quinta-feira, 11 de abril de 2013

SEM ASSUNTO... OU DICAS PARA ESCREVER MELHOR

Chegou o dia de publicar um texto no blog e não tenho nada pré-preparado. Não gosto disso. Gosto de escrever meus textos com calma, revisá-los, relê-los, tirar partes daqui e colocar ali, jogar tudo fora e começar de novo, aproveitar uma ideia daqui e uma dali para fazer uma coisa só, reescrever tudo, trocar palavras e frases inteiras... Enfim, gosto de ter tempo de dar polimento ao texto, para que ele não seja como este que estou escrevendo agora: simples, direto ao ponto, talvez pobre de conteúdo (não sei, ainda não acabei de escrever).

Pois é, como o texto dos 28 anos de carreira estava pronto desde janeiro, eu acabei me descuidando dessa escrita e não adiantei os textos para publicar este mês. Queria muito contar como anda a história de Toni, mas vou preferir falar sobre isso em junho, quando fará dois anos que comecei a escrevê-lo. Talvez até lá o nome de Rosinha esteja mais justificado, por ela ter voltado à história. Só vou saber quando junho chegar.

Eu tinha começado a escrever um texto sobre a idade de minhas personagens, mas percebi que minha apresentação estava incorreta, então tenho que primeiro corrigir as informações para só depois poder tecer comentários e conclusões. As publicações anteriores vinham falando de amor, mas os principais casos já citei: o amor à primeira vista, como em Romeu e Julieta; e o amor desde sempre, como em O morro dos ventos uivantes.

Na falta de outro assunto a tratar de forma organizada, vou deixar aqui uma lista de "dicas para escrever melhor", que fiz pensando nas listas de dicas de autores de sucesso. Me digam se concordam ou discordam, e se devo discorrer mais detalhadamente sobre algum dos itens. Minhas dicas são estas:



segunda-feira, 1 de abril de 2013

TRAJETÓRIA

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, eu fazia um pouco de quase tudo - romances, contos, crônicas, poemas livres. Saía escrevendo sem me preocupar com gêneros, que eram definidos depois: ficou em verso, é poema; ficou curto, é conto; ficou maiorzinho, é romance; ficou curto e tem relação com a realidade, é crônica. Como eu não sabia aplicar as formas características de cada gênero, o critério era assim, bem simplório mesmo. Mas, com o passar dos anos, à medida em que eu ia aprendendo a usar as formas, eu fui abandonando uns gêneros, e outros foram me abandonando. A crônica foi a primeira, porque não levo jeito para falar da realidade. Depois foi a poesia, porque versos livres facilmente se tornam prosa. O último que eu deixei de lado foi o conto, quando eu percebi que não sei usar bem as características formais dele. Também era necessário focar para aperfeiçoar. E assim, me sobrou escrever romances. É claro que não estou proibida de escrever outros gêneros - outro dia mesmo, escrevi O Além em forma de conto - mas meu cérebro vem se programando ao longo dos anos para pensar em forma de romance.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, o texto não era para ser lido, mas apenas um roteiro para que eu soubesse contar a história. Era simplesmente uma narração dos eventos, sem descrições, sem diálogos. Então, às vezes, aconteciam coisas assim: "eles conversaram a noite toda e resolveram se casar"; ou assim : "Sílvia ligou para Charles e eles combinaram de se encontrarem no Shopping. Passearam, foram ao cinema, lancharam e Charles deixou Sílvia em casa" (o verdadeiro não é exatamente assim mas é bem parecido); e a grande pérola é uma cena de Sahara, onde está escrito apenas "cena do balcão ou noite da sacada" para resumir uma das cenas mais importantes de toda a história; nela havia ações e diálogos fundamentais para o desenvolvimento da trama e, depois de 28 anos, obviamente não lembro mais dos detalhes para contar como foi essa cena. Com a experiência, percebi que o texto tinha que "ficar de pé sozinho", e que tinha que funcionar para leitura de outras pessoas, então fui acrescentando descrições e diálogos, além de detalhes à narração. Nunca fui boa para escrever descrições estáticas, além de achar a leitura delas cansativa. Gosto de descrever ação, e contar o que as pessoas estão conversando, então foi o que busquei desenvolver e aperfeiçoar. Além disso, é no encontro e na conversa que as relações humanas acontecem, e são elas que me interessa mostrar. Hoje é difícil alguém pegar um livro meu sem comentar imediatamente "nossa, quantos diálogos!" No começo, essa observação me assustava um pouco, e eu ficava pensando "puxa, será que focar nos diálogos é errado?" mas hoje vejo como um elogio: meu estilo é facilmente identificado. É uma característica que venho desenvolvendo na minha escrita: a capacidade de dar todas as informações necessárias ao leitor durante as conversas das personagens. Meus diálogos vêm ganhando consistência e conteúdo, e se tornam fundamentais para a história. Toda vez que não tenho como montar um diálogo para dar a informação, e preciso dá-la pelo narrador, fico com a impressão de estar sendo didática e maçante. Prefiro ouvir a voz das personagens, em vez do chato do narrador. Dessa forma, não estou mais contando a história daquelas personagens, mas mostrando o que está acontecendo com elas. Fica mais visual. Acho mais eficiente e mais agradável. Penso que meus leitores concordam comigo.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, queria mudar os rumos da literatura nacional e ser imortal  da Academia Brasileira de Letras. O tempo me mostrou que há espaço no mundo para todo tipo de contador de histórias, e todos eles têm sua importância. A experiência me fez reconhecer que há muitos escritores melhores do que eu mudando os rumos da literatura nacional, e que pertencer à ABL não é a única glória do mundo. Hoje quero apenas contar minhas histórias do meu jeito, e encontrar leitores para elas. Gosto de ter feedback, inclusive para ouvir "não gostei" e "queria um final diferente" e o recente "esse deus-ex-machina que você usou ficou muito forçado". É bom saber que as pessoas leem com atenção, se apegam às personagens, e criam expectativas de final.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, tinha medo de que fosse só uma fase, e que as ideias acabassem um dia. Hoje sei que é uma fase, sim, mas uma fase bem longa, que já dura 28 anos, e que ainda vai durar a vida toda.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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