sábado, 11 de julho de 2015

PERGUNTA DE ENTREVISTA

Quando vejo/leio/ouço um escritor ser entrevistado, além de ficar atenta a suas respostas, fico imaginando que aquelas perguntas poderiam ser feitas a mim, e fico pensando em que respostas eu daria. Ouvi uma pergunta este ano que primeiro me deixou surpresa e depois confusa de como responder – e eu não entendia por que, se era uma pergunta tão básica. É que, a meu ver, a pergunta está errada. Fiquei refletindo sobre ela muitas semanas e agora publico aqui a tal pergunta e minha resposta.
P: Quem é a pessoa por trás do autor?

R: Não existe ninguém por trás do autor. Exercer uma atividade criativa não é como virar super-herói. Ser escritora não é uma máscara que eu visto, ou uma roupa colante com capa (ou melhor, sem capa, como recomenda Edna Moda, do filme Os Incríveis). Eu não “viro escritora” quando pego caneta e papel para escrever. Ser escritora é tudo, é a pessoa que eu sou. Eu não desligo minha identidade escritora para almoçar ou tomar banho. Eu não deixo de ser escritora quando vou à ginástica ou ao cinema. Ao contrário, penso que é nessas atividades de vida cotidiana que minha “identidade escritora” está mais ativa. Então penso que, na verdade, o que você quer saber é “o que você escritor faz quando não está efetivamente escrevendo?” A resposta é muito simples: quando não estou efetivamente escrevendo, estou vivendo como qualquer pessoa: pegando metrô cheio para ir trabalhar; almoçando; lavando louça; dormindo; lendo; assistindo a filmes; fazendo dever de casa com a filha; passeando com o marido; e todas essas coisas de gente normal. Afinal de contas, todo autor é, antes de tudo, uma pessoa normal.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

CHEGOU A HORA

Segurei a vontade o quanto pude; contive a abstinência até onde fui capaz. Mas agora chega. Esse desejo é mais forte do que eu e eu vou ceder e me entregar a ele: hoje começo a escrever a história de Rodrigo (ainda sem título). Já elaborei tudo o que podia, já desenvolvi personagens, trama, cenas, falas, tudo o que era necessário. Para fazer a história se desenvolver mais, a partir de agora, só escrevendo. Então vou escrever.
Começo, como sempre, do começo, embora tenha visto em algum lugar que começar do começo é uma situação clichê. Não faz mal. Preciso desse tempo para apresentar as personagens, o cenário, a situação em seu momento de calma. Não é o tipo de história que dá pra começar já apresentando o conflito. Então começo do começo, com Rodrigo acordando e indo para a escola nova, no primeiro dia de aula, em fevereiro. Ângela só aparece depois do Carnaval – que eu ainda tenho que descobrir quando foi, naquele ano.
Ah, pois é, acabou virando romance histórico. Quando eu a inventei, era para acontecer no ano em que eu escrevesse. Mas depois que criei as duas sequências à história, acontecendo anos e anos depois, eu só tinha duas alternativas: fazer o livro 1 no presente e jogar o livro 3 para o futuro; ou fazer o livro 3 no presente e jogar o livro 1 para o passado. Escolhi a segunda opção. Então Rodrigo é adolescente mais ou menos em 2007 (preciso conferir essas contas), no primeiro livro. O segundo livro se passa em 2013 e o terceiro, em 2017, quando estarei justamente escrevendo-o.
Não será difícil recriar o ano de 2007. Nossa cultura não mudou tanto assim que eu precise de muita pesquisa para contextualização. O cuidado maior será quanto às questões de tecnologia, que me parece ser a área em que estão as maiores diferenças.

Estou muito feliz com a perspectiva de trazer Rodrigo e Ângela à vida, de fato, escritos em papel. Depois eu conto pra vocês como está ficando.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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