quarta-feira, 11 de abril de 2012

16 DE ABRIL

Estava eu pensando o que poderia publicar aqui hoje, já que não tenho nenhum texto pronto, não tenho nenhuma novidade significativa sobre a história que estou escrevendo, e já publiquei o texto sobre o aniversário de carreira. Cheguei a pensar em fingir que esqueci, e não publicar nada. Mas, quando olhei para o calendário, lembrei que dia 16 de abril é o Dia de Artus e resolvi falar sobre isso.

Primeiro, é preciso explicar o que é o Dia de Artus. Meus leitores mais assíduos vão se lembrar que eu inventei (em conjunto com minha amiga Cláudia) e comecei a escrever (coisa de 150 páginas) uma história em que o Rei Artus (forma bretã de Artur) voltava de Avalon para novamente reinar sobre a Bretanha, como rezam as velhas lendas. Isso acontecia no final do século XX, e ele acabava encontrando Richard, um rapaz apaixonado pelos romances do ciclo arturiano, que ajudava o Rei a reencontrar seus Cavaleiros e organizar a retomada do poder, através da Busca do Graal. Considero essa história (que começou com o nome de A nova Camelot e terminou com o nome de O sonho de Richard) um romance de cavalaria pós-moderno, pois, embora contenha elementos do romance de cavalaria medieval, tem uma estrutura de romance contemporâneo. A história era dividida em duas partes. A primeira parte começa em 1997 e vai até a virada do século XX para o XXI. Então há um salto no tempo, e a segunda parte começa de novo em 1997, contando uma espécie de realidade paralela com as mesmas personagens. Não dá pra explicar sem contar o grande evento que muda o rumo da história, fazendo o tempo voltar e a história se repetir mas de forma diferente. Então não posso explicar melhor. Bem, atualmente, a história está descartada porque a proposta, quando foi criada (1988) era que se passasse no futuro, e o ano de 1997 já ficou pra trás faz tempo. Eu poderia jogar para 2020, 2030, ou qualquer outra data no futuro, e o problema desapareceria, certo? Em princípio, sim, mas coloquei o tal evento decisivo bem na virada do século, e esse detalhe se tornou importante para a configuração do evento, então fica difícil mover a data. Eu teria que jogar para a próxima virada de século, mas não sou especialista em ficção futurista, e isso atrapalha um pouco. Mas tenho comentado tanto sobre ela ultimamente que de repente até retomo, e ela pode voltar à vida.

Mas o que o dia 16 de abril tem a ver com tudo isso? Simples: foi nesse dia que Richard encontrou Artus. Então, quando o dia 16 de abril de 1997 chegou (a história já descartada), eu lembrei de que ela estaria começando. E, como eu tenho essa “mania” de pensar que minhas histórias são reais, comecei a acompanhar os jornais, para ver se algum iria noticiar o regresso do Rei Artus ao mundo, e sua volta ao Trono da Inglaterra. Depois disso, todos os anos, no dia 16 de abril – Dia de Artus – eu me lembro dessa história, do que ela significou para mim naquele momento da minha vida, e fico pensando em como resolver a questão de ambientá-la no futuro: o que realmente é importante para a caracterização e para a ambientação que justifique eu deixar ou eu mexer. Este ano, vai fazer 15 anos que eu comemoro (sozinha) o Dia de Artus. Quem sabe um dia essa história não vem a público, e o dia 16 de abril se torna marcante também para outras pessoas, e poderemos comemorar essa data juntos? Vindo da minha cabeça, tudo é possível.

2 comentários:

  1. Hahaha! Rindo alto aqui, nem sei por que meu esposo não perguntou do quê. Enfim, amei esse negócio de "dia de Artus".

    Eu me lembro dessa história, claro, você falou sobre ela no fórum e eu fiquei toda empolgada. Tomara que você a escreva. Não daria pra mudar a virada do século, sei lá, jogar pra virada da terceira década do século e encontrar um significado pra isso? A mente da gente inventa muitas coisas... Quem sabe encontrar um evento previsto pelos astrônomos - imagino que tenha pensado na virada do século por causa das possíveis mudanças. Dizem que o mundo acaba em 2012 (esse ano), olha aí um tipo de doideira que dá respaldo às mudanças. Hahaha!

    Pense nisso. A ideia é muito boa, vale a pena arrumar um jeitinho de colocá-la no papel.

    Beijos!

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  2. Pois é, Isie, essa história é mesmo um desafio para mim. Minha mente está trabalhando nela, "em segundo plano", e a qualquer momento a solução vai surgir, como do nada, e eu vou poder recomeçar tudo. Sim, recomeçar, porque, apesar de já ter umas 150 páginas escritas (eu não numerei porque ia escrevendo cenas avulsas, e depois colocava na ordem), amadureci muito de 1988 até hoje, e muita coisa que está escrita não me serve mais. O fim do mundo em 2012? Já está em cima, não dá mais tempo. A virada do século? É basicamente por causa da fala de uma personagem, que diz (mais ou menos) "nem acredito que daqui a pouco será um novo dia, de um novo mês, de um novo ano, de um novo século, de um novo milênio. O dia, mês, ano, século, milênio em que Artus voltará a ser Rei". Cinco coincidências. Poderia abrir mão do milênio facilmente, mas a mudança de século é muito importante, porque eles passaram três anos juntos, e um novo ano seria só mais um ano. Mas um novo século seria algo realmente significativo. Não me preocupo: uma hora a ideia vem.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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