sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1924

Chegou a hora de envolver minhas personagens num dos episódios mais violentos da história da cidade de São Paulo, se não o mais violento de todos: o capítulo paulista do Movimento Tenentista, marcado com os "Dezoito do Forte", no Rio de Janeiro, em 1922, e que continuou depois como Coluna Prestes, percorrendo o Brasil durante muitos anos. Em São Paulo, a rebelião durou 23 dias, e os revoltosos conseguiram efetivamente conquistar a cidade, dominando o Palácio do Governo, os quartéis do Exército e da Polícia Militar, e obrigando o governador a refugiar-se fora da cidade, de onde ele comandou os bombardeios para retomar o poder. Esses bombardeios foram classificados como "terrificantes", um dos crimes de guerra definidos pela Convenção de Haia em 1917, pois as bombas e granadas eram jogadas sem objetivo certo, "a esmo", atingindo casas, lojas, fábricas e matando população civil. As baixas militares foram muito pequenas, enquanto mais de 500 pessoas morreram e mais de cinco mil ficaram feridas - isso em números oficiais, que deixaram de ser computados depois que a legalidade venceu a revolta.

É claro que Toni vai ver de perto o avanço das tropas - tanto revoltosas como governistas; é claro que ele vai passar noites acordado, temendo que alguma granada caia em sua cabeça. É claro que a pensão de Dona Luizinha, que fica no Brás, um dos bairros mais afetados pelos bombardeios, vai sofrer alguma coisa, com seus moradores - nessas horas, é muito bom ter um grupo de personagens secundários tão disponíveis, para participarem ativamente de todos os eventos (mas, desta vez, ainda não matei nenhum deles).

Pesquisando daqui e dali, encontrei o site do Arquivo de São Paulo que trata desse assunto. Traz informações e fotos mas o material mais rico, para meus propósitos, é uma sessão de fontes selecionadas, em que estão listadas as manchetes dos jornais da época. Ora, uma coisa é um texto que diz: "A cidade foi bombardeada durante vários dias". Certo, quais dias? Toni não pode passar 23 dias com medo das bombas se, na verdade, o bombardeio só começou no décimo dia, por exemplo. Outra coisa é a manchete do jornal de 12/7 dizer: "Efeitos do bombardeio de hontem(sic)". Ah, isto é informação para o que eu preciso! Agora eu sei que houve bombardeio no dia 11/7. Como vários jornais noticiaram o conflito, cada um com seu ponto de vista, fiz uma tabela comparativa, para não perder nenhum detalhe de informação para cada dia. Depois encontrei um texto de Sérgio Rubens de Araújo Torres, também bastante descritivo do dia-a-dia do conflito, que me deu informações valiosas sobre estratégias, contratempos, teor de panfletos e atitudes individuais das pessoas envolvidas. Meu trabalho agora é contar tudo de maneira informal, em cenas e diálogos. Em vez do narrador dizer: "a população abandonou a cidade", Dona Luizinha, muito nervosa, vai dizer: "eu não fico mais aqui. Vou embora, pra casa da minha irmã em Campinas, Todo mundo está indo embora e eu não vou ficar aqui esperando a casa cair na minha cabeça". Pronto: informei que a população abandonou a cidade; que a maioria das pessoas foi para a região de Campinas; que as pessoas temiam ter suas casas destruídas pelas bombas. Tudo em apenas uma fala de personagem, sem a interferência do narrador.

A Revolução Paulista é um dos últimos eventos da segunda fase da minha história. Estou quase entrando na terceira fase, já com sentimento de que agora é que a história vai começar de fato. Então, se ainda vai começar, a hora de acabar está muito longe...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

RELATÓRIO DE PROGRESSO – 18 MESES


Pois é, dia 1/12 fez 18 meses que comecei a escrever a história de Toni – ou Rosinha, seu nome oficial, enquanto não encontro um título adequado. Em um ano e meio escrevi 276 páginas, o que dá uma média de 0,506 página por dia, que é mesmo o meu padrão.

Ainda estou na segunda fase, o que significa que Letícia ainda não saiu da história. A primeira fase ficou com 125 páginas e essa segunda fase já está com 151 páginas. Estou no ano de 1923 e a segunda fase só acaba em 1927. Ou seja, tenho um longo caminho ainda a percorrer, sob a influência de Letícia, personagem que tornou essa história possível (como contei aqui). Júlia acaba de entrar na história: mais uma personagem a desenvolver, pois ela também tem papel importante. Enquanto isso, Toni luta para alcançar seu objetivo, que é ter um bom emprego, com bom salário, para poder se casar com Rosa. Letícia veio para ajudar, ao mesmo tempo em que atrapalha (personagem fascinante, essa menina!)

Enfim, a história está rendendo e se desenvolvendo bem, dentro do que eu tinha mesmo planejado. As mudanças impostas pela personalidade das personagens não me obrigaram a mudar nenhum rumo, e só estão enriquecendo a trama, em detalhes e profundidade. A experiência de escrever essa história está sendo enriquecedora e fascinante, e é uma alegria poder acompanhar Toni, Rosa e Letícia em sua jornada de vida (ops! Formou-se um triângulo? Problemas à vista?)

sábado, 1 de dezembro de 2012

LANÇAMENTO DE "A NOIVA TROCADA"

Finalmente o lançamento deste ano! Para não correr o risco de novamente escolher o dia mais frio do ano para lançar meu livro (como aconteceu ano passado com Primeiro a honra), esperei o inverno passar mas, quando me dei conta, já era outubro, e eu nem tinha mandado os arquivos para a gráfica. Entrar em fila de impressão no final do ano é complicado, mas a Letras e Versos foi ótima e, mesmo tendo sido necessário fazer correções após a boneca, os livros me foram entregues esta semana. Só que agora não dá mais tempo de organizar e divulgar um evento de verdade, e tenho outros planos para o ano que vem (lançar pelo menos o primeiro tomo de Construir a terra, conquistar a vida). Então o jeito foi fazer mesmo este "evento virtual" para declarar que está lançado o livro A noiva trocada.

Este livro é um romance singelo, em que a trama acontece a partir de um acidente, que dá origem a um mal entendido (a "troca" das noivas). O pobre noivo precisa, então, decidir o que fazer para resolver a questão atendendo ao compromisso assumido pelo pai em seu nome, e a seus próprios sentimentos e desejos de vida.

Então, sem mais demora, a sinopse de A noiva trocada e a página do blog-livraria onde ele está.

Boa leitura! e depois me contem o que acharam.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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