quarta-feira, 1 de maio de 2013

MUDANÇA DE FASE


Estou fazendo a última revisão de Construir a terra, conquistar a vida antes de publicar. Há umas coisinhas a acertar em termos de dinheiro e administração da cidade, mas estou novamente me encantando com a vida desses primeiros habitantes do Rio de Janeiro. Vou também corrigindo alguns erros de digitação que persistiram em passar despercebidos todos esses anos e acrescentando, onde faltou, algumas marcações para indicar quem está falando, quando há muita gente na conversa (família grande é assim: todo mundo participa ao mesmo tempo). Ah, algo sério que terei que revisar é quanto à passagem do tempo: como escrevi com um calendário a meu lado, eu sabia exatamente quando os eventos aconteciam, e não queria enfadar o leitor com a repetição dos anos, cada vez que começavam, então muitas vezes informei apenas “no outro ano”, ou “depois do Natal, chegou um novo ano”, e agora eu mesma fico perdida na leitura, sem saber em que ano aquelas ações estão acontecendo. E se eu, autora, não sei, imagine a situação do leitor! Então ficar perdida, para mim, é sinal de que algo está muito errado e precisa ser consertado. Tenho que resgatar o calendário que eu usei para poder conduzir melhor o leitor pelos vinte e cinco anos de duração da história.
Além de problemas a corrigir, o que estou percebendo nessa leitura é como meu estilo de escrita mudou. A todo momento, fico pensando “se fosse para escrever essa cena hoje, eu faria de outra forma”. Ainda é cedo para caracterizar essa nova fase, mas acho que já posso considerar que O canhoto inaugura minha quinta fase. Desde que comecei a escrever Rosinha já estava com uma sensação de que alguma coisa estava diferente, e esse sentimento se intensificou com a leitura do texto que justamente abre a quarta fase da minha escrita (para quem não se lembra da minha divisão de fases, o texto é este). Como a mudança é recente, e eu só escrevi dois romances (sobreviventes) ainda por cima com características parecidas (os dois são romances históricos de longa duração), vou deixar para pensar em quais são as novas características dessa fase depois de escrever a próxima história, que nem é romance histórico nem é de longa duração. Acho que dessa forma será mais fácil perceber que alterações de estilo se consolidaram.
É bom perceber que se está numa nova fase, pois isso significa um passo adiante no caminho infinito em busca da excelência; significa que alguns problemas anteriores foram resolvidos e que um novo horizonte de aspectos a aperfeiçoar se abre diante de mim. Significa também que não estou estagnada, repetindo padrões cansados e fórmulas já usadas, repisando soluções que já não me acrescentam nada. Não sou o lago parado, mas o rio que flui, que contorna pedras, alta abismos e corre certeiro para seu encontro com o mar.

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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