quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

PÁGINAS COLORIDAS

Já estou passando da página 80 do meu novo romance. Está na hora de preparar a página 100, que, pelas características de tempo/espaço da história, será cor-de-rosa.

Essa é uma das minhas manias, e virou uma diversão. Passei os três primeiros anos da minha carreira escrevendo textos curtos. Não que as histórias fossem contos; eu apenas não sabia desenvolver bem os romances, e eles acabavam ficando com 60 ou 80 páginas manuscritas. Mosteiro foi a primeira a mudar isso – tanto que ela é um marco de mudança de fase, como contei neste texto. Em Mosteiro , eu tinha tanta coisa para contar, entre fatos e sentimento das personagens, que a certa altura (lá pela página 93), percebi que ia passar de 100 páginas. Ora, 100 é um número redondo, corresponde a um século, e eu nunca tinha escrito tanto, então achei que o feito merecia uma comemoração, que ficasse para sempre marcada no texto. Na época, eu tinha ganhado uns pacotes de Creative Paper (papel craft) com folhas coloridas e achei que seria uma boa ideia ter uma folha colorida no meio de mais de 100 folhas brancas – isso por certo marcaria a minha primeira centésima página escrita numa mesma história. E foi o que eu fiz. Dessa forma, a página 100 de Mosteiro é cor-de-abóbora, e depois dela há mais 89 páginas brancas, completando a história. Era tão grande que fiz para ela uma capa de cartolina. Achei boa a ideia de ter uma lombada para facilitar o manuseio das folhas de papel, então resolvi dar nem que fosse uma mini-capa a todas elas – já que o pequeno número de páginas não justificava uma capa de cartolina para cada uma. Como uma das minhas formas de organização é atribuir cores a conjuntos, aproveitei o Creative Paper para fazer as mini-capas das histórias. As cores disponíveis eram (excluídas preto e branco) vermelho, cor-de-rosa, azul, verde, amarelo, cor-de-abóbora então estabeleci o critério da ambientação para classificar as histórias e fiquei com seis grupos associados às seis cores (já contei isso aqui). A partir de então, as páginas múltiplas de 100 têm a cor da classificação da história. A página 100 de Mosteiro deveria ter sido vermelha, mas ela pertence à pré-história da classificação.

Até agora, tenho oito histórias que ultrapassaram a página 100: Mosteiro, Uma antiga história de amor no Largo do Machado, O maior de todos, Primeiro a honra, Tudo que o dinheiro pode comprar, Construir a terra, conquistar a vida, Fábrica, O canhoto. Achei muito curiosa a coincidência entre a página 100 de Mosteiro e de O canhoto (lembrando que O canhoto é re-escrita de Mosteiro), pois as duas foram escritas com um intervalo praticamente exato de nove anos entre elas: 16, 17 e 18 de setembro de 1988 / 17 e 18 de setembro de 2007.

Minha primeira 200 aconteceu em Tudo que o dinheiro pode comprar: eu “estiquei” a história para chegar até ela. As outras 200 são em Construir a terra, conquistar a vida e O canhoto.

Minha primeira 300 foi em Construir a terra, conquistar a vida. Além dela, apenas O canhoto tem mais de 300 páginas.

A partir daí, todas as outras páginas múltiplas de 100 são apenas em Construir a terra, conquistar a vida: 400, 500, 600, 700, 800. E, a menos que eu me meta a escrever outra saga, dificilmente chegarei novamente a 500 páginas.

A história de Toni está chegando a 100 páginas. Ainda estou em no ano de 1919 e tenho muito que contar, até 1928, o fim da história. Se posso arriscar um palpite, acho que, além da página 100, essa história terá também uma página 200 e uma página 300 coloridas.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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