terça-feira, 11 de janeiro de 2011

REPETIR NOMES

Já comentei neste blog, em mais de uma oportunidade, o cuidado que tenho na escolha dos nomes das personagens. Contei meus critérios gerais, como foi a escolha do nome de Jan Nicolaas, de Juan Miguel, de Lorenzo, de Duarte. O leitor que teve a curiosidade de ver minhas sinopses no blog de apoio deve ter percebido a grande variedade de nomes que eu uso, mesmo considerando a diferença de línguas. Tenho por princípio não repetir nomes de personagens principais, mesmo que em outra língua, mas nem sempre isso é possível. De qualquer forma, personagens mais marcantes não têm nome repetido. É o caso de Gustave, Ninette, Nicolaas, Duarte, Fernão, Curt, Ester, Maurits, Ágila, Ricardo de Almeida. Esses provavelmente nunca serão repetidos, nem mesmo em outra língua. Alguns nomes são muito repetidos, como Isabel, que aparece em várias formas: Isabel (O maior de todos, Nem tudo que brilha..., Fábrica), Lisbet (O maior de todos), e ainda Isabelle, Elisabeth, Isa, Lisa em histórias descartadas. Acho que, em português, cheguei à minha Isabel definitiva em Fábrica, mais do que em Nem tudo que brilha... Por outro lado, se eu escrever Rosinha, há na história também uma Isabel. Talvez eu mude o nome dela, vou pensar [editado: realmente mudei o nome e Isabel se tornou Letícia Prado].

Às vezes também repito modificando um nome simples em composto, ou vice-versa, como Miguel e Jean Michel e Juan Miguel, que, além disso, são em línguas diferentes; Teresa e Maria Teresa. Tenho também Robert, que se tornou Robrecht, e Rudbert, além de um Roberto brasileiro.

Pode acontecer também dessas repetições aparecerem na mesma história, quando diferentes famílias dão o mesmo nome a seus filhos – como em Construir a terra, conquistar a vida, em que tenho, por exemplo, Isabel Barros e Isabel Lopes; Teresa Fernandes e Maria Teresa; Salvador de Sá e Salvador Lopes, Leonor Correia e Leonor Temiminó; Catarina Fernandes e Catarina Fagundes; Manuel de Brito, Manuel Lopes, Manuel Gonçalves, Manoel Machado.

Às vezes a personagem “nasce” com um nome, mas eu acho que ele não funciona (ou já tenho uma personagem principal com esse nome e, como decidi escrever a história, não quero repetir). Fico então procurando outros nomes que combinem com as características físicas e de personalidade da personagem. Isso acontece muito com as histórias que são exercícios de criação, quando eu uso os nomes originais das bonecas de papel, e depois fico com uma infinidade de personagens com o nome de Pedro, Lisa, Sílvia, Otávio, Luís, Cláudia. Então, se resolvo escrever, preciso mudar, e Lisa vira Alice, Elisa, Isabel. Otávio vira Augusto, Luís Augusto, Olavo. Pedro é sempre o mais difícil, mas já virou Miguel e Lucas.

2 comentários:

  1. Pra (tentar) não repetir nomes eu fiz uma tabela com dezenas de nomes; nomes de gente que conheço, que ouço por aí, nomes estranhos... E sempre que surge um personagem novo (minhas histórias tem muitos personagens) posso ter o conforto (na falta de outra palavra) de escolher entre vários.

    [li o post atrasado, faz pouco tempo que encontrei o blog. hehehe]

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  2. Amanda, eu também tenho um arquivo com centenas de nomes. Mas quem disse que eu consulto na hora de criar? Eu acabo mesmo pegando o primeiro nome que me vem à cabeça, e que eu acho que combina bem com a cara e a personalidade da personagem. Obrigada pela visita, venha sempre.
    Um abraço

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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