terça-feira, 21 de maio de 2013

TEXTOS NOVOS, IDEIAS VELHAS


Nos últimos seis anos, tenho tido poucas ideias novas para escrever histórias. O que tenho feito é retrabalhar ideias antigas e escrevê-las (ou não). Alguns textos são sobre ideias que já foram escritas em algum momento (À procura, O canhoto, Não é cor-de-rosa); outros, sobre ideias que ainda não tinham tido um bom desenvolvimento (Rosinha) e que, por isso, ainda não tinham virado texto. Quando a ideia é boa e eu consigo dar corpo e consistência a ela, torna-se um texto bom (O canhotoNão é cor-de-rosa, é cedo para falar de Rosinha) mas, quando falta a consistência, mesmo a ideia sendo boa, o texto não se sustenta (À procura).
É interessante pensar que estou retomando ideias de vinte, vinte e cinco anos atrás para escrever, por falta de ideias novas. Às vezes a impressão que tenho é de que tive um boom criador no início da carreira e esse momento passou. Talvez eu já tenha inventado tudo o que podia; talvez eu tenha tido todas as ideias logo no começo e não tenha me restado mais nenhuma. Fica aquela sensação de “será que minha capacidade para ter ideias acabou? E se eu nunca mais tiver uma ideia nova? Como vou continuar escrevendo se não consigo mais ter ideias para novas histórias?” Às vezes penso em entrar em crise por causa disso, mas há tanta coisa interessante ainda por aproveitar que acho que vou deixar para me desesperar mais pra frente, quando as boas ideias já tidas acabarem, e eu não tiver mais nenhuma boa ideia nova. Isso deve levar ainda uns bons anos afinal, se apenas 10% de todas as 309 ideias que registrei na minha tabela forem boas o bastante para se tornarem texto, e considerando que já escrevi apenas vinte bons textos (sobreviventes), ainda me restam onze ideias para trabalhar, desenvolver e escrever. Como ultimamente tenho levado mais de um ano para escrever cada história, tenho “combustível” para quase vinte anos de trabalho. E a verdade é que não faz diferença se tive a ideia da trama há um mês ou há vinte anos: o “filho” é meu do mesmo jeito.

sábado, 11 de maio de 2013

ROMANCE DE ÉPOCA


Um alerta do Google me levou ao site Ler é o melhor lazer, de minha xará, para ver o texto que ela publicou explicando a diferença entre romance histórico e romance de época. Segundo ela, ambos são escritos no presente, com ambientação no passado, mas um romance é histórico quando há fatos históricos citados no romance; e um romance é de época quando não cita os fatos históricos mas se propõe apenas a reconstruir a realidade e a visão de mundo daquela época.
É claro que fiquei curiosa para classificar meus romances e cheguei a uma conclusão: de todos os meus romances ambientados no passado, são romances históricos Pelo poder ou pela honra, O maior de todos, Construir a terra, conquistar a vida, O canhoto, Rosinha; e são romances de época O destino pelo vão de uma janela, Primeiro a honra, A noiva trocada, Vingança, Não é cor-de-rosa. O capítulo II de Amor de redenção, que acontece no passado, estaria também na classificação de romance histórico.
Interessante perceber o equilíbrio dessa divisão (seis romances históricos; cinco romances de época). Acho que meus romances de época têm uma leveza maior, provavelmente pela falta de compromisso com os eventos registrados pela história. Por outro lado, a presença dos eventos históricos na trama dá maior verdade e dramaticidade a meus romances históricos. Qual eu gosto mais de fazer? Os dois. Adoro a complexidade que a presença dos fatos reais dá aos romances históricos e também adoro o desafio de contextualizar os romances de época sem usar os fatos históricos. Se a trama estiver no passado, a história já me agrada. Não que eu não goste de ambientar romances no presente; mas o passado tem um sabor especial para mim.
Outra coisa que achei interessante foi que, para mim, os dois tipos requerem a mesma qualidade e quantidade de pesquisa e trabalho de contextualização. Usar ou não fatos e personalidades reais não é decisão minha, mas necessidade da trama.
Rosinha não era para ser um romance histórico. Não é como O canhoto, que tem já na sinopse que “Nicolaas participa da Terceira Cruzada”. Mas eu não posso ver uma revolução acontecendo em São Paulo que já ponho o pacato Toni sofrendo seus efeitos. Foi assim na Greve Geral de 1917 e na Revolução Paulista de 1924. Ainda bem que acabo a história em 1928, porque era bem capaz dele se ver forçado a combater na Revolução Constitucionalista de 1932. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

MUDANÇA DE FASE


Estou fazendo a última revisão de Construir a terra, conquistar a vida antes de publicar. Há umas coisinhas a acertar em termos de dinheiro e administração da cidade, mas estou novamente me encantando com a vida desses primeiros habitantes do Rio de Janeiro. Vou também corrigindo alguns erros de digitação que persistiram em passar despercebidos todos esses anos e acrescentando, onde faltou, algumas marcações para indicar quem está falando, quando há muita gente na conversa (família grande é assim: todo mundo participa ao mesmo tempo). Ah, algo sério que terei que revisar é quanto à passagem do tempo: como escrevi com um calendário a meu lado, eu sabia exatamente quando os eventos aconteciam, e não queria enfadar o leitor com a repetição dos anos, cada vez que começavam, então muitas vezes informei apenas “no outro ano”, ou “depois do Natal, chegou um novo ano”, e agora eu mesma fico perdida na leitura, sem saber em que ano aquelas ações estão acontecendo. E se eu, autora, não sei, imagine a situação do leitor! Então ficar perdida, para mim, é sinal de que algo está muito errado e precisa ser consertado. Tenho que resgatar o calendário que eu usei para poder conduzir melhor o leitor pelos vinte e cinco anos de duração da história.
Além de problemas a corrigir, o que estou percebendo nessa leitura é como meu estilo de escrita mudou. A todo momento, fico pensando “se fosse para escrever essa cena hoje, eu faria de outra forma”. Ainda é cedo para caracterizar essa nova fase, mas acho que já posso considerar que O canhoto inaugura minha quinta fase. Desde que comecei a escrever Rosinha já estava com uma sensação de que alguma coisa estava diferente, e esse sentimento se intensificou com a leitura do texto que justamente abre a quarta fase da minha escrita (para quem não se lembra da minha divisão de fases, o texto é este). Como a mudança é recente, e eu só escrevi dois romances (sobreviventes) ainda por cima com características parecidas (os dois são romances históricos de longa duração), vou deixar para pensar em quais são as novas características dessa fase depois de escrever a próxima história, que nem é romance histórico nem é de longa duração. Acho que dessa forma será mais fácil perceber que alterações de estilo se consolidaram.
É bom perceber que se está numa nova fase, pois isso significa um passo adiante no caminho infinito em busca da excelência; significa que alguns problemas anteriores foram resolvidos e que um novo horizonte de aspectos a aperfeiçoar se abre diante de mim. Significa também que não estou estagnada, repetindo padrões cansados e fórmulas já usadas, repisando soluções que já não me acrescentam nada. Não sou o lago parado, mas o rio que flui, que contorna pedras, alta abismos e corre certeiro para seu encontro com o mar.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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