sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PERSONAGENS CARACTERÍSTICAS

Analisando o conjunto das minhas histórias, percebi que tenho grupos de personagens com uma mesma característica. Não que a personagem não tenha outras características, mas em alguns casos há uma mais marcante.

Tenho, por exemplo, personagens tipicamente vingadoras: Ailan, Linart, Rodrigo. São personagens que, por grande parte ou toda a história, têm por objetivo de vida a vingança. É interessante que Linart quer vingar a morte de seu irmão Rodreve, mas Ailan e Rodrigo querem se vingar de violências que sofreram, depois da qual trocaram de nome. Assim, Ailan quer vingar a violência que sofreu quando era Rosala e Rodrigo quer vingar o que sofreu quando era Mário. Como os três são os protagonistas, tenho que confessar que facilito um pouco a vida deles, permitindo que encontrem de novo as pessoas de quem querem se vingar. Se eles conseguem a vingança, não posso dizer, mas eu os ponho frente a frente com os inimigos, para o acerto de contas que, por coincidência, nos três casos, termina com pelo menos um morto. Há vingança e desejo de vingança em outras histórias também, mas nada que caracterize as personagens como nesses três casos.

A outra classe típica é a de personagens criminosas. Chamo-as assim porque erraram conscientemente. Sabiam que o que faziam era errado e fizeram assim mesmo. Também são três: Gustave, Ninette, Roberto. Essas três se destacam, não porque minhas outras personagens não cometam erros, mas porque o fizeram por vontade, de caso pensado. Tenho outras personagens que cometem crimes, mas são criminosos circunstanciais, e não calculados e intencionais como esses três. É bem verdade que a vingança também não é uma atitude que julgo correta mas, no caso dos três vingadores, eu considero que eles têm razão, e até o direito de se vingarem – tanto que escrevi as histórias, para dar a eles oportunidade de se vingarem. Então, embora os vingadores também sejam criminosos – pois a vingança que eles querem executar é crime e eles a buscam conscientemente, planejadamente – eles têm a minha indulgência, pois estão agindo contra culpados, não contra inocentes (embora ninguém seja de fato inocente, mas isso é assunto para outro texto). Criminosos, porém, não têm meu perdão, nem direito a um final feliz. Mesmo quando eles acreditam que ficaram impunes, na verdade perderam o que tinham, inclusive e especialmente a dignidade.

Há também três personagens cuja motivação é a luta pelo poder: Gustave, Ninette, Legrant. Por estarem em duas categorias, creio que seja fácil concluir que Gustave e Ninette não são muito louváveis em seus métodos para alcançar o poder. Legrant não precisa conquistar poder, pois já o tem. Seu desafio é mantê-lo. A partir dele, desenvolvi duas teorias: 1) “o que é não precisa ser provado”. Se ele a todo momento precisa provar que é poderoso é porque não o é de fato e apenas precisa manter a aparência e a ilusão na cabeça de todos, inclusive dele mesmo. 2) “manda mais o que mais se esconde”. Nem sempre o que parece poderoso é de fato o que controla tudo. Às vezes, estar à sombra dá à pessoa uma liberdade de ação que não teria se estivesse à frente, na luz. Daí a dinâmica de poder entre Curt e Karl, que alternam posições de luz e sombra e, consequentemente, de maior ou menor poder.

Cabe aqui a observação de que cada categoria tem três representantes por puro acaso, porque a classificação é bem posterior à caracterização e à escrita. A análise consciente vem sempre depois da criação inconsciente. Além disso, há outras personagens que se vingam, há outras personagens que cometem crimes, há outras personagens subversivas e ambiciosas. Aqui estou destacando apenas as mais características.

E finalmente há a classe de personagens subversivas. São mulheres, na maioria, desde Inês, que desobedece Fernão no século XVI e cozinha o que gosta de comer; até Marie, que busca a verdade, julga Gustave e pretende puni-lo, passando por Ayraci, Ester, Rosala, Caty, e quase todas as outras. Mas a personagem subversiva por excelência é Maurits (mais do que seu ancestral Maurice), que ousou desejar uma utopia e fazer seguidores. Mesmo sem memória e vivendo num mundo que não era o seu, o desejo permanecia vivo nele, influenciando suas ações. É uma subversão de mentalidade, de cunho social mas quase religiosa. A vida dele foi a serviço da subversão, que norteou suas escolhas e seu destino. Foi por causa da subversão que seu nome entrou para a História da Civilização (ops, esqueci que a História não registra as vidas e os feitos das minhas personagens, por mais reais que elas sejam).

Dá até pena listar essas categorias e pensar que destino todos eles tiveram: os vingadores, os criminosos, os ambiciosos, os subversivos, pois eu não acredito em finais felizes.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

REPETIR NOMES

Já comentei neste blog, em mais de uma oportunidade, o cuidado que tenho na escolha dos nomes das personagens. Contei meus critérios gerais, como foi a escolha do nome de Jan Nicolaas, de Juan Miguel, de Lorenzo, de Duarte. O leitor que teve a curiosidade de ver minhas sinopses no blog de apoio deve ter percebido a grande variedade de nomes que eu uso, mesmo considerando a diferença de línguas. Tenho por princípio não repetir nomes de personagens principais, mesmo que em outra língua, mas nem sempre isso é possível. De qualquer forma, personagens mais marcantes não têm nome repetido. É o caso de Gustave, Ninette, Nicolaas, Duarte, Fernão, Curt, Ester, Maurits, Ágila, Ricardo de Almeida. Esses provavelmente nunca serão repetidos, nem mesmo em outra língua. Alguns nomes são muito repetidos, como Isabel, que aparece em várias formas: Isabel (O maior de todos, Nem tudo que brilha..., Fábrica), Lisbet (O maior de todos), e ainda Isabelle, Elisabeth, Isa, Lisa em histórias descartadas. Acho que, em português, cheguei à minha Isabel definitiva em Fábrica, mais do que em Nem tudo que brilha... Por outro lado, se eu escrever Rosinha, há na história também uma Isabel. Talvez eu mude o nome dela, vou pensar [editado: realmente mudei o nome e Isabel se tornou Letícia Prado].

Às vezes também repito modificando um nome simples em composto, ou vice-versa, como Miguel e Jean Michel e Juan Miguel, que, além disso, são em línguas diferentes; Teresa e Maria Teresa. Tenho também Robert, que se tornou Robrecht, e Rudbert, além de um Roberto brasileiro.

Pode acontecer também dessas repetições aparecerem na mesma história, quando diferentes famílias dão o mesmo nome a seus filhos – como em Construir a terra, conquistar a vida, em que tenho, por exemplo, Isabel Barros e Isabel Lopes; Teresa Fernandes e Maria Teresa; Salvador de Sá e Salvador Lopes, Leonor Correia e Leonor Temiminó; Catarina Fernandes e Catarina Fagundes; Manuel de Brito, Manuel Lopes, Manuel Gonçalves, Manoel Machado.

Às vezes a personagem “nasce” com um nome, mas eu acho que ele não funciona (ou já tenho uma personagem principal com esse nome e, como decidi escrever a história, não quero repetir). Fico então procurando outros nomes que combinem com as características físicas e de personalidade da personagem. Isso acontece muito com as histórias que são exercícios de criação, quando eu uso os nomes originais das bonecas de papel, e depois fico com uma infinidade de personagens com o nome de Pedro, Lisa, Sílvia, Otávio, Luís, Cláudia. Então, se resolvo escrever, preciso mudar, e Lisa vira Alice, Elisa, Isabel. Otávio vira Augusto, Luís Augusto, Olavo. Pedro é sempre o mais difícil, mas já virou Miguel e Lucas.

sábado, 1 de janeiro de 2011

SEJAMOS BEM-VINDOS EM 2011!!

Mais um ano que começa! Mais um texto para fazer o balanço do ano que passou. Acredito que consegui manter alguma consistência no número de visitantes e de visitas, e pessoas de novas cidades, no Brasil e no mundo, se interessaram em visitar meu blog.

Em 2010 foi difícil manter regularidade na produção dos textos, pois os temas mais óbvios eu já tinha tratado em 2009. Por outro lado, os textos estão se tornando mais refletidos, mais complexos, e me dão mais trabalho na hora de elaborar e escrever. Estou abordando questões mais íntimas e mais detalhadas do meu processo de criação literária.

Em 2010 comecei a participar de várias comunidades literárias, mas os fóruns mais interessantes infelizmente simplesmente deixam de existir (Sala de leitura; Fórum do Recanto das Letras). Passei o ano testando uma série de comunidades e fóruns, e gastei muito tempo nisso, para finalmente ficar só com os que acho mais construtivos (já que meus preferidos acabaram). Por outro lado, não tive tempo de visitar com a frequência que eu queria os blogs das pessoas que encontrei nas comunidades. É algo que pretendo priorizar em 2011, e depois listar todo mundo aqui.

Eu também estava preparando a publicação de Primeiro a honra, mas achei bom pedir orçamento a várias gráficas e editoras, para ver que conjunto de soluções me atenderia melhor, e o tempo passou sem que eu conseguisse levar o projeto à conclusão. Como agora já tenho as informações de que preciso, a publicação sairá logo no início de 2011. Afinal, a fila precisa andar, e eu estou ansiosa já pela publicação de Construir a terra, conquistar a vida, que será um projeto mais audacioso e demorado, em vários tomos e com alguns requintes que já elaborei e preciso de alguém que execute. Por isso, mesmo tendo sido escrita depois, A noiva trocada deve ser publicada antes de Construir a terra, conquistar a vida, para não ficar atrasada.

Eu tinha me programado para incluir neste texto gráficos comparativos de movimentação e de leitura dos textos entre 2009 e 2010, mas, como comecei a publicar em junho de 2009, a conta ficaria desequilibrada, pois estaria comparando seis meses com doze meses. Por isso, vou deixar para fazer os gráficos para publicar no texto de dois anos de blog, quando poderei comparar dois intervalos iguais de 12 meses.

Então hoje vou simplesmente desejar a todos meus visitantes – os acidentais, os eventuais e os regulares – um feliz ano de 2011, em que tenhamos disposição de realizar nossos sonhos. Eu estarei sempre aqui, escrevendo e esperando pela visita, comentários e sugestões de vocês.

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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