terça-feira, 22 de janeiro de 2013

FASES


Interessante analisar comparativamente a estrutura das histórias, procurando se há um padrão – se eu sigo uma fórmula pessoal. É verdade que não costume me prender a dogmas, dicas, fórmulas, quando estou inventando, mas isso não quer dizer que não os esteja usando, mesmo que inconscientemente. Tive um professor na faculdade de Educação Artística que costumava dizer algo como “inconscientemente não é ignorantemente”, para dizer que, mesmo que o artista não faça escolhas conscientes, mesmo que não saiba explicar suas escolhas, ele sabe muito bem que está escolhendo o que é mais apropriado para sua obra. Então resolvi fazer mais uma tabela, para verificar quantas fases distintas cada história tem, e onde está o clímax de cada uma delas. Descobri que posso dividir a grande maioria em três fases (7 histórias) e que, nessas, o clímax está na terceira fase. Em outras 5 histórias, há duas fases, com o clímax na segunda fase e apenas duas histórias não consegui dividir em fases, pois a ação segue num continuum sem interrupção.

Não estou chamando de “fases” as divisões estruturais necessárias a um romance: apresentação, desenvolvimento, clímax, conclusão. Estou dividindo apenas o desenvolvimento. A apresentação necessariamente faz parte da primeira fase e o clímax com a conclusão estão na última, seja ela a segunda ou a terceira, ou a mesma primeira com que a história começou. O que marca essa divisão em fases são pontos de virada determinantes, que fazem a história dar uma guinada e mudar de rumo. Não são pontos de virada de comprometimento da personagem principal com seu objetivo, mas justamente quando a personagem muda de planos.

Vamos exemplificar:
1)     a história de Toni:
Fase 1 – fazenda, apresentação das personagens, apresentação dos objetivos, Toni vai para São Paulo, trabalha e ganha dinheiro, dificuldades (Fase “Toni”).
Fase 2 – Letícia chega com dinheiro e uma proposta, Letícia influencia a vida de Toni, Letícia se afasta de Toni (Fase “Letícia”).
Fase 3 – Toni tenta se manter e organizar a vida, Toni volta à fazenda. As coisas não acontecem como ele esperava, e ele precisa redescobrir sua própria identidade e objetivos. Clímax e conclusão. (Fase “Rosa”).

2)     O canhoto:
Fase 1 –  apresentação das personagens, apresentação do problema, Ten Duinen, Maurits, casa do pai (Fase “Bruges”).
Fase 2 – Aachen, Antwerpen, Gênova, conhece Miguel, Cruzada (Fase “Exílio”).
Fase 3 – volta a Bruges. As coisas estão diferentes do que ele esperava e ele precisa organizar novamente sua vida. Clímax e conclusão (Fase “Bruges”).

Em seis histórias de três fases, a estrutura é mais ou menos como essas que apresentei: a personagem de alguma forma volta a suas origens na terceira fase, mas tudo está diferente: o ambiente, as pessoas, e ela mesma, que amadureceu durante os eventos da primeira e da segunda fases. São assim O destino pelo vão de uma janela, O maior de todos, Primeiro a honra, Não é cor-de-rosa, e as já citadas O canhoto e Rosinha. Apenas uma história com três fases é diferente, a ponto de, num primeiro momento, eu ter considerado que havia apenas uma fase: Construir a terra, conquistar a vida. Mas há marcadamente três momentos na história. Um primeiro, em que Duarte e Fernão lutam para se estabelecerem na terra nova. Na segunda fase, já de alguma forma estabelecidos, é preciso manter o que foi conquistado, e preparar a próxima geração para não ter que enfrentar os mesmos problemas. Depois, na terceira fase, é hora dos filhos também decidirem seus rumos, e conquistarem suas vidas. Na terceira fase também ficam o clímax e a conclusão.

Nas histórias com duas fases, o que acontece é um contraponto, uma espécie de duelo entre duas personagens, dois temas, duas questões. Na primeira fase, prevalece um deles e, no segundo, prevalece o segundo, encaminhando para a conclusão. Um exemplo é A noiva trocada, em que Inês prevalece na primeira fase e, troca desfeita, a segunda fase pertence a Assunción. Também têm duas fases Pelo poder ou pela honra, O aro de ouro, Nem tudo que brilha... e Amor de redenção. Em todas essas, há apenas um ponto de corte, de mudança de rumo na história.

E não consegui dividir em partes O processo de Ser nem Vingança. São histórias curtas, lineares, sem contrapontos, sem pontos de virada dramáticos. É um fluxo apenas, um encadeamento que vai somente numa direção, da apresentação ao clímax e à conclusão.

As mais intensas são provavelmente as histórias com três fases, inclusive porque nelas o protagonista volta ao ponto inicial modificado por sua jornada e percebe que não existe retorno, mas somente uma caminhada sempre em frente, sempre construindo coisas novas, mesmo que aparentemente sobre o que já foi um dia. Assim também é a nossa vida: sempre em frente. A repetição da rotina é apenas uma abstração da nossa mente controladora, e não existe na realidade. Cada dia é um novo dia.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

NOTÍCIAS DA REVOLUÇÃO PAULISTA


Passei a página 300 da história de Toni no dia 8 de janeiro. Já não acho prudente fazer previsão de número de páginas total, porque ainda estou no meio da Revolta Paulista, que acontece ainda na segunda fase, e é só na terceira fase que a história vai começar de fato. Dará umas 500 páginas?

É claro que envolvi Toni na Revolução Paulista. Na última cena que escrevi, ele estava andando pela cidade inteira, com seu emprego ameaçado, porque uma bomba quase destruiu a fábrica que lhe dá o sustento. E é claro que, se ele está na rua, vai ver as tropas e os aviões, ouvir os tiros e as bombas. Ainda não decidi se vou deixá-lo escapar ileso... afinal, um tiro de raspão não mata ninguém...

Tenho pensado muito em que título dar a essa história. Me incomoda o nome dela ser Rosinha quando Toni é o protagonista. Acho que só terei mais clareza do que caracteriza essa história, a ponto de virar título, quando eu chegar à terceira fase, que é quando Rosa reaparece. De certa forma, ela é a chave de tudo, e quem vai dar sentido a tudo o que Toni passou e construiu. Só quando eu estiver realmente e completamente envolvida com a Rosinha é que o título vai brotar da história para mim. Enquanto isso, continuo pensando, mas já sabendo que não vou encontrar nada que sirva.

Vou ter que fazer uma pausa na escrita, assim que passar a Revolução, para acabar a revisão de Construir a terra, conquistar a vida, que será publicada este ano. Serão três ou quatro tomos, então tenho muito trabalho pela frente. Este início de ano está animado. Espero que continue assim.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

FIM DO MUNDO? NÃO, 2013


O mundo, afinal, não acabou e nós chegamos a 2013. 2012 foi um ano marcante na minha vida, pois minha rotina foi quebrada várias vezes, o que me obrigou a reorganizar minha vida todas as vezes. Se formos pensar em “fim” como uma mudança ou transição, então enfrentei alguns “fins de mundo” durante o ano: mudanças no local de trabalho; mudanças no horário escolar da minha filha (o que virou minha rotina simplesmente de cabeça pra baixo); mudanças de atividades pessoais diárias. E não foi tudo de uma vez. Quando eu estava me adaptando a uma mudança, acontecia outra, de forma que eu só consegui me adaptar a todas as novidades da nova rotina em novembro – aí minha filha logo entrou de férias e mudou tudo de novo: mais um “fim de mundo” ao qual me adaptar. Por causa dessa confusão toda, acabei não conseguindo levar adiante alguns projetos literários previstos para 2012, como a ideia de fazer leitura crítica ou coaching literário.

Por outro lado, meu romance caminhou bem. Não sei exatamente onde eu estava em 1/1/2012 (por volta da página 80, como citei em 11/1/2012?) mas a página 100 foi escrita em 18 e 19/3/2012 e, em 1/1/2013, acabarei de escrever a página 294, o que significa que, em 2012, eu escrevi mais de 194 páginas. Também consegui publicar A noiva trocada, embora sem um lançamento real. Talvez eu faça alguma coisa logo depois do Carnaval; vamos ver.

Encerrei minha participação em algumas comunidades e grupos, para focar nos que eu considero mais interessantes e produtivos, onde é realmente possível trocar idéias e aprender, além de conversar e fazer amigos.

Meus projetos para 2013 são ambiciosos:
1)     Publicar e lançar Construira terra, conquistar a vidaem três ou quatro tomos, conforme o orçamento que a gráfica me passar;
2)     Talvez acabar de escrever meu livro (que, afinal, não terá muito mais do que 500 páginas);
3)     Prosseguir na ideia da leitura crítica, que nem é nova;
4)     Participar das discussões nos grupos virtuais;
5)     Visitar os blogs dos amigos.

Considerando que o ano tem só 365 dias, acho que basta, né?

Então, Feliz 2013 pra todos nós!

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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