domingo, 21 de junho de 2015

SOBRE A ESCRITA

Acabei de ler (pela segunda vez, tomando notas) Sobre a escrita, de Stephen King. Fiquei encantada com a forma simples e despojada de ele falar – sim, o texto parece uma conversa entre amigos. E adorei o conteúdo, em parte porque concordo com ele em muitas coisas – e é muito bom ouvir seu pensamento polêmico na boca de alguém famoso, porque isso para mim significa que estou no caminho certo – e em parte para organizar meu método e acrescentar o que falta. Quem sabe assim não consigo saltar de “escritora competente” para “boa escritora”? e finalmente ter meus livros publicados e lidos em quantidade.

A pior parte é ler os “do” e “don’t” (“faça” e “não faça”) e estar coma história mais recente ainda fechada numa caixa. Ele recomenda escrever um livro em três meses e depois passar seis semanas em tempo de espera, para o escritor esquecer o que escreveu e para o texto amadurecer (exatamente o termo que eu uso). Para mim, seis semanas é pouco. Minha memória é muito boa e às vezes nem um ano inteiro (o meu tempo de espera) é o bastante para que eu esqueça falas inteiras de algum trecho mais marcante da história. Ah, e eu adoraria poder escrever um livro em três meses. Se eu tivesse três ou quatro horas por dia para essa atividade (como ele recomenda e os escritores profissionais têm), eu certamente faria um livro de 300 páginas em três meses (escrevi as 160 páginas de O maior de todos em 40 dias: estava de férias e passava o dia escrevendo). Então, ao ler os “do” e “dont’s” do amigo Steve, minha vontade é pegar De mãos dadas de dentro da caixa e conferir se fiz o que ele recomenda. Mas isso só será possível em novembro. Enquanto isso, vou conferindo esses pontos nas histórias mais antigas que ainda não foram publicadas. Lá vou eu incrementar minhas revisões... e isso é ótimo!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

INFLUÊNCIAS

Quando se pergunta a um escritor que autores e obras o influenciaram, a resposta em geral fala dos autores imortais e das obras clássicas: Fiodor Dostoievsky, Émile Zola, Charles Dickens, Joaquim Maria Machado de Assim, Jane Austen, Leon Tolstoi, Jorge Amado, Stendhal, Gustave Flaubert, Alexandre Dumas, entre tantos outros medalhões que são exemplo de como se escrever bem. Eu tenho alguns desses na minha lista também mas tenho que reconhecer que sou muito influenciada, especialmente em termos de caracterização das personagens e construção da dramaticidade das cenas, por uma obra que não é exatamente literária, mas televisiva: Jornada nas Estrelas – a série clássica, estrelada por atores que, infelizmente vêm nos deixando, um por um. Jornada nas Estrelas declaradamente buscou muitas de suas referências na obra de Shakespeare, então ouso dizer que, indiretamente, Shakespeare é uma influência importante na minha obra. E então eu me lembro do curto encontro que tive com o escritor e acadêmico Antônio Olinto, quando mostrei a ele Construir a terra, conquistar a vida. Numa olhada rápida, ele identificou a quantidade de diálogos existentes no texto e disse algo que ficou marcado na minha memória: “o grande mestre dos diálogos é Shakespeare”. Conheço Shakespeare apenas de filmes e óperas, ainda não li nenhum dos textos dele. Mas fico pensando: meus diálogos (a quantidade e o uso que faço deles) serão influência de Shakespeare, recebida pelos filmes sobre as obras dele e também por Jornada nas Estrelas? Se a resposta for “não”, permanece a questão de de onde eu tiro tantos diálogos. E, se a resposta for “sim”, fico honrada de beber de uma fonte tão rica e valiosa.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

APENAS SEIS ANOS

Mais um aniversário do blog. Faz seis anos que eu comecei a me aventurar nesse território da publicação virtual, trazendo para meus leitores curiosidades sobre meus livros, reflexões sobre meu método de criação e novidades várias sobre o livro que estou escrevendo no momento. Tem sido uma experiência interessante, embora muitas vezes me pareça que estou aqui conversando com as paredes, pois meus textos são vistos, mas pouco comentados. A sorte é que eu sou teimosa e prossigo de qualquer jeito, atolada na lama até os joelhos ou remando contra a maré. Não importa, eu estarei aqui, jogando minhas palavras ao vento (clichê!) na esperança de que alcancem alguém.

Não é fácil ter assunto para seis anos de textos. Como são três por mês, são 36 textos por ano. Em alguns anos, publiquei a mais; em alguns anos, publiquei a menos, então não basta multiplicar 36 por 6 para saber quantos textos estão publicados aqui. A conta vem a ser mais complexa.

Cheguei a pensar em começar hoje meu novo livro (a história de Rodrigo, ainda sem título) mas isso seria assumir um compromisso que eu não daria conta de cumprir da forma como gosto: escrever sem parar. Como ainda estou cuidando da publicação de Construir a terra, conquistar a vida, não quero desviar minha atenção com uma atividade muito mais absorvente como é o processo de criação e escrita. Então deixo para começar depois. Não tenho pressa.

Feliz aniversário do blog para mim que escrevo e para vocês que leem. 

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Um pouco sobre mim

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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