domingo, 21 de junho de 2009

MEU MÉTODO

Um dia, eu percebi que tinha um método, que veio se desenvolvendo ao longo do processo de escrita e criação e que obedeço, mesmo com o passar dos anos. Ele é formado por uma série de procedimentos (manias) e organiza as etapas de trabalho.

A) PROCEDIMENTOS

1) só escrevo em papel de rascunho, offset. Originalmente, o tamanho era 33x22 cm (ofício) mas, com o desuso desse tamanho, passei a usar o A4.

2) escrevo a mão, com caneta azul; não faço margens; escrevo uma linha logo abaixo da outra (o que, digitado, seria espaçamento próximo a 1), ocupando toda a superfície do papel.

3) as páginas são numeradas em algarismos arábicos no canto superior esquerdo, e o número é circulado por uma linha.

4) marco a divisão de cenas mas raramente estabeleço a divisão dos capítulos de uma vez. Em geral deixo para fazer isso no final, quando já tenho tudo escrito, e posso deixar todos os capítulos mais ou menos do mesmo tamanho (em geral, os capítulos têm em torno de 10 páginas manuscritas).

5) todos os números no texto são escritos por extenso, mas dias e anos são escritos em numeral.

6) não abrevio as palavras. Siglas são permitidas mas não me lembro de já ter usado uma.

7) os diálogos são indicados por travessão. Procuro ser bem clara ao intercalar fala e narração, separando sempre cada trecho por um travessão.

8) todos os tipos de rasuras, correções, acréscimos e emendas são permitidos desde que as versões anteriores sejam preservadas (história da história). Por isso, ao trocar uma palavra por outra, por exemplo, uso apenas um risco para eliminar a primeira, de forma que ela continue legível, embora marcada como excluída: às vezes eu mudo de idéia e volto à primeira versão.

B) ETAPAS DE TRABALHO

1) criação propriamente dita - caracterização das personagens, desenvolvimento da trama (história com princípio, meio e fim), ambientação básica.

2) registro.

3) pesquisa inicial - caso seja necessário para aprofundar o conhecimento quanto a características das personagens e/ou à ambientação escolhida. No caso de um romance histórico, a pesquisa da época e do local escolhido é fundamental, e já determinou mudança de nome e caracterização das personagens e até mudança do próprio ambiente em que a história se passa, para que a trama seja possível.

4) escrever, criar detalhes, criar cenas.

5) pesquisa complementar, sempre que necessário, durante o processo de escrita.

6) finalização - ao terminar de escrever o livro, leio-o inteiro de uma vez, no menor tempo possível para verificar a coerência das atitudes das personagens. É quando faço a marcação dos capítulos, a partir das cenas já divididas.

7) atualização dos registros com informação de número de páginas e capítulos, cálculo do número de páginas por dia, considerando-a "sobrevivente".

8) a história fica guardada por um ano, amadurecendo.

9) após esse ano de gaveta, releio a história toda de uma vez, no menor espaço de tempo possível e faço a avaliação: vale a pena publicar? Se não, guardo novamente na caixa e atualizo os registros, considerando-a "descartada". Se sim, passo à próxima etapa.

10) eu mesma digito toda a história, pois é quando dou polimento, às vezes mudando uma palavra, às vezes incluindo e retirando falas e cenas inteiras.

11) revisão da digitação (considerando que, depois de tanto ler e reler, os eventuais erros de ortografia e gramática já foram corrigidos).

12) publicação - eu mesma faço a diagramação e a capa.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

UM POUCO DE HISTÓRIA: A MINHA

Pode soar óbvio, mas eu comecei a escrever lendo muito. Gostaria de conseguir ler mais mas passei a ler menos depois que comecei a escrever porque não consigo ler um livro se estou escrevendo outro. Não dá para mergulhar profundamente em dois universos, ambientes e estilos ao mesmo tempo. Então, quando estou escrevendo um romance meu, não leio outros livros de literatura.

Tudo começou assim: um dia, ainda na infância, eu tive um sonho e resolvi escrevê-lo. O final não me agradou mas eu tomei gosto pela brincadeira e cheguei aos doze anos com três histórias escritas: "Uma noite na fazenda", "Os morangos de ouro", "A formiguinha distraída". Então eu resolvi que bastava de histórias infantis, que eu ía escrever uma história adulta, e caprichei no clichê: moça rica se apaixona por rapaz pobre; o pai dela não permite o romance; ela foge da casa, vai morar com a família dele e conhece as dificuldades da vida de pobre mas se adapta; ela faz as pazes com o pai, volta para casa e para a vida de rica; ela se casa com o rapaz e são felizes para sempre. Mas foi só a idéia, não a escrevi imediatamente, nem registrei a idéia, e ela ficou esquecida por muitos anos.

Em abril de 1985 - eu tinha 14 anos - eu tive um sonho com princípio, meio e fim, sem aquela lógica que parece ilógica e que é característica dos sonhos. Parecia um filme e resolvi escrevê-lo. Acrescentei falas, inventei cenas e assim redescobri o gosto por inventar histórias.

Depois vieram outras histórias, não sonhadas, e de repente eu estava vivendo minhas histórias, muitas vezes até como personagem principal. 1986 foi um ano de muitas idéias, muitos começos e pouca coisa que realmente valesse a pena.

Comecei a registrar todas as minhas idéias numa planilha - nome das personagens, nome da história, local e época em que se passa (setting, em inglês), data de criação. Ao longo dos anos, outros campos foram sendo incluídos nessa planilha para que vários outros detalhes tabeláveis ficassem registrados. Recentemente senti necessidade de incluir um resumo - anotar enquanto ainda lembro! - mas ainda não resolvi a questão do espaço.

Nesses quase vinte e cinco anos de carreira, tenho ao todo 285 histórias criadas, sendo que apenas 122 completas (com início, meio e fim). Dessas, escrevi 75 e considero boas (eu chamo de sobreviventes) vinte. As outras foram descartadas (ou seja, arquivadas - jogar fora nem pensar!). Mantenho 5 suspensas - uma espécie de limbo entre vivos e mortos, porque são histórias descartadas por algum motivo que, se resolvido, pode transformá-las em sobreviventes. Até agora, tenho seis livros publicados e dez livros na fila de publicação, sendo um livro de contos, um livro de poesias, um livro com Romances de Cavalaria e sete romances.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

PORQUE UM BLOG

     Lembro do primeiro CD de um grupo europeu da década de 90 chamado The Cranberries: "Everybody is doing it, why don't we"?

     O motivo que me leva a criar e manter um blog é o mesmo: tenho me deparado com muitos blogs ultimamente. Parece que todo mundo tem um blog. Também tenho visto incentivos para que as pessoas escrevam e publiquem suas idéias e opiniões sobre assuntos por que se interessam. Então acho que chegou a hora de eu ter meu próprio espaço também. Pretendo acrescentar textos nos dias 1, 11 e 21 de cada mês. Comentários e críticas são bem-vindos. Caso o leitor queira sugerir algum tema, basta pedir e eu farei o possível para atender.

E O ASSUNTO?

  Eu não tinha entrado no universo "blogueiro" justamente por falta de definição do assunto. Eu poderia escrever sobre arte, música, literatura em geral, que pertencem à minha área de atuação profissional - como até me foi sugerido. Mas aí eu estaria opinando sobre o trabalho alheio, teria que estudar, e o texto correria o risco de ser apenas uma repetição do que há nos livros; ou, se eu não tivesse muito tempo para estudar, o texto poderia ficar sem base e se tornar reles "achismo". Há ainda a questão: quantos textos sobre esses assuntos eu vou querer escrever depois de criado o blog? Não sei.

  Então pensei: que tema eu de fato domino sem precisar de leituras adicionais e pelo qual sou tão apaixonada que poderia escrever vários textos curtos? A resposta foi óbvia: eu mesma e meus livros.

  Portanto pretendo ocupar este espaço para falar do que escrevi, do que estou escrevendo, das minhas pesquisas para os romances, do meu processo de criação, do meu método de trabalho. Quero contar histórias das minhas histórias e finalmente responder todas aquelas perguntas que ninguém fez. Assim como eu aprendi muito com os depoimentos dos outros, agora disponibilizo a minha experiência, na esperança de - quem sabe? - ajudar alguém a encontrar o próprio caminho.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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