quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O PROTAGONISTA SEMPRE VENCE O ANTAGONISTA?


É hábito da literatura expor o protagonista a todo tipo de dificuldade pelo meio do caminho e fazê-lo superar tudo antes do fim da história. Então, seja o antagonista outra personagem ou alguma circunstância da vida, o protagonista sempre o vence no final. Em algumas histórias, esses papéis são facilmente identificados e o leitor consegue acompanhar o desenvolvimento dessa temática sem dificuldade. Costumo pensar que, nas minhas histórias, a classificação protagonista / antagonista não é óbvia, o que dificultaria perceber se o protagonista sempre vence o antagonista no final. Na verdade, a questão é um pouco anterior: eu me apego aos antagonistas e acabo vendo-os como personagens principais e, portanto, protagonistas. Eles não se opõem aos protagonistas por loucura ou falta de caráter (tudo bem, há exceções) mas por circunstâncias da vida. Eles têm um motivo para estarem nessa posição e, em geral, é um motivo justo, então eu os perdoo. Muitas vezes, o antagonista é a personagem principal da história, enquanto o protagonista age e carrega a trama dos bastidores. Então, antes de eu poder dizer se, nas minhas histórias, o protagonista sempre vence o antagonista, é necessário definir exatamente qual é o objetivo de vida de cada personagem importante, durante a história, para ver se o objetivo de um se opõe ao objetivo do outro, para poder definir se um deles é antagonista, e finalmente analisar se, ao final, o objetivo de um se sobrepôs ao objetivo do outro e em que sentido (objetivo do protagonista se sobrepôs ao do antagonista // objetivo do antagonista se sobrepôs ao do protagonista). Mudança nos objetivos também significa derrota: ao ver que não conseguiria, o antagonista achou melhor fazer outra coisa.

Estou considerando que o protagonista é a personagem que, além de carregar a trama, tem pelo menos um objetivo a perseguir e que o antagonista, que também pode ser quem carrega a trama, tem por objetivo impedir, prejudicar ou atrapalhar o protagonista em seu objetivo.

Acho que especificar aqui o que acontece nas minhas histórias meio que tiraria a graça da leitura (eu estaria contando o final da história). Então vou deixar essa análise para meus leitores fazerem.

2 comentários:

  1. Olá,

    Recentemente entrei no grupo de Autismo do Yahoo. Encontrei o teu blog a partir de um link que estava em uma resposta em meu email. Achei muito interessante este paralelo entre protagonista e antagonista em teu texto. Tão interessante que, se me permite, gostaria de usar em algo. Também escrevo histórias, contos e poemas e se tiver interesse em passar em meu blog e deixar um comentário, ficarei feliz. Sou autista e encontrei na literatura algo que me deixa feliz...

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  2. Oi, Jair
    Fico feliz que você tenha tido a curiosidade de investigar o link na minha assinatura, e tenha gostado de algo que escrevi. Pode usar, sim (mas não esqueça de remeter para cá). Vou ver seu blog também.
    Um abraço

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Mestre em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dedica-se à literatura desde 1985, escrevendo principalmente romances. É Membro Correspondente da Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni desde 1998 e Membro Titular da Academia de Letras de Vassouras desde 1999. Publicou oito romances, além de contos e poesias em antologias. Desde junho de 2009 publica em seu blog textos sobre seu processo de criação e escrita, e curiosidades sobre suas histórias. Em 2015, uniu-se a mais 10 escritores e juntos formaram o canal Apologia das Letras, no Youtube, para falar de assuntos relacionados à literatura.

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