terça-feira, 11 de agosto de 2009

FLASHBACK

É um recurso que não costumo usar. Prefiro usar a seqüência cronológica e contar os eventos do mais antigo para o mais recente. Usei apenas duas vezes, sendo que, em Nem tudo que brilha..., o flashback se resume a um diálogo curto para explicar como o casal combinou adquirir a casa em que moram.

Flashback verdadeiro então só fiz em Amor de redenção, quando escrevi um capítulo inteiro para contar fatos do passado que explicam a fixação de Ágila por Camila. Aliás, esta é uma história temporalmente interessante, porque foi a única vez que a história passou por mim. Ela começa no passado, passa pelo presente e só termina no futuro. Foi assim: comecei a escrever no final de maio, e fiz a primeira cena acontecer no início de maio. O capítulo II é o flashback, que acontece no século VI. Depois eu volto para o presente, e vou contando linearmente. Mas houve uma hora – as férias de julho de Camila, que contei em dois parágrafos, em que a história passou à minha frente: eu estava no mês de junho e Camila já estava de volta às aulas em agosto. Lembro que, a certa altura, perguntei a um colega de trabalho: “você acha que no dia 14 de agosto vai chover?” É claro que ele me olhou sem entender nada e educadamente respondeu “não sei”. É que nós estávamos vivendo no mês de junho, mas a história já estava acontecendo no mês de agosto. E, como é uma história de longa duração, eu a projetei para o futuro, contando resumidamente o que acontecerá às personagens durante os anos seguintes, pois é no futuro que o conflito de Ágila será realmente resolvido. Então hoje a história, embora terminada no papel, ainda está acontecendo.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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