segunda-feira, 21 de julho de 2014

MAIS TEMPO

Já falei aqui sobre o tempo que eu fico sem escrever nada. Agora é hora de pensar no tempo que levo para escrever uma história, que vem aumentando nos últimos anos, basicamente por dois motivos:
1)     as histórias estão se tornando mais consistentes e mais detalhadas e, portanto, mais longas. Se, no início, eu fazia um “romance” em 45 páginas, hoje preciso de pelo menos 200. Como a vida toda sempre escrevi, em média, entre 0,3 e 1,4 páginas por dia, se o número de páginas aumentou, é natural que o número de dias aumente também.
2)     Minha disponibilidade de horários livres para a atividade diminuiu. Durante a vida de estudante – solteira – morando na casa dos pais, eu tinha bastante tampo para me dedicar a escrever. Mas agora, nessa vida de profissional – casada – mãe, administrando ainda a vida da casa, minha disponibilidade se resume aos 30 minutos diários dentro do metrô, indo e vindo de meu emprego. Às vezes (como no momento em que escrevo este texto), aproveito os minutos entre eu acabar de jantar e minha filha acabar de jantar para, deseducadamente, escrever uma ou duas páginas, enquanto lhe faço companhia à mesa. Circunstâncias da vida. Não me queixo.
É claro que eu tenho uma tabela onde registro quanto tempo levei para escrever cada história. Infelizmente o registro não está completo porque, bem lá no início, eu não tinha o cuidado de anotar o dia em que eu escrevi a primeira letra e o dia em que eu coloquei o ponto final. De qualquer forma, é interessante ver, hoje, que eu levei 13 dias para escrever A noiva trocada; levei 42 dias para escrever O maior de todos; 2191 dias (seis anos exatos) para escrever Construir a terra, conquistar a vida; 629 dias para escrever O canhoto; e já estou a mais de 1092 dias (três anos) escrevendo De mãos dadas.
Quando eu começo a escrever, sempre tenho pressa de acabar. A história está pronta na minha cabeça, e a vontade é de vê-la logo no papel, de forma escrita.
Por compreender os motivos que me fazem passar anos com uma mesma personagem – quando eu queria resolver tudo em poucos meses – eu deixei de me angustiar com esse fator. Minha vida agora é assim e angústia e revolta não resolverão o problema. Então apenas procuro aliar o número de páginas de que preciso a todas as brechas de tempo que tenho para produzir com qualidade e rapidez.

É interessante passar anos com uma mesma personagem e, além de vê-la amadurecer, amadurecer também junto com ela e melhorar o estilo de escrita. A vida é assim: perde-se por um lado e ganha-se por outro.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

UNIVERSAL NO NACIONAL

Ultimamente tenho pensado como os artistas, escritores e intelectuais Modernistas (Brasil, início do século XX): para sermos universais, precisamos primeiro ser nacionais. Por muito tempo, achei que era bobagem focar nas nossas características nacionais – e, levando ao extremo, características regionais e até locais. Mas hoje entendo que existe uma parcela de universal inclusive no local, e as características locais são as que estão mais próximas de nós, é com quem temos maior intimidade, é o que sabemos com mais profundidade, o assunto mais fácil de lidar e desenvolver. Eu descobri que quanto mais se trabalha o pormenor, os detalhes, mais o aspecto geral aflora. Então, se focamos e damos atenção ao local ou ao regional ou ao nacional, mais as características do universal se destacam.

Então, colegas escritores, não tenham medo de escrever sobre seu país, sua região, sua cidade, seu bairro. Há neles um dado universal que despontará se as características locais forem exploradas ao máximo. Porque os problemas humanos são comuns a todos, independente de nacionalidade e de época. Então, minha realidade é apenas um caso especial da existência humana. Falar do que eu conheço melhor (a minha realidade) é a ferramenta mais eficiente para abordar as questões de toda a humanidade. E é assim que, quando um artista ou escritor foca sua produção em sua realidade mais próxima e pessoal, ele consegue mostrar o que há de universal em cada um de nós. Falar de um é falar de todos.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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