quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O QUE ESTÁ ACONTECENDO

Estou aproveitando todas as minhas brechas de tempo escrevendo a história de Toni, que está de volta à fazenda, com a família e a Rosa. Não tem nem uma semana que ele voltou e já consumi cinquenta páginas. Tudo bem que esse início é mais intenso, quando ele tem que contar pra todo mundo o que aconteceu com ele em São Paulo, e comentar as reações das pessoas. Domingo tem festa, e depois a vida retoma a rotina e eu vou poder avançar um pouco mais rápido. Agora que Rosa está de novo em cena, voltei a pensar no título da história (que, oficialmente, se chama Rosinha), mas ainda não tive nenhuma boa ideia.
A diagramação de Construir a terra, conquistar a vida (sim, acabei a revisão!!) está parada, aguardando pelas minhas férias, quando espero ter um pouco de tempo para me dedicar a ela.
Com tanta coisa para eu escrever, os textos do blog naturalmente vão deixando de ser prioritários e vão ficando assim, pequenas notícias dos eventos recentes.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

INÍCIO DA TERCEIRA E ÚLTIMA FASE

Sim, finalmente acabou a segunda fase da história de Toni. Foram “apenas” 395 páginas, número que, por si só, já seria bastante para um romance. Mas ainda há muita coisa a acontecer, então Toni embarcou de volta à fazenda, para o reencontro com Rosa. A cena do embarque, que marca o início da terceira fase, inicia-se na página 521. Já escrevi o reencontro com Rosa, e acho que ficou uma cena interessante. Engraçado como ensaiei tanto esse reencontro e, na hora de botar no papel, muita coisa ficou diferente.
O reencontro foi como Toni adivinhava que seria, mas não como Rosa queria. Então, até esses dois se entenderem de novo, ou se desentenderem de vez, muita coisa ainda vai acontecer. Como essa é a parte mais importante da história, a conquista do objetivo final pelas personagens principais – seja o objetivo inicial ou um novo objetivo, traçado agora - vou prever mais umas 400 páginas, até eu resolver tudo. Que bom: tenho mais uns dois anos de trabalho pela frente.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PRÓXIMA FASE À VISTA

Estou na véspera do dia em que Toni volta para São Carlos. As malas estão prontas, a passagem está comprada, e ele já se despediu dos amigos. Seus afazeres em São Paulo estão resolvidos e ele volta para receber a recompensa por todo seu esforço: o amor da Rosa.  É uma pena que as coisas não acontecerão da forma como ele merece – e ele, de certa forma, sente que será um tempo difícil, mas continua disposto a tudo por esse bem tão precioso.
A segunda fase da história chega ao fim. A terceira e última fase começará quando Toni entrar no trem, para rever, em sentido inverso, o trecho que percorreu há 12 anos, cheio de inocência e esperanças. Nesse meio tempo, as cidades mudaram, as pessoas mudaram, ele mesmo mudou. É hora de repensar a vida, rever prioridades, reencontrar o passado, perdoar o presente, planejar o futuro a partir da realidade. Acho que, com mais 500 páginas, eu chego ao fim dessa história.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

E O FUTEBOL?

Tenho andado pesquisando a história do futebol no Brasil e, mais especificamente, em São Paulo. É que o esporte popularizou-se no início do século XX, justamente a época em que Toni está vivendo, então achei que ele devia se envolver em mais esse conjunto de fatos históricos. Portanto, graças a um novo amigo, Toni agora é jogador de futebol. Ah, mas não é assim que ele vai ficar rico, pois, nesse início histórico, o futebol era amador, então ele joga apenas para ajudar o time. Para falar a verdade, ele participa dos treinos mas raramente é escalado para os jogos porque há outros jogadores melhores do que ele nos chutes, nos dribles e nas caneladas. Mesmo assim, é interessante pensar que Toni e Arthur Friedenreich se encontraram pelos campos, e correram atrás da mesma bola. Escrever esse tipo de situação, incluindo a história real na minha ficção, é algo realmente irresistível, e Toni vem me dando uma oportunidade atrás da outra – e eu estou cuidando de aproveitar todas!
Só para dar um gostinho de tudo o que estou aprendendo, este é um resumo da história do Club Athletico Paulistano, um dos maiores e mais importantes times de futebol das primeiras décadas do século XX. Era o clube preferido da elite da cidade, e venceu o Campeonato Paulista onze vezes até 1930, quando encerrou sua participação nos campeonatos – era a época em que o futebol se profissionalizou, e o Paulistano decidiu ser fiel às origens do esporte no Brasil, permanecendo amador.
Há também a história do Corinthians, do Palestra Itália, do Ipiranga, do Internacional, do Mackenzie, do São Paulo Athletic Club. Seria assunto para muitos outros textos, mas meu foco não é o futebol, e sim o reencontro de Toni e Rosa, que acontecerá daqui a alguns capítulos – está cada vez mais próximo agora.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

NÃO É A PRIMEIRA VEZ

Devagarzinho, com paciência, cheguei à página 500 da História de Toni, depois de pouco mais de dois anos e quatro meses que comecei a escrevê-la. Engraçado pensar no Toni das primeiras páginas e compará-lo ao Toni da página 500. É porque, também, nessas 500 páginas passaram-se onze anos. Ele cresceu e amadureceu; chegou à idade adulta e decidiu o rumo de sua vida.
Não é a primeira vez que chego a 500 páginas num romance, mas isso também não é um fato corriqueiro, como escrever 50 ou 100 páginas. Não, não e a primeira vez que tenho um romance que ultrapassa 500 páginas: é a segunda. Só Construir a terra, conquistar a vida rendeu tanto. E agora, por coincidência ou destino, num momento da minha vida em que eu não estou tendo tempo de me dedicar à literatura tanto quanto gostaria, me vejo envolvida ao mesmo tempo com as duas maiores histórias de toda a minha carreira. Está muito difícil conciliar as necessidades enormes das duas mas, “devagar e sempre”, eu vou conseguindo o que eu quero.
Escrevi a página 500 da História de Toni inteira no mesmo dia 8 de outubro. Estamos em maio de 1926 e Toni está falando da Rosa para um amigo. A segunda fase vai se aproximando do fim e eu já estou feliz com Toni, pelo reencontro com a Rosa, previsto para 1 de fevereiro de 1927, o início da terceira e última fase da história. Muito conflito ainda pela frente, muita revolta, muito sofrimento. Tem mais alguém torcendo por um final feliz para esses dois?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

AI, SANDICES...

É divertido ver como está ficando Construir a terra, conquistar a vida após todos os cuidados da revisão que estou fazendo. Estou trocando palavras novas por arcaicas, mas não faço essa troca se a compreensão do texto ficar prejudicada. Afinal, não pretendo fazer um glossário para possibilitar a leitura, mas quero que os termos arcaicos se integrem tão bem ao texto que, ainda que não sejam mais de uso diário, seu significado seja claro ou, pelo menos, possível de ser adivinhado. As palavras que me dão mais trabalho são “mui”, no lugar de alguns “muito” e “formoso/a” no lugar de vários “bonito/a”. Assim, o texto vai ficando mui formoso.
E onde é que eu fui arranjar essas palavras e expressões arcaicas? Em textos arcaicos, é claro! Desde a adolescência, me praz (olha aí uma palavra arcaica!) ler textos medievais e renascentistas, então fui procurar nos escritores dessa época – contemporânea da minha história – os termos que eu poderia aproveitar. Luiz de Camões me dá a matriz erudita e Gil Vicente, a popular. Confio também em Dinah Silveira de Queiróz, que escreveu A muralha, e Ana Miranda, autora de Desmundo, que visivelmente tiveram esse cuidado de pesquisa ao escreverem seus livros.
E assim a revisão vai se alongando, para meu deleite de trabalhar o texto, e para futuro deleite de meus leitores, que conhecerão um Duarte que fala como falavam as pessoas do tempo dele.

domingo, 1 de setembro de 2013

INTERMINÁVEL

Esse é o caso da revisão de Construir a terra, conquistar a vida. Já não acredito que conseguirei fazer a publicação este ano. Mas uma história que levou 10 anos gestando na minha mente; seis anos sendo escrita; um ano descansando; um ano sendo digitada; e dez anos esperando sua vez de ser publicada dificilmente seria revisada em apenas alguns meses. É muito bom ter contato com o texto, aperfeiçoá-lo, torná-lo mais bonito e verossímil. Não vou fazer uma revisão de qualquer jeito, só para publicar mais rápido, e os detalhes levam mais tempo do que o “grosso”. Nessa fase da revisão de acrescentar expressões arcaicas, não basta dar um comando para trocar todos os “muito” por “mui”. É preciso analisar caso a caso, se, naquela frase, naquele momento, o “mui” vai funcionar melhor do que o “muito”. Isso é demorado, mas o efeito final está me agradando muito. Acho mais bonito e convincente, em vez da personagem dizer “Teresa é uma moça muito bonita”, ela dizer “Teresa é uma moça mui formosa”. É esse tipo de detalhe e cuidado que estou tendo. Depois que acabar de trocar todas as palavras que quero, ainda será necessária uma nova leitura total, para verificar mais uma vez se os arcaísmos estão apropriados – afinal, não quero que uma palavra ou expressão, só por serem mais apropriadas para a época em que a história se situa, prejudique a leitura e o entendimento do leitor. Clareza para mim é sempre a prioridade.
Além do trabalho ser grande, o tempo que posso dedicar a essa atividade tem sido muito pequeno, apesar de ser minha prioridade. Diferente da História de Toni, que eu posso escrever em qualquer lugar, pois só preciso de caneta e papel, a revisão de Construir a terra, conquistar a vida requer que eu ligue meu computador de casa, algo que só tenho feito em algumas poucas horas do final de semana, pois tenho dado preferência às minhas sete ou oito horas de sono durante a semana; e há atividades de vida doméstica e familiar a cumprir durante o final de semana. O dia que eu ganhar na loteria e não precisar mais trabalhar, meus livros serão escritos e publicados muito mais rapidamente. Enquanto isso, só me resta ter paciência e tranquilidade para fazer as coisas com a rapidez que eu posso, que em geral fica aquém da rapidez que eu quero. Neste caso, a realidade não pode ser modificada, então o jeito é conformar-me a ela e atrasar alguns projetos.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ATIVIDADES

Estou relapsa nas publicações do blog? Pode ser. Mas prefiro pensar que estou cuidando de coisas mais importantes: a escrita de um livro e a publicação de outro. Como disse no texto publicado em1/7 (por acaso o texto anterior, já que não publiquei outro depois), a preparação de Construira terra, conquistar a vida está me dando um trabalho maior do que o previsto, para corrigir falhas acrescentar detalhes relevantes, harmonizar essas interferências atuais com o texto original. Ao mesmo tempo, a criação da história de Toni não para, e eu preciso escrever as partes que invento. Então me parece natural que eu não tenha tempo de produzir textos relevantes para o blog, e eu evito vir aqui fazer blá-blá-blá.
Por isso, meus leitores, tenham compreensão se vierem aqui e não houver nada novo para lerem: quer dizer que estou adiantando meus livros, preparando meus romances para sua apreciação.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

REVISANDO CONSTRUIR A TERRA, CONQUISTAR A VIDA

Achei que seria mais fácil fazer a revisão de Construir a terra, conquistar a vida. Afinal, depois de dez anos lendo e relendo, era só conferir que estava tudo certo e pronto. Engano meu... Justamente pelo lapso de tempo, pude perceber quanta coisa há a corrigir e rever. Em primeiro lugar, em alguns momentos eu me perdia quanto a quem está falando, sempre que a conversa incluía mais de duas pessoas. Então, para poupar o leitor de ter que reler a página e tentar adivinhar que, pelas características da fala, deve ser tal personagem a falar, fui lá e marquei quem é que está falando. Às vezes ficou meio repetitivo o “ele disse / ela disse”, mas é melhor encher o texto de “disse” do que deixar o leitor sem informação. Gosto que meus textos sejam de fácil leitura, então é preciso dar informação, em vez de sonegá-la e deixar a conclusão a cargo da adivinhação do leitor.
Nesses dez anos entre acabar de escrever e revisar, pude ler outros livros sobre a época, e aprendi alguns truques de contextualização, que resolvi usar. Um exemplo é quanto a dinheiro. Quando Fernão começa a trabalhar, ele tem um salário, que ele vai mostrar à namorada, alegrando-se porque logo poderão casar e é claro que o valor é citado. Eu tinha arbitrado um valor muito abaixo dos salários que se praticava na época, então agora tive que dar um “aumento” a Fernão. Depois disso, é necessário fazer a correção em todas as 827 páginas em que essa referência pode acontecer – sim, 20 anos depois eles podem estar dizendo “lembra de quando você ganhava só duzentos réis?”, então todas as páginas precisam ser revisadas.
Depois veio a questão da situação no tempo. Eu só às vezes citava no texto o ano em que as coisas estavam acontecendo. Afinal, quando escrevi, eu usei uma tabela temporal e sabia perfeitamente em que ponto dela a história estava, e quando todos os eventos tinham acontecido. Agora, dez anos depois, sem a tabela (que é claro que não vai ser publicada junto com o livro), eu fiquei totalmente perdida, sem saber em que ano as personagens estavam fazendo tudo aquilo, quantos anos as crianças teriam. Significa que é necessário situar o tempo ano a ano, e foi o que eu fiz. Aí é claro que algumas cenas são irresistíveis, e eu acabei demorando mais para reler de novo.
Feito tudo isso, era hora de incluir alguns termos de época, que eu acabei não colocando quando escrevi para fazê-lo agora, na hora da revisão, pois faltava pesquisar melhor. Mas foi quando (já não me lembro de porque tive essa luz) resolvi puxar o índice, e descobri que minha história de 76 capítulos não tem o capítulo VIII (sim, minha numeração de capítulos é em algarismos romanos). Fosse o LXXIV, ou o LXVII, tudo bem: eu renumeraria todos os capítulos seguintes sem o menor problema. Mas era o capítulo VIII! Então revi a estrutura inicial e consegui dividir o capítulo X em dois, resolvendo a questão. Agora, finalmente, vou poder incluir os termos arcaicos, com muito critério, para que o uso deles não prejudique a leitura e a compreensão, e encerrar essa longa e trabalhosa revisão, para poder fazer a diagramação e depois a publicação.  Espero que o resultado fique bom, porque estou realmente me esmerando para fazer o melhor.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O ANTI-HERÓI

Estou há tempo ensaiando para falar desse tipo de protagonista. Andei pesquisando conceitos e exemplos mas não encontrei muita informação conclusiva. Todos preferem falar do herói, aquele sujeito sem graça que abarca todas as qualidades da face da terra e que salva o mundo todos os dias. O anti-herói, perto do herói, é asqueroso e desprezível. Tenho uma queda pelos desamparados, talvez por isso prefira os anti-heróis.
Todos os meus protagonistas são anti-heróis. Não que sempre lhes falte caráter (característica apontada como necessária para alguns conceituadores) mas eles têm uma série de defeitos: sentem medo, sentem raiva destrutiva (e não a indignação mobilizante dos heróis), têm dúvidas, erram, choram, caem, pedem desculpas; são muitas vezes gananciosos, interesseiros, falsos, mentirosos, inescrupulosos, embora confiáveis, amorosos, fiéis a seus ideais. Por isso, pode acontecer de eles serem confundidos com antagonistas – como eu mesma fiz, analisando a personagem Curt Legrant neste texto. Na verdade, ele é o protagonista da história mas, por ser um anti-herói, ele acaba parecendo antagonista de Karl. O mesmo acontece com Ninette, que é, sim, protagonista de sua história. Dessa forma, Karl e Estienne ficam mesmo com o papel de co-protagonistas, na função de “pequenos” (ver texto sobre Grande e pequeno) e, na verdade, eles também são antagonistas, pois impedem Curt e Ninette de alcançarem o poder que almejam.

O anti-herói está mais próximo da pessoa real do que o herói. E eu gosto das pessoas reais, que têm defeitos e problemas. Acho que construir anti-heróis me ajuda a dar verossimilhança à história, pois a vida no passado (o que eu gosto de fazer) não era um conto-de-fadas, mas vida de verdade, de pessoas humanas como nós.

terça-feira, 11 de junho de 2013

FUNERAIS

Embora haja bastante mortes nas minhas histórias, não faço muitos funerais. Eu meio que simplifico dizendo simplesmente que tal pessoa foi enterrada, mas sem falar de caixão, velório, cemitério.

O maior de todos, que é a história com maior número de mortes, não tem nenhum funeral completo, apenas narrações simplificadas. Acho que a primeira cena de funeral com velório e enterro acontece em Construir a terra, conquistar a vida e, a partir de então, é mais comum eu detalhar o ritual – mas não é regra. E aí é interessante notar a diferença entre o funeral de uma personagem secundária ou terciária e o funeral de uma personagem protagonista – sim, tenho mais de uma história em que o protagonista morre no final e, em uma delas, o funeral é detalhado. Quando morre uma personagem secundária ou terciária, o morto fica lá, quietinho, sem outra função que ser lamentado (ou não) pelo protagonista. Mas, nessa história em que eu conto o funeral do protagonista, a personagem, embora “lá, quietinha”, continua sendo determinante das ações das outras personagens; continua, portanto, carregando a trama, embora sem falar nem se mexer. É aquele tipo de situação em que se fica com a impressão de que a pessoa a qualquer momento vai levantar dali e sair andando, que, se a gente olhar por bastante tempo, uma hora a pessoa vai se distrair e respirar. Chorei muito no funeral desse protagonista (que, é claro que eu não vou dizer quem é) e espero ter feito de forma que o leitor se emocione também. Certo, leitor, não precisa chorar, basta lamentar essa morte e já fico satisfeita.

sábado, 1 de junho de 2013

RELATÓRIO DE PROGRESSO – 24 MESES


E não é que Rosinha está rendendo? Em número de páginas e em tempo gasto a escrever. Já está ombreando com Construir a terra, conquistar a vida, que tem 876 páginas e que eu levei seis anos para escrever. Em Construir a terra, conquistar a vida, era a vida das muitas personagens que me alongava; em Rosinha, são os eventos históricos: só a Revolução Paulista de 1924 me custou mais de 40 páginas.
No momento, estou em 1924, já na terceira fase, preparando Toni para voltar à fazenda e reencontrar Rosa. Esse reencontro vai dar “panos para mangas”, pois são muitos anos de afastamento para colocar em dia, muitos eventos a serem contados e explicados de parte a parte. Cada um terá que se colocar no lugar do outro para compreender a complexidade da situação do outro, de forma que o amor entre eles continue prevalecendo.
Embora o narrador seja em terceira pessoa, o ponto de vista da história é Toni. Ele não tem notícias da Rosa, nem o leitor. Que Rosa Toni vai encontrar quando voltar? Terá se mantido fiel à promessa de esperar por ele? Terá morrido de Gripe Espanhola? Toni confia, apenas confia, e só saberá de tudo (e o leitor também) quando estiver novamente na fazenda.
A primeira fase da história durou da página 1 à página 125 e foi apenas uma pequena introdução às personagens e seus objetivos, à determinação de Toni e às suas dificuldades. Na página 125, aparece Letícia, com uma reviravolta escondida na manga, e permanece até a página 398, que é quando acaba a segunda fase (total de 273 páginas, portanto). Há agora uma espécie de interlúdio, nesse início de terceira fase, até que Toni entre no trem de volta para São Carlos. São alguns eventos importantes, que consolidam a segunda fase e preparam o reencontro com suas origens e a retomada de seus objetivos. Não faço idéia de quantas páginas terá, nem quanto tempo levarei para escrever. Já estou na página 434 e tenho a impressão de que a história, de fato, só vai começar quando Toni estiver de novo na fazenda, com Rosa. Então já estou me preparando psicologicamente para mais um tijolinho, que eu terei que publicar em três tomos (que é o caso de Construir a terra, conquistar a vida).
Bem, hoje é aniversário do Blog também, que completa quatro anos. Não dá pra pensar em direcionar os textos para outros assuntos, porque continuo escrevendo Rosinha, que é minha prioridade na divisão do tempo. Ah, a novidade é que estou fazendo parceiras com outros blogs (relação aqui do ladinho), que têm me ajudado a divulgar meus livros, com resenhas, entrevistas e sorteios. Escolha o que gostar mais e acompanhe-o. Na dúvida, acompanhe todos!
Agradeço a companhia de quem está sempre por aqui e espero continuar mantendo o interesse de vocês com textos que falam das dificuldades e alegrias de quem se mete a reinventar mundos e a inventar vidas. Um escritor não é nada sem seus leitores, e eu gosto muito de seus comentários, perguntas e críticas. Então Feliz Aniversário de leitura deste Blog pra você!

terça-feira, 21 de maio de 2013

TEXTOS NOVOS, IDEIAS VELHAS


Nos últimos seis anos, tenho tido poucas ideias novas para escrever histórias. O que tenho feito é retrabalhar ideias antigas e escrevê-las (ou não). Alguns textos são sobre ideias que já foram escritas em algum momento (À procura, O canhoto, Não é cor-de-rosa); outros, sobre ideias que ainda não tinham tido um bom desenvolvimento (Rosinha) e que, por isso, ainda não tinham virado texto. Quando a ideia é boa e eu consigo dar corpo e consistência a ela, torna-se um texto bom (O canhotoNão é cor-de-rosa, é cedo para falar de Rosinha) mas, quando falta a consistência, mesmo a ideia sendo boa, o texto não se sustenta (À procura).
É interessante pensar que estou retomando ideias de vinte, vinte e cinco anos atrás para escrever, por falta de ideias novas. Às vezes a impressão que tenho é de que tive um boom criador no início da carreira e esse momento passou. Talvez eu já tenha inventado tudo o que podia; talvez eu tenha tido todas as ideias logo no começo e não tenha me restado mais nenhuma. Fica aquela sensação de “será que minha capacidade para ter ideias acabou? E se eu nunca mais tiver uma ideia nova? Como vou continuar escrevendo se não consigo mais ter ideias para novas histórias?” Às vezes penso em entrar em crise por causa disso, mas há tanta coisa interessante ainda por aproveitar que acho que vou deixar para me desesperar mais pra frente, quando as boas ideias já tidas acabarem, e eu não tiver mais nenhuma boa ideia nova. Isso deve levar ainda uns bons anos afinal, se apenas 10% de todas as 309 ideias que registrei na minha tabela forem boas o bastante para se tornarem texto, e considerando que já escrevi apenas vinte bons textos (sobreviventes), ainda me restam onze ideias para trabalhar, desenvolver e escrever. Como ultimamente tenho levado mais de um ano para escrever cada história, tenho “combustível” para quase vinte anos de trabalho. E a verdade é que não faz diferença se tive a ideia da trama há um mês ou há vinte anos: o “filho” é meu do mesmo jeito.

sábado, 11 de maio de 2013

ROMANCE DE ÉPOCA


Um alerta do Google me levou ao site Ler é o melhor lazer, de minha xará, para ver o texto que ela publicou explicando a diferença entre romance histórico e romance de época. Segundo ela, ambos são escritos no presente, com ambientação no passado, mas um romance é histórico quando há fatos históricos citados no romance; e um romance é de época quando não cita os fatos históricos mas se propõe apenas a reconstruir a realidade e a visão de mundo daquela época.
É claro que fiquei curiosa para classificar meus romances e cheguei a uma conclusão: de todos os meus romances ambientados no passado, são romances históricos Pelo poder ou pela honra, O maior de todos, Construir a terra, conquistar a vida, O canhoto, Rosinha; e são romances de época O destino pelo vão de uma janela, Primeiro a honra, A noiva trocada, Vingança, Não é cor-de-rosa. O capítulo II de Amor de redenção, que acontece no passado, estaria também na classificação de romance histórico.
Interessante perceber o equilíbrio dessa divisão (seis romances históricos; cinco romances de época). Acho que meus romances de época têm uma leveza maior, provavelmente pela falta de compromisso com os eventos registrados pela história. Por outro lado, a presença dos eventos históricos na trama dá maior verdade e dramaticidade a meus romances históricos. Qual eu gosto mais de fazer? Os dois. Adoro a complexidade que a presença dos fatos reais dá aos romances históricos e também adoro o desafio de contextualizar os romances de época sem usar os fatos históricos. Se a trama estiver no passado, a história já me agrada. Não que eu não goste de ambientar romances no presente; mas o passado tem um sabor especial para mim.
Outra coisa que achei interessante foi que, para mim, os dois tipos requerem a mesma qualidade e quantidade de pesquisa e trabalho de contextualização. Usar ou não fatos e personalidades reais não é decisão minha, mas necessidade da trama.
Rosinha não era para ser um romance histórico. Não é como O canhoto, que tem já na sinopse que “Nicolaas participa da Terceira Cruzada”. Mas eu não posso ver uma revolução acontecendo em São Paulo que já ponho o pacato Toni sofrendo seus efeitos. Foi assim na Greve Geral de 1917 e na Revolução Paulista de 1924. Ainda bem que acabo a história em 1928, porque era bem capaz dele se ver forçado a combater na Revolução Constitucionalista de 1932. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

MUDANÇA DE FASE


Estou fazendo a última revisão de Construir a terra, conquistar a vida antes de publicar. Há umas coisinhas a acertar em termos de dinheiro e administração da cidade, mas estou novamente me encantando com a vida desses primeiros habitantes do Rio de Janeiro. Vou também corrigindo alguns erros de digitação que persistiram em passar despercebidos todos esses anos e acrescentando, onde faltou, algumas marcações para indicar quem está falando, quando há muita gente na conversa (família grande é assim: todo mundo participa ao mesmo tempo). Ah, algo sério que terei que revisar é quanto à passagem do tempo: como escrevi com um calendário a meu lado, eu sabia exatamente quando os eventos aconteciam, e não queria enfadar o leitor com a repetição dos anos, cada vez que começavam, então muitas vezes informei apenas “no outro ano”, ou “depois do Natal, chegou um novo ano”, e agora eu mesma fico perdida na leitura, sem saber em que ano aquelas ações estão acontecendo. E se eu, autora, não sei, imagine a situação do leitor! Então ficar perdida, para mim, é sinal de que algo está muito errado e precisa ser consertado. Tenho que resgatar o calendário que eu usei para poder conduzir melhor o leitor pelos vinte e cinco anos de duração da história.
Além de problemas a corrigir, o que estou percebendo nessa leitura é como meu estilo de escrita mudou. A todo momento, fico pensando “se fosse para escrever essa cena hoje, eu faria de outra forma”. Ainda é cedo para caracterizar essa nova fase, mas acho que já posso considerar que O canhoto inaugura minha quinta fase. Desde que comecei a escrever Rosinha já estava com uma sensação de que alguma coisa estava diferente, e esse sentimento se intensificou com a leitura do texto que justamente abre a quarta fase da minha escrita (para quem não se lembra da minha divisão de fases, o texto é este). Como a mudança é recente, e eu só escrevi dois romances (sobreviventes) ainda por cima com características parecidas (os dois são romances históricos de longa duração), vou deixar para pensar em quais são as novas características dessa fase depois de escrever a próxima história, que nem é romance histórico nem é de longa duração. Acho que dessa forma será mais fácil perceber que alterações de estilo se consolidaram.
É bom perceber que se está numa nova fase, pois isso significa um passo adiante no caminho infinito em busca da excelência; significa que alguns problemas anteriores foram resolvidos e que um novo horizonte de aspectos a aperfeiçoar se abre diante de mim. Significa também que não estou estagnada, repetindo padrões cansados e fórmulas já usadas, repisando soluções que já não me acrescentam nada. Não sou o lago parado, mas o rio que flui, que contorna pedras, alta abismos e corre certeiro para seu encontro com o mar.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

SEM ASSUNTO... OU DICAS PARA ESCREVER MELHOR

Chegou o dia de publicar um texto no blog e não tenho nada pré-preparado. Não gosto disso. Gosto de escrever meus textos com calma, revisá-los, relê-los, tirar partes daqui e colocar ali, jogar tudo fora e começar de novo, aproveitar uma ideia daqui e uma dali para fazer uma coisa só, reescrever tudo, trocar palavras e frases inteiras... Enfim, gosto de ter tempo de dar polimento ao texto, para que ele não seja como este que estou escrevendo agora: simples, direto ao ponto, talvez pobre de conteúdo (não sei, ainda não acabei de escrever).

Pois é, como o texto dos 28 anos de carreira estava pronto desde janeiro, eu acabei me descuidando dessa escrita e não adiantei os textos para publicar este mês. Queria muito contar como anda a história de Toni, mas vou preferir falar sobre isso em junho, quando fará dois anos que comecei a escrevê-lo. Talvez até lá o nome de Rosinha esteja mais justificado, por ela ter voltado à história. Só vou saber quando junho chegar.

Eu tinha começado a escrever um texto sobre a idade de minhas personagens, mas percebi que minha apresentação estava incorreta, então tenho que primeiro corrigir as informações para só depois poder tecer comentários e conclusões. As publicações anteriores vinham falando de amor, mas os principais casos já citei: o amor à primeira vista, como em Romeu e Julieta; e o amor desde sempre, como em O morro dos ventos uivantes.

Na falta de outro assunto a tratar de forma organizada, vou deixar aqui uma lista de "dicas para escrever melhor", que fiz pensando nas listas de dicas de autores de sucesso. Me digam se concordam ou discordam, e se devo discorrer mais detalhadamente sobre algum dos itens. Minhas dicas são estas:



segunda-feira, 1 de abril de 2013

TRAJETÓRIA

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, eu fazia um pouco de quase tudo - romances, contos, crônicas, poemas livres. Saía escrevendo sem me preocupar com gêneros, que eram definidos depois: ficou em verso, é poema; ficou curto, é conto; ficou maiorzinho, é romance; ficou curto e tem relação com a realidade, é crônica. Como eu não sabia aplicar as formas características de cada gênero, o critério era assim, bem simplório mesmo. Mas, com o passar dos anos, à medida em que eu ia aprendendo a usar as formas, eu fui abandonando uns gêneros, e outros foram me abandonando. A crônica foi a primeira, porque não levo jeito para falar da realidade. Depois foi a poesia, porque versos livres facilmente se tornam prosa. O último que eu deixei de lado foi o conto, quando eu percebi que não sei usar bem as características formais dele. Também era necessário focar para aperfeiçoar. E assim, me sobrou escrever romances. É claro que não estou proibida de escrever outros gêneros - outro dia mesmo, escrevi O Além em forma de conto - mas meu cérebro vem se programando ao longo dos anos para pensar em forma de romance.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, o texto não era para ser lido, mas apenas um roteiro para que eu soubesse contar a história. Era simplesmente uma narração dos eventos, sem descrições, sem diálogos. Então, às vezes, aconteciam coisas assim: "eles conversaram a noite toda e resolveram se casar"; ou assim : "Sílvia ligou para Charles e eles combinaram de se encontrarem no Shopping. Passearam, foram ao cinema, lancharam e Charles deixou Sílvia em casa" (o verdadeiro não é exatamente assim mas é bem parecido); e a grande pérola é uma cena de Sahara, onde está escrito apenas "cena do balcão ou noite da sacada" para resumir uma das cenas mais importantes de toda a história; nela havia ações e diálogos fundamentais para o desenvolvimento da trama e, depois de 28 anos, obviamente não lembro mais dos detalhes para contar como foi essa cena. Com a experiência, percebi que o texto tinha que "ficar de pé sozinho", e que tinha que funcionar para leitura de outras pessoas, então fui acrescentando descrições e diálogos, além de detalhes à narração. Nunca fui boa para escrever descrições estáticas, além de achar a leitura delas cansativa. Gosto de descrever ação, e contar o que as pessoas estão conversando, então foi o que busquei desenvolver e aperfeiçoar. Além disso, é no encontro e na conversa que as relações humanas acontecem, e são elas que me interessa mostrar. Hoje é difícil alguém pegar um livro meu sem comentar imediatamente "nossa, quantos diálogos!" No começo, essa observação me assustava um pouco, e eu ficava pensando "puxa, será que focar nos diálogos é errado?" mas hoje vejo como um elogio: meu estilo é facilmente identificado. É uma característica que venho desenvolvendo na minha escrita: a capacidade de dar todas as informações necessárias ao leitor durante as conversas das personagens. Meus diálogos vêm ganhando consistência e conteúdo, e se tornam fundamentais para a história. Toda vez que não tenho como montar um diálogo para dar a informação, e preciso dá-la pelo narrador, fico com a impressão de estar sendo didática e maçante. Prefiro ouvir a voz das personagens, em vez do chato do narrador. Dessa forma, não estou mais contando a história daquelas personagens, mas mostrando o que está acontecendo com elas. Fica mais visual. Acho mais eficiente e mais agradável. Penso que meus leitores concordam comigo.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, queria mudar os rumos da literatura nacional e ser imortal  da Academia Brasileira de Letras. O tempo me mostrou que há espaço no mundo para todo tipo de contador de histórias, e todos eles têm sua importância. A experiência me fez reconhecer que há muitos escritores melhores do que eu mudando os rumos da literatura nacional, e que pertencer à ABL não é a única glória do mundo. Hoje quero apenas contar minhas histórias do meu jeito, e encontrar leitores para elas. Gosto de ter feedback, inclusive para ouvir "não gostei" e "queria um final diferente" e o recente "esse deus-ex-machina que você usou ficou muito forçado". É bom saber que as pessoas leem com atenção, se apegam às personagens, e criam expectativas de final.

Quando eu comecei a escrever, em abril de 1985, tinha medo de que fosse só uma fase, e que as ideias acabassem um dia. Hoje sei que é uma fase, sim, mas uma fase bem longa, que já dura 28 anos, e que ainda vai durar a vida toda.

sexta-feira, 22 de março de 2013

AMOR DESDE SEMPRE

Continuo na linha dos sentimentos que tomam conta de minhas personagens, conforme inspiração do colega literário Renato César.


Diferente do amor à primeira vista, intenso, apaixonado, arrebatador, que muitas personagens minhas conhecem, há um outro tipo de amor, igualmente intenso mas com certas características próprias e que outras personagens minhas experimentam. É um sentimento que começa como uma amizade infantil e que se intensifica na adolescência, quando as personagens decidem que querem ficar juntas para sempre, como marido e mulher. É um amor menos arrebatador e mais tranquilo do que o amor à primeira vista, mas mesmo assim minhas personagens são capazes de enfrentar obstáculos e dificuldades, de fazer loucuras em nome desse sentimento.
A influência principal neste caso é O morro dos ventos uivantes, de Emily Bronté, com a história da amizade infantil entre Heathcliff e Catherine, que se torna amor na adolescência e que inspira tantos outros sentimentos intensos, apaixonados, arrebatadores. Minha relação com essa história começou na infância, com o filme de William Wyler, produzido em 1939 (e é claro que eu assisti a uma reprise), com Laurence Olivier e Merle Oberon nos papéis principais. Encantei-me com o indomável Heathcliff e depois fui buscá-lo no livro, que me lembro de ter lido pelo menos três vezes. A leitura do livro fez o filme perder o encanto mas o interesse pelas personagens e pela história permanece, e faz questão de influenciar minha forma de escrever.
Rosala e Thierry, Estácio e Maria Teresa, Nicolaas e Ester, Toni e Rosa são exemplos desse amor permanente, que mistura amizade e costume de uma forma tão intensa que, para eles, é inconcebível a vida sem seu par. Bem, cada casal desses tem seus desafios, e seria antecipar o fim da história contar o que eles precisam enfrentar para conseguir enfim ficar juntos – ou não.

segunda-feira, 11 de março de 2013

AMOR À PRIMEIRA VISTA


Novamente foi uma pergunta do colega literário Renato César o ponto de partida para eu escrever este texto. Lendo meus livros, ele percebeu que é comum que as personagens se apaixonem ao primeiro olhar – o amor à primeira vista. É realmente bastante comum nas minhas histórias e recentemente – e por acaso – eu descobri ou me lembrei por que: em algum momento da minha infância ou adolescência, provavelmente antes de começar a escrever, e numa época de construção de imaginário, eu assisti à reprise do filme Romeu eJulieta (1968), de Franco Zeffirelli. Há alguns dias, revendo algumas cenas marcantes do filme, eu percebi quanto dele se encontra espalhado por todos os meus livros, especialmente em O destino pelo vão de uma janela. Então, essa ideia do amor à primeira vista intenso, avassalador e que leva as pessoas a desatinos ficou impregnada no meu inconsciente e no meu imaginário, e explode nas minhas histórias sempre que pode. Quero rever o filme todo novamente, para ver se é dele também que vem uma outra característica minha, apontada por meus leitores e tão bem observada pelo Acadêmico Antônio Olinto que, ao folear Construir a terra, conquistar a vida, me disse “tem muitos diálogos”, para em seguida completar: “o grande mestre dos diálogos é Shakespeare”. Então, se Romeu e Julieta me marcou tanto, talvez também seja influência de Shakespeare minha predileção por contar a história em diálogos.
É uma honra descobrir que todos esses anos venho seguindo, ainda que inconscientemente, tão valoroso mestre. Espero agora, com a consciência do fato, aprender ainda mais com ele e me aperfeiçoar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

OUTRO ANIVERSÁRIO


Hoje é o dia em que comemoramos o aniversário da fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que completa 448 anos de ocupação portuguesa permanente. A história dos primeiros anos de vida da cidade é marcada por heroísmo e persistência de um grupo de bravos que teimaram em manter o lugar sob o domínio do rei português. Adversidades não faltaram, fosse a presença dos franceses, os ataques dos índios tamoios, o terreno formado por lagoas e charcos, a falta de gente para povoar, os poucos recursos disponíveis para trabalhar a terra e fazê-la produzir. Eles passaram por cima das dificuldades e construíram uma cidade que se tornou uma das mais bonitas e importantes do Brasil, conhecida no mundo todo, embora ainda haja muitos problemas a resolver – hoje, problemas de outras ordens.
E foi nessa data tão marcante para a história da cidade que eu escolhi acabar a história Construir a terra, conquistar a vida. Ela podia ter acabado em qualquer dia, mas eu quis que o último evento da história coincidisse com o aniversário da cidade, um dia de festa e alegria. Então, enquanto todos comemoram os 448 anos da cidade do Rio de Janeiro, eu me lembro de que faz 421 anos que aconteceu o último evento da história (que é claro que eu não vou contar).
Estou fazendo a última revisão do texto, que tem 844 páginas digitadas em tamanho A4 (ainda estou chegando na metade). É muito interessante rever um texto que eu acabei de escrever a dez anos atrás (como contei aqui), e que faz tempo que não leio inteiro assim. Fico pensando “fosse hoje, escreveria diferente”. Mas é bom ver as personagens agindo, os eventos históricos acontecendo, os problemas surgindo e sendo resolvidos. Nos 25 anos em que se desenrola a história (de 1567 a 1592), tanta coisa acontece na vida da cidade e na vida das personagens... e é bom o sentimento de que personagens minhas estão no grupo dos bravos portugueses que fizeram os primeiros dias da cidade. Duarte lutou ao lado de Estácio de Sá e depois ele e Fernão lutaram ao lado de Salvador de Sá. E, além de defenderem a cidade, também a povoaram com seus filhos e netos. Construíram a terra e tiveram portanto direito de conquistarem uma vida melhor para si e para seus descendentes.
Salve Primeiro de Março, início e fim para muitas histórias, tanto reais como fictícias.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

AMBIENTES


Um colega do fórum Escreva Seu Livro que está lendo todos os meus livros chamou minha atenção para os ambientes às vezes restritos onde ponho minhas personagens para interagir. É uma observação curiosa, pois uma das características do gênero romance é a pluralidade de ambientes.
No meu texto comemorativo de 26 anos de carreira, contei como é possível dividir minha trajetória em quatro fases, e as características de cada uma. Um dos diferenciais para essa divisão é justamente o trabalho da ambientação. As duas histórias da primeira fase – O destino pelo vão de uma janela e O processo de Ser – realmente acontecem num ambiente bastante restrito: a residência da personagem e seus arredores, sendo que as cenas que acontecem na residência predominam. O mesmo se pode dizer das histórias da segunda fase – Pelo poder ou pela honra, O aro de ouro, Nem tudo que brilha... Nesses casos, o ambiente é como uma personagem figurante, pouco detalhada e pouco importante.
Quando chega a terceira fase – O maior de todos e Primeiro a honra – o ambiente começa a se expandir, os “arredores” tornam-se importantes e o espaço passa a ser trabalhado com mais detalhamento. Em O maior de todos, o castelo e a vila são macro-ambientes com pequeninas sub-divisões: os cômodos no castelo; a casa e as ruas na vila. Primeiro a honra tem três grandes focos: Orléans, Paris, Soissons, que marcam momentos importantes na história. Só Paris tem sub-divisões: a casa e a floresta. É o ambiente se tornando personagem secundária.
A quarta fase é curiosa pois, ao mesmo tempo que começa com Construir a terra, conquistar a vida, em que a cidade e seus eventos são personagens importantes também, tem A noiva trocada e Vingança com ambientes restritos. Não é sem motivo: essas duas histórias seguem uma estrutura que as aproxima do conto, gênero que tem por característica os ambientes restritos. Amor de redenção acontece na Espanha e no Brasil e, mesmo quando para no Rio de Janeiro, há pelo menos dois ambientes bastante importantes, sem contar os “arredores”. Não é cor-de-rosa é um pouco restrita também, embora haja o mundo de Caty e o mundo de Alex, a fábrica, a casa, o trem, a praça. O canhoto é desvario, nesse quesito de ambiente. Quase fico cansada só de pensar em por quantos lugares Nicolaas passou pois ele saiu de Bruges para a Terra Santa, tendo morado ainda em Antwerpen, Aachen e Gênova. Rosinha é difícil de analisar, porque ainda estou escrevendo mas há dois macro-ambientes – São Carlos e São Paulo – cada um com seus ambientes menores, bastante trabalhados, pois Toni é do tipo que vai do Tatuapé a Perdizes andando sem nem ao menos se cansar, então os muitos lugares de São Paulo são bastante presentes. A fazenda vai aparecer em detalhes na fase 3, em que Toni transitará pela casa dos pais, pela Casa Grande, pelo cafezal, além dos passeios com Rosa. Alcancei a pluralidade de ambientes que pede o romance.
Penso que venho desenvolvendo minha habilidade em explorar os recursos cênicos dos ambientes por onde andam minhas personagens. É um caminho longo e ainda incompleto. Mas estou aprendendo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

RELATÓRIO DE PROGRESSO - 20 MESES

A Revolução Paulista acabou, e daqui a dois meses a Fase 2 da história vai acabar também. Sim, eu tinha dito que a Fase 2 ia até 1927 mas a verdade é que acaba quando Letícia se afasta de Toni, e isso vai acontecer daqui a dois meses, ainda em 1924. Já passei a página 300 faz tempo, e estou na página 335. Estou com medo de prever até onde vai em número de páginas, porque a Fase 3 vem aí com a corda toda, e os últimos oito meses da história prometem muita ação. Ah, inventei mais uma mulher na vida de Toni. Ainda não sei o nome, mas já sei como eles vão se conhecer. Mais uma amiga para testar o amor e a fidelidade de Toni a Rosa. Pobre Toni...

A programação deste ano é dar uma pausa na escrita para terminar a revisão e preparar os arquivos para publicação de Construir a terra, conquistar a vida mas estou tão entusiasmada escrevendo que fica difícil deixar Toni de lado para cuidar de Duarte. Tenho que encontrar um espaço na minha agenda diária para cuidar dos dois. A publicação de Construir a terra, conquistar a vida será especial, pois são três tomos, num total de mais de 1200 páginas. Haja fôlego para produzir!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

FASES


Interessante analisar comparativamente a estrutura das histórias, procurando se há um padrão – se eu sigo uma fórmula pessoal. É verdade que não costume me prender a dogmas, dicas, fórmulas, quando estou inventando, mas isso não quer dizer que não os esteja usando, mesmo que inconscientemente. Tive um professor na faculdade de Educação Artística que costumava dizer algo como “inconscientemente não é ignorantemente”, para dizer que, mesmo que o artista não faça escolhas conscientes, mesmo que não saiba explicar suas escolhas, ele sabe muito bem que está escolhendo o que é mais apropriado para sua obra. Então resolvi fazer mais uma tabela, para verificar quantas fases distintas cada história tem, e onde está o clímax de cada uma delas. Descobri que posso dividir a grande maioria em três fases (7 histórias) e que, nessas, o clímax está na terceira fase. Em outras 5 histórias, há duas fases, com o clímax na segunda fase e apenas duas histórias não consegui dividir em fases, pois a ação segue num continuum sem interrupção.

Não estou chamando de “fases” as divisões estruturais necessárias a um romance: apresentação, desenvolvimento, clímax, conclusão. Estou dividindo apenas o desenvolvimento. A apresentação necessariamente faz parte da primeira fase e o clímax com a conclusão estão na última, seja ela a segunda ou a terceira, ou a mesma primeira com que a história começou. O que marca essa divisão em fases são pontos de virada determinantes, que fazem a história dar uma guinada e mudar de rumo. Não são pontos de virada de comprometimento da personagem principal com seu objetivo, mas justamente quando a personagem muda de planos.

Vamos exemplificar:
1)     a história de Toni:
Fase 1 – fazenda, apresentação das personagens, apresentação dos objetivos, Toni vai para São Paulo, trabalha e ganha dinheiro, dificuldades (Fase “Toni”).
Fase 2 – Letícia chega com dinheiro e uma proposta, Letícia influencia a vida de Toni, Letícia se afasta de Toni (Fase “Letícia”).
Fase 3 – Toni tenta se manter e organizar a vida, Toni volta à fazenda. As coisas não acontecem como ele esperava, e ele precisa redescobrir sua própria identidade e objetivos. Clímax e conclusão. (Fase “Rosa”).

2)     O canhoto:
Fase 1 –  apresentação das personagens, apresentação do problema, Ten Duinen, Maurits, casa do pai (Fase “Bruges”).
Fase 2 – Aachen, Antwerpen, Gênova, conhece Miguel, Cruzada (Fase “Exílio”).
Fase 3 – volta a Bruges. As coisas estão diferentes do que ele esperava e ele precisa organizar novamente sua vida. Clímax e conclusão (Fase “Bruges”).

Em seis histórias de três fases, a estrutura é mais ou menos como essas que apresentei: a personagem de alguma forma volta a suas origens na terceira fase, mas tudo está diferente: o ambiente, as pessoas, e ela mesma, que amadureceu durante os eventos da primeira e da segunda fases. São assim O destino pelo vão de uma janela, O maior de todos, Primeiro a honra, Não é cor-de-rosa, e as já citadas O canhoto e Rosinha. Apenas uma história com três fases é diferente, a ponto de, num primeiro momento, eu ter considerado que havia apenas uma fase: Construir a terra, conquistar a vida. Mas há marcadamente três momentos na história. Um primeiro, em que Duarte e Fernão lutam para se estabelecerem na terra nova. Na segunda fase, já de alguma forma estabelecidos, é preciso manter o que foi conquistado, e preparar a próxima geração para não ter que enfrentar os mesmos problemas. Depois, na terceira fase, é hora dos filhos também decidirem seus rumos, e conquistarem suas vidas. Na terceira fase também ficam o clímax e a conclusão.

Nas histórias com duas fases, o que acontece é um contraponto, uma espécie de duelo entre duas personagens, dois temas, duas questões. Na primeira fase, prevalece um deles e, no segundo, prevalece o segundo, encaminhando para a conclusão. Um exemplo é A noiva trocada, em que Inês prevalece na primeira fase e, troca desfeita, a segunda fase pertence a Assunción. Também têm duas fases Pelo poder ou pela honra, O aro de ouro, Nem tudo que brilha... e Amor de redenção. Em todas essas, há apenas um ponto de corte, de mudança de rumo na história.

E não consegui dividir em partes O processo de Ser nem Vingança. São histórias curtas, lineares, sem contrapontos, sem pontos de virada dramáticos. É um fluxo apenas, um encadeamento que vai somente numa direção, da apresentação ao clímax e à conclusão.

As mais intensas são provavelmente as histórias com três fases, inclusive porque nelas o protagonista volta ao ponto inicial modificado por sua jornada e percebe que não existe retorno, mas somente uma caminhada sempre em frente, sempre construindo coisas novas, mesmo que aparentemente sobre o que já foi um dia. Assim também é a nossa vida: sempre em frente. A repetição da rotina é apenas uma abstração da nossa mente controladora, e não existe na realidade. Cada dia é um novo dia.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

NOTÍCIAS DA REVOLUÇÃO PAULISTA


Passei a página 300 da história de Toni no dia 8 de janeiro. Já não acho prudente fazer previsão de número de páginas total, porque ainda estou no meio da Revolta Paulista, que acontece ainda na segunda fase, e é só na terceira fase que a história vai começar de fato. Dará umas 500 páginas?

É claro que envolvi Toni na Revolução Paulista. Na última cena que escrevi, ele estava andando pela cidade inteira, com seu emprego ameaçado, porque uma bomba quase destruiu a fábrica que lhe dá o sustento. E é claro que, se ele está na rua, vai ver as tropas e os aviões, ouvir os tiros e as bombas. Ainda não decidi se vou deixá-lo escapar ileso... afinal, um tiro de raspão não mata ninguém...

Tenho pensado muito em que título dar a essa história. Me incomoda o nome dela ser Rosinha quando Toni é o protagonista. Acho que só terei mais clareza do que caracteriza essa história, a ponto de virar título, quando eu chegar à terceira fase, que é quando Rosa reaparece. De certa forma, ela é a chave de tudo, e quem vai dar sentido a tudo o que Toni passou e construiu. Só quando eu estiver realmente e completamente envolvida com a Rosinha é que o título vai brotar da história para mim. Enquanto isso, continuo pensando, mas já sabendo que não vou encontrar nada que sirva.

Vou ter que fazer uma pausa na escrita, assim que passar a Revolução, para acabar a revisão de Construir a terra, conquistar a vida, que será publicada este ano. Serão três ou quatro tomos, então tenho muito trabalho pela frente. Este início de ano está animado. Espero que continue assim.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

FIM DO MUNDO? NÃO, 2013


O mundo, afinal, não acabou e nós chegamos a 2013. 2012 foi um ano marcante na minha vida, pois minha rotina foi quebrada várias vezes, o que me obrigou a reorganizar minha vida todas as vezes. Se formos pensar em “fim” como uma mudança ou transição, então enfrentei alguns “fins de mundo” durante o ano: mudanças no local de trabalho; mudanças no horário escolar da minha filha (o que virou minha rotina simplesmente de cabeça pra baixo); mudanças de atividades pessoais diárias. E não foi tudo de uma vez. Quando eu estava me adaptando a uma mudança, acontecia outra, de forma que eu só consegui me adaptar a todas as novidades da nova rotina em novembro – aí minha filha logo entrou de férias e mudou tudo de novo: mais um “fim de mundo” ao qual me adaptar. Por causa dessa confusão toda, acabei não conseguindo levar adiante alguns projetos literários previstos para 2012, como a ideia de fazer leitura crítica ou coaching literário.

Por outro lado, meu romance caminhou bem. Não sei exatamente onde eu estava em 1/1/2012 (por volta da página 80, como citei em 11/1/2012?) mas a página 100 foi escrita em 18 e 19/3/2012 e, em 1/1/2013, acabarei de escrever a página 294, o que significa que, em 2012, eu escrevi mais de 194 páginas. Também consegui publicar A noiva trocada, embora sem um lançamento real. Talvez eu faça alguma coisa logo depois do Carnaval; vamos ver.

Encerrei minha participação em algumas comunidades e grupos, para focar nos que eu considero mais interessantes e produtivos, onde é realmente possível trocar idéias e aprender, além de conversar e fazer amigos.

Meus projetos para 2013 são ambiciosos:
1)     Publicar e lançar Construira terra, conquistar a vidaem três ou quatro tomos, conforme o orçamento que a gráfica me passar;
2)     Talvez acabar de escrever meu livro (que, afinal, não terá muito mais do que 500 páginas);
3)     Prosseguir na ideia da leitura crítica, que nem é nova;
4)     Participar das discussões nos grupos virtuais;
5)     Visitar os blogs dos amigos.

Considerando que o ano tem só 365 dias, acho que basta, né?

Então, Feliz 2013 pra todos nós!

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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