terça-feira, 11 de maio de 2010

PROTAGONISTAS E ANTAGONISTAS

Pela definição, protagonista é a personagem principal, o “mocinho”, o “herói”, o “bonzinho”, quem carrega a trama e conduz a história. É por ele que o leitor torce, para que ele chegue ao final feliz esperado. Antagonista é a personagem que se contrapõe à protagonista, criando empecilhos ao final feliz que a protagonista busca. É o “bandido”, o “vilão, o “malvado”.

Nas minhas histórias, em geral tenho um casal protagonista (o mocinho e seu par ou a mocinha e seu par). Às vezes tenho dois casais, quando são dois mocinhos (Duarte e Fernão; Curt e Karl) e seus pares. Mas o que posso dizer de meus antagonistas além de que não são óbvios? Muitas vezes os papéis se confundem, se invertem, se alternam. Minhas personagens vão além do rótulo de “bonzinho” e “malvado”. Em Pelo poder ou pela honra, Estienne e Fréderic são alternadamente o problema e a solução da disputa. Qual dos dois será o verdadeiro antagonista de Ninette?

Em O maior de todos, Curt e Karl são antagonistas um do outro, mas os dois juntos são os protagonistas da história. Nenhum dos dois é totalmente bom nem totalmente mau, nem sempre certos, nem sempre errados – como tudo na vida.

Achei bom o trabalho que fiz em O canhoto, ao falar de Hans Günter. Ele é herói e demônio, volta a ser herói, mostra-se um perdedor, um salvador, para, no fim, ser apenas humano.

E o que dizer quando o protagonista é o “vilão” da história, o “malvado”? É o que acontece em Vingança – como o próprio título já sugere. É interessante porque, se o protagonista é o vingador, então antagonistas são as vítimas, as pobres vítimas indefesas. De certa forma, é uma inversão, até que se conheçam os fatos que provocaram a vingança. Só então os “bonzinhos” vão para o lugar de protagonistas e os “mauzinhos” ficam no lugar de antagonistas, e o vingador pode ter esperança de perdão.

Já Ágila, em Amor de redenção, ocupa os dois lugares: é o protagonista da história, ao mesmo tempo em que age como antagonista de seu par e, portanto, de sua própria felicidade. Camila precisou assumir o lugar de protagonista para ajudar Ágila a decidir se chegaria ao final como seu par (protagonista) ou como antagonista.

Essa definição de papéis nunca é muito evidente porque muitos dos conflitos não são entre personagens, mas de uma personagem consigo mesma, ou entre personagem e meio social. E eu procuro sempre deixar as personagens sem todas as características definidas, para que os “bonzinhos” possam ter ataques de fúria, e os “mauzinhos” possam ter rompantes de generosidade. Procuro fazer minhas personagens imperfeitas e imprevisíveis, como são as pessoas de verdade; então fica difícil enquadrá-las nessas categorias fechadas.

Um comentário:

  1. Oi, Monica, boa noite !
    Aqui é o Cristiano Camargo, do Movimento Orgulho Autista, e colega seu, escritor tambem. Queria te dizer que gostei muito do seu blog e achei muito interessante o seu artigo sobre protagonistas e antagonistas,e pelo pouco que falou de algumas de suas obras neste artigo,as achei muito interessantes tambem.Gostaria igualmente de convida-la a visitar meu blog literario, que iniciei hoje,se chama "Sensibilidade de Escrever"
    http://sensibilidadedeescrever.blogspot.com
    Espero que gostes, é a primeira vez na minha vida que faço um blog e ele esta começando hoje.
    Um abraço e até mais,
    Cristiano Camargo !

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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