa mal a mão direita, tem dificuldades até mesmo com facas de mesa para cortar o pão. Ou seja, ele nunca empunharia uma espada sem por em risco, em primeiro lugar, a própria vida. Mas a participação dele na Terceira Cruzada da Terra Santa era fundamental para o desenvolvimento da trama. Então eu tive a necessidade de criar para ele um professor de esgrima, que o iniciasse na arte da guerra. Essa personagem nova seria um especialista militar, e seu destino era morrer em batalha, atravessado por uma espada sarracena.

A primeira escolha foi quanto à nacionalidade. Pelos meus planos, Nicolaas e o professor se encontrariam na Itália, mais precisamente em Gênova, cidade mercadora onde Nicolaas poderia trabalhar e se sustentar. Diante disso, a escolha óbvia para esse espadachim era que ele fosse italiano. Mas Nicolaas chega a Gênova em exílio, então achei melhor que esse professor também fosse um estrangeiro, para que eles tivessem algo em comum que os aproximasse, e tornasse possível uma amizade, e o treinamento de esgrima seria conseqüência da amizade, pois Nicolaas – um mercador - nunca procuraria aulas de esgrima, nem pensaria em ir para a Cruzada. Então as alternativas mais próximas passaram a ser francês e alemão, para não mexer com os eslavos do leste. Mas então eu me lembrei de que a Espanha vivia a Reconquista, e um professor espanhol poderia ter toda a família envolvida com treinamentos e guerra, e isso faria dele um bom professor e guerreiro. Além disso, desenvolvi um carinho especial pela Espanha depois que estudei os visigodos, para escrever Amor de redenção.

A escolha do nome Juan Miguel é referência e homenagem a Jean Michel, a personagem principal de Mosteiro. E assim, ele também é João, como Jean Michel, Jan Nicolaas e Hans Günter (o outro grande amigo de Nicolaas, que aparece em outro ponto da história). O sobrenome Torres dá à família a solidez defensiva necessária a quem luta pela expansão de seu território.

Quis que Miguel e Nicolaas tivessem idade e biotipo parecido, para que o relacionamento entre eles não se caracterizasse como mestre-discípulo, mas fosse uma relação entre iguais.

Isso feito, precisava explicar o que um espanhol com esse perfil estaria fazendo em Gênova, e tinha que dar a ele algum problema que Nicolaas pudesse ajudar a resolver, já que Miguel o ensinaria a lutar. Então inventei para ele uma “história anterior” que explicasse a saída da Espanha, a chegada a Gênova, e isso fazia parte do problema de porquê ele não voltava para a Espanha.

Tudo definido, a personagem estava pronta para entrar na história e cumprir seu papel junto a Nicolaas.

Outros textos interessantes

Um pouco sobre mim

Minha foto
Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

Quer falar comigo? É aqui mesmo.

Nome

E-mail *

Mensagem *

Amigos leitores (e escritores)