sábado, 11 de maio de 2013

ROMANCE DE ÉPOCA


Um alerta do Google me levou ao site Ler é o melhor lazer, de minha xará, para ver o texto que ela publicou explicando a diferença entre romance histórico e romance de época. Segundo ela, ambos são escritos no presente, com ambientação no passado, mas um romance é histórico quando há fatos históricos citados no romance; e um romance é de época quando não cita os fatos históricos mas se propõe apenas a reconstruir a realidade e a visão de mundo daquela época.
É claro que fiquei curiosa para classificar meus romances e cheguei a uma conclusão: de todos os meus romances ambientados no passado, são romances históricos Pelo poder ou pela honra, O maior de todos, Construir a terra, conquistar a vida, O canhoto, Rosinha; e são romances de época O destino pelo vão de uma janela, Primeiro a honra, A noiva trocada, Vingança, Não é cor-de-rosa. O capítulo II de Amor de redenção, que acontece no passado, estaria também na classificação de romance histórico.
Interessante perceber o equilíbrio dessa divisão (seis romances históricos; cinco romances de época). Acho que meus romances de época têm uma leveza maior, provavelmente pela falta de compromisso com os eventos registrados pela história. Por outro lado, a presença dos eventos históricos na trama dá maior verdade e dramaticidade a meus romances históricos. Qual eu gosto mais de fazer? Os dois. Adoro a complexidade que a presença dos fatos reais dá aos romances históricos e também adoro o desafio de contextualizar os romances de época sem usar os fatos históricos. Se a trama estiver no passado, a história já me agrada. Não que eu não goste de ambientar romances no presente; mas o passado tem um sabor especial para mim.
Outra coisa que achei interessante foi que, para mim, os dois tipos requerem a mesma qualidade e quantidade de pesquisa e trabalho de contextualização. Usar ou não fatos e personalidades reais não é decisão minha, mas necessidade da trama.
Rosinha não era para ser um romance histórico. Não é como O canhoto, que tem já na sinopse que “Nicolaas participa da Terceira Cruzada”. Mas eu não posso ver uma revolução acontecendo em São Paulo que já ponho o pacato Toni sofrendo seus efeitos. Foi assim na Greve Geral de 1917 e na Revolução Paulista de 1924. Ainda bem que acabo a história em 1928, porque era bem capaz dele se ver forçado a combater na Revolução Constitucionalista de 1932. 

3 comentários:

  1. Estou feliz por mais uma descoberta, não fazia eu a menção dessa divisória de romances, agora posso dá o estilo de meus escritos, porem nesse momento, ainda uma interrogação em um romance que tenho: qual será seu caráter? a duvida é, pois se o narrador é presente tanto no romance histórico e o romance de época.
    Então uma novela de TV quando é retrato de época, supomos que a sua escrita poderia ser romance de época?
    De qual quer forma esta descoberta é nova e eu darei ênfase com carinho, tirando dúvidas ao refletir mais, levarei essa informação a demais interessados.
    Obrigado Mônica pela nova informação a muitos de nós, sobre esse gênero literário. Um forte abraço!
    Manoel Barbosa.

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    Respostas
    1. Oi, Manoel
      Que bom que gostou do tema. A chave para a diferença entre os dois gêneros é a presença ou não de fatos históricos reais, contados na ficção. Se há eventos históricos, então é romance histórico; se não há eventos históricos, então é romance de época.
      Dê uma olhada também no blog da outra Mônica (Ler é o melhor lazer, com link no início do texto), que ela explica o assunto com mais detalhes.
      Um abraço

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  2. Agradeço por estas informações. Estou escrevendo meu primeiro livro e resolvi ambienta-lo em Londres do século XVIII, mal sabia desta distinção.
    Mais uma vez obrigado senhorita Mônica.
    Foi um prazer apreciar este post.
    Cordialmente,
    Fernahndo Ann Russell

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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